ANO SANTO DA MISERICÓRDIA – ENXUGAR AS LÁGRIMAS

 

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Criança salva nos escombros de bombardeio em Aleppo – 28-04-2016

Dentro do Ano Santo da Misericórdia, Francisco preside no dia 5 se maio, quinta-feira, uma Vigília de oração para enxugar as lágrimas dos que sofrem. A imensa Basílica de São Pedro no Vaticano será casa de misericórdia, casa de compaixão, seu magnífico espaço não será olhado pela beleza da arte, da arquitetura, mas pela beleza de corações que choram, que derramam lágrimas tanto por si quanto pelos outros que padecem de dor física ou espiritual.

Consolar os aflitos é uma das sete obras da misericórdia espiritual, que leva-nos a enxugar os rostos regados pelas lágrimas de sofrimento e oferecer consolação e esperança.

Ao anunciar essa Vigília com a presença do Papa, a Rádio Vaticana assim descreveu a finalidade: “um anúncio visível da misericordiosa mão do Pai que busca enxugar as lágrimas: de uma mãe que perdeu um filho, de um filho que perdeu o pai, dos que padecem enfermidades, dos que perderam o emprego ou não o encontram, dos que vivem situações de desunião familiar, dos que fazem experiência da solidão e do abandono, dos que são vítimas da injustiça, daqueles que perderam o sentido da própria vida e não conseguem encontrá-lo. São numerosos e de toda espécie os sofrimentos que cada um carrega dentro de si, todos verdadeiros e que podem nos conduzir à falta de esperança e de confiança”.

O dia de enxugar as lágrimas será o Jubileu daquele que chora lágrimas de dor ou de felicidade, de desespero ou de emoção por um acontecimento inesperado. Francisco não faz diferença quanto à origem do choro, desde que nasça do coração.

A Igreja e, nela, cada um de nós deve aprender a consolar os aflitos e abrir a Porta Santa para todos aqueles que sabem chorar. Sem citá-lo, o Papa se refere ao “dom das lágrimas”, dom concedido pelo Espírito Santo e que nos faz chorar nos momentos pessoais de escuridão ou de claridade. Pergunta Francisco: “Sentimos o valor das lágrimas que lavam nossos olhos para contemplar, ver o Senhor? […] É uma graça. Chorar por tudo: pelo bem, por nossos pecados, pelas graças, também pela alegria”.

Tanto as lágrimas de alegria como as de dor nascem do mesmo ventre do amor: “são filhas de um coração que deseja e espera sempre o bem daquele a quem se ama. As mamães o sabem muito bem. Se uma mãe chora, é quase sempre por causa de seus filhos. São lágrimas inquietas, fruto do amor profundo que nutrem por seus filhos”.

As lágrimas são fruto de corações misericordiosos, e somente desses corações. A frieza de um comerciante de armas resseca seus olhos, a ânsia pelo poder não permite as lágrimas. A frieza dos fanáticos religiosos ou políticos que fazem guerra tornam-nas mais abundantes nas famílias destruídas, nas crianças que vagueiam sem escola, sem infância, nos jovens privados de sonhar o próprio futuro, nos anciãos desamparados de quem se roubou até o passado.

A justiça divina vai nos julgar não por nossas obras, por nosso sucesso, e sim, pelas lágrimas que enxugamos no sofredor, pelas lágrimas que soubemos derramar. A balança do julgamento pesará as lágrimas e gemidos que decidirão nossa eternidade.

Deus é solidário com nossas dores e alegrias

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Nossa Senhora das Lágrimas de Siracusa – foto da lacrimação de 29-08-1953

Nosso Deus chora por nós e conosco: o Filho Jesus chorou pela morte do amigo Lázaro e pelo sofrimento de suas irmãs Marta e Maria. Seremos também surpreendidos pelas lágrimas de Deus Pai, pois também ele chora: “Se não quiserdes obedecer, em segredo minha alma vai chorar: por causa do orgulho, estarão meus olhos chorando sem parar, derramando lágrimas” (Jeremias 13, 17). Quanta ternura contemplamos em nosso Abbá-Pai num cantinho, chorando, de esguelha olhando para nós, esperando que nos decidamos por ele!

“Contaste os passos da minha caminhada errante, minhas lágrimas recolhes no teu odre; acaso não estão escritas no teu livro?” (Salmo 56, 9). Nada justifica a omissão, nem o mais empenhativo compromisso religioso: “Quando estiveres extasiado junto de Deus, se um doente te pedir uma tigela de caldo, desce do sétimo céu e dá-lhe o que pede” (Ruysbroeck). Nada está acima da misericórdia, nada é mais importante do que enxugar lágrimas.

Não podemos ficar indiferentes diante das tragédias de nossa época, como o sofrimento dos migrantes, a dor de quem é escravizado para o serviço da riqueza ou do prazer dos poderosos, do desemprego que humilha, não permitamos nossos ouvidos tratarem as mortes no trânsito, nos bombardeios apenas como problemas estatísticos, porque a morte de uma pessoa já é excessiva.

Para a Vigília na Basílica de São Pedro, o Papa decidiu trazer e expor uma pequena imagem, Nossa Senhora das Lágrimas. Em 29 de agosto de 1953, em Siracusa um jovem casal corria o risco de interrupção da gravidez. A futura mãe chorava desconsolada quando levou um susto e gritou: “Olhem que a imagem chora!”. E era verdade: lágrimas escorriam pela face da imagem mariana e a lacrimação se prolongou por 4 dias aos olhos de todos, de devotos ou curiosos, de médicos, fotógrafos, filmadores. A ciência não conseguiu explicar o fenômeno, pois era inexplicável mas, quem enxuga lágrimas logo compreende: a Mãe de Jesus tem diante de seus olhos o Filho crucificado pelo qual chorou dolorosamente e sempre chora ao ver o sofrimento daqueles de quem ele falou: “Mulher, eis aí teu filho”.

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Joao Flavio em 1 de maio de 2016 - 21:07

    Obr e boa noite!

  2. #2 por Paulo Roldão em 12 de maio de 2016 - 10:59

    Irmão, sei que por aqui não é o mais correto, mas não consigo de outro modo. Resido em Portugal e tento arranjar o livro Filocalia em suporte digital. No facebook e numa pagina que faço parte, deram-me o link para este blog e mais propriamente para a parte da Filicalia. no entanto, não consigo “retirar” tudo para passar a pdf e imprimir para poder ler calmamente e com o coração em casa. Se houver alguma possibilidade agradeço.

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