A FELICIDADE NASCE DE DENTRO DE NÓS

 

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Ó Deus, vós me tecestes no seio de minha mãe (Sl 138,13).

O Pe. John Powell SJ, no seu livro “Felicidade: um trabalho interior”, conta que determinada pessoa encontrou uma solução prática para não ficar reclamando dos outros. Colocou no espelho de seu banheiro um cartaz com a frase: “Você está vendo a pessoa responsável pela sua felicidade”. Deste modo, cada vez que se dirigia ao banheiro sentia com clareza o impacto da frase: somente ele era o responsável pela sua felicidade!

Deus nos criou para sermos felizes. Tudo o que fazemos tem este objetivo: alcançar a felicidade. Se alguém não aspirasse mais a ser feliz, estaria doente, seria um caso clínico. Nada mais desanimadora do que uma pessoa que se conformasse em viver triste, sem ânimo, conformada com o própria derrota.

Por outro lado, a experiência nos demonstra que muita gente não é feliz, luta para sê-lo, mas não consegue. A causa maior disso é que espera que a felicidade venha dos outros, venha das coisas. Coloca a felicidade como algo que, de fora, corra ao seu encontro. A esposa aguarda que o marido a faça feliz. O namorado acha que a amada vai tirar dele a infelicidade. Os pais nutrem a esperança de que os filhos os farão felizes. O jovem pensa que o amigo vai fazê-lo feliz. E isto não acontecerá, pois a felicidade brota de dentro de nós.

Ninguém pode nos fazer felizes, porque nós somos responsáveis pela nossa felicidade! Por respeitar nossa maturidade pessoal, nossa liberdade de escolha, Deus também não nos faz felizes. O resto, é ilusão: buscamos a felicidade no dinheiro, no luxo, na beleza física, na fama, no sexo, na festa, na droga, e vamos querendo sempre mais, porque a infelicidade continua a ser nossa companheira.

Duas inimigas – competição e comparação

Há ainda duas outras atitudes que impedem deixar a felicidade brotar de dentro de nós: a competição e a comparação.

Achamos que o outro é feliz porque faz as coisas melhor do que nós, é sempre vitorioso, ganha mais, é o tal. Passamos então a competir para ser como ele, melhor do que ele. E assim continuamos, de competição em competição, e a frustração continua conosco.

Ou então, passamos a nos diminuir, a pensar mal de nós: ficamos nos comparando com os outros. Surge a inveja: gostaríamos de ter um nariz como o outro, os olhos da cor dos olhos de nossa amiga, nos achamos baixinhos diante de quem é alto, quereríamos ter a inteligência de nosso colega, achamos nossa voz sem graça porque a do outro é que é bonita, nossa casa seria melhor se fosse como a do vizinho. Numa palavra, pensamos mal de nós e de nossas coisas e vamos sendo roídos pela inveja. E somos infelizes.

Estamos perdendo tempo e pensando mal de Deus. Afinal, nenhum de nós foi mal feito, nenhum de nós foi jogado no mundo com a incapacidade de se realizar. Cada um possui tudo o que é necessário para ser feliz: Deus nos fez de um modo maravilhoso, mas bem diferentes uns dos outros. Quem tem fé exclama, feliz, como o salmista: “Sede bendito, ó Deus, por me terdes feito de um modo tão maravilhoso” (Sl 138,14).

Então, para que competir, para que ter inveja? Ninguém é incompleto. Basta que nos contemplemos com amor, com otimismo, desenvolvamos a estima pessoal. Para que machucar nossos sentimentos comparando-nos com os outros?

Depois, com certeza, sentiremos a felicidade transbordar de dentro do nosso coração. A receita é simples: se eu não me amo, não me valorizo, quem me amará, quem me valorizará?

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Joao Flavio em 22 de maio de 2016 - 19:24

    Obr pela mensagem! Boa noite!

  2. #2 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 22 de maio de 2016 - 19:46

    Pe. José, obrigado por mais este artigo. Estamos compartilhando com nossos amigos de “face”.

  3. #3 por Ivone Maria Koerich Coelho em 28 de maio de 2016 - 19:28

    Que bela mensagem, Pe. José.

  4. #4 por Sandra Rodrigues dos Santos em 28 de maio de 2016 - 22:11

    Parabéns pelo blog, Padre José!

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