NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, UMA ASSINATURA DE DEUS

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Nossa Senhora de Guadalupe – cópia do manto

O Santuário de Guadalupe é o coração da fé católica e da nação mexicana. Maior e mais visitado templo mariano do mundo, com 20 milhões de peregrinos a cada ano, guarda o manto de São Juan Diego, onde a Virgem estampou sua imagem.

Em sua homilia na Missa ali celebrada, no dia 13 de fevereiro, Francisco referiu-se, com ternura, aos acontecimentos de dezembro de 1531, quando a Virgem se manifestou ao índio Juan Diego, convertido à fé católica em 1524. Recordou todas as vítimas das violências da história mexicana, milhões de índios massacrados pelo conquistador europeu. Mas, o Papa não se deixou levar pelo desânimo: viu um “sinal” de esperança nas aparições de Nossa Senhora: “Deus aproximou-se e aproxima-se do coração sofredor, mas resistente, de tantas mães, pais, avós que viram partir, perder ou mesmo serem arrebatados criminosamente os seus filhos”. Isso ontem e hoje.

Confessou que tinha um “sabor especial” estar no local onde a Virgem “quis visitar” a “grande nação” mexicana, o indígena São Juan Diego, com as roupas e a língua destas populações. Recordou as aparições de dezembro de 1531 e o milagre que é “a memória viva de tudo o que este santuário guarda”: “Nesse amanhecer, nesse encontro, Deus despertou a esperança do seu filho Juan, a esperança do seu povo”. Convidou os mexicanos a construir “outro santuário”, na sua vida pessoal e na das comunidades, sem deixar “ninguém de fora”: “Todos somos necessários, especialmente os que normalmente não contam por não estarem à altura das circunstâncias”, observou. Acrescentou que esta escolha “preferencial”, não é “contra ninguém, mas a favor de todos”.

Sublinhou que “o Santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as suas condições, especialmente os jovens sem futuro, expostos a um sem número de situações dolorosas, de risco, e os idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos”. “O Santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para poderem construir-se e levantar-se”.

Recordando as palavras da Virgem de Guadalupe a São Juan Diego, afirmou que os fiéis “não estão sós”. “Somos embaixadores de Deus, vivendo as obras de misericórdia dando de comer aos famintos, de beber aos sedentos, um posto de trabalho aos necessitados, vestes a quem está nu, e visita aos doentes. Socorre os prisioneiros, perdoa a quem te fez mal, consola a quem está triste, tem paciência com os outros e, sobretudo, pela oração implora o nosso Deus”.

Francisco recorda aquela manhã de dezembro de 1531, quando ocorreu o primeiro milagre: “Deus despertou e desperta a esperança dos menores, dos sofredores, dos explorados e dos marginalizados, de todos aqueles que sentem não ter um lugar digno nessas terras. Naquele amanhecer Deus se avizinhou e se avizinha do coração sofredor, mas resistente, de tantas mães, pais, avós que viram seus filhos partirem, os viram perdidos ou mesmo, arrastados pela criminalidade”.

Francisco recordou que Juan Diego disse à Virgem que era tão insignificante que não servia para missão alguma mas, “todos somos necessários, sobretudo aqueles que não contam porque não estão ‘à altura das necessidades’, ou não oferecem o ‘capital necessário’ para a construção de si mesmos”.

 No final da Missa, Francisco ofereceu uma coroa de ouro e prata, com a inscrição em latim “Mater mea, Spes mea” (Minha mãe, minha esperança).

Francisco reza diante da imagem da Virgem de Guadalupe

Francisco reza diante da imagem  de Guadalupe

Após a celebração, o Papa realizou um grande desejo pessoal: durante cerca de 20 minutos, sozinho, contemplou a imagem de Nossa Senhora impressa no manto. Contemplava Maria, que o contemplava como filho: “O meu desejo mais íntimo – falou durante o voo – é parar diante de Nossa Senhora de Guadalupe, esse mistério que se estuda, se estuda, se estuda e não se encontram explicações humanas. Também estudos científicos sérios afirmam: Isso é uma obra de Deus”.

A imagem da Virgem no manto de Juan Diego

No dia 9 de dezembro de 1531, Maria fixou sua imagem no manto do índio Juan Diego. Um humilde índio mexicano foi escolhido para transmitir a única verdadeira imagem de Maria: 500 anos depois, Nossa Senhora de Guadalupe continua a mesma, apesar de impressa num pano de pouco valor e durabilidade, semelhante ao tecido de linhagem usado para guardar batatas e outros produtos. Como se pode explicar sua durabilidade durante cinco séculos, tendo ficado sem proteção, sujeito à fumaça das milhares de velas acesas, tocado por mãos suadas e flores, tendo passado incólume por uma bomba propositalmente explodida a seus pés e que danificou edifícios vizinhos?

Como explicar os pigmentos cromáticos da imagem, que não têm origem nem mineral, nem animal, nem vegetal? No momento em que Juan Diego abriu o manto e fez as rosas caírem aos pés de Dom Juan Zumárraga, a Virgem foi estampando sua imagem, para espanto de todos. Uma Virgem morena, índia, revestida com manto rosa e túnica azul. A pintura parece não penetrar o tecido, mas está nele como suspenso ou em terceira dimensão.

Juan Diego e o milagre no manto

Juan Diego e o milagre no manto

O manto de Juan Diego media 1,68 cm de altura e 1,30 de largura, composto de duas peças, costuradas ao meio. Nesse tecido tosco, estudando a imagem com modernas técnicas de fotografia e de raios infravermelhos, nas flores podem ser contemplados os montes e colinas do México de então, as estrelas do manto são reprodução fiel das constelações visíveis na cidade do México no século XVI.

E as maravilhas não terminam aqui: as pálpebras da imagem, se observadas aumentando a fotografia, apresentam todas as ramificações venosas do olho humano. Graças às técnicas de computação digital, em ambos os olhos surgem angulações e proporções idênticas àquelas que se apresentariam nos olhos de uma pessoa viva.

Na pupila do olho direito aparece um grupo familiar indígena, uma mulher com uma criança no colo e um homem com um chapéu semelhante a um sombreiro que está observando a cena. Na pupila do olho esquerdo aparece um ancião com barba, identificado como o Bispo Zumárraga. Essas imagens antes não podiam ser observadas, por falta de meios tecnológicos. Hoje são visíveis, pois são usadas técnicas de ampliação que aumentam duas mil vezes cada pupila.

É como se a imagem da Virgem fosse “fixada” no manto de Juan Diego tendo nas pupilas a cena exata que estava acontecendo naquele momento diante de seus olhos, quando o índio abriu o manto com as flores, pela primeira vez revelando a imagem mariana.

A fé católica do povo mexicano se alimentou na contemplação dessa imagem, e reproduções dessa imagem o acompanharam em todos os grandes momentos de sua história.

Diante da Virgem de Guadalupe, contemplando essa imagem humanamente impossível de ser explicada e reproduzida, podemos dizer: estamos contemplando a assinatura de Deus. Francisco convidou os que visitam a Virgem em seu santuário a ficarem em silêncio, a contemplarem a Senhora ‘muito e com muita calma’, ela que mais uma vez nos diz, como disse a São Juan Diego: “O que está acontecendo, meu filho, o menor de todos? Que coisa entristece teu coração? Por acaso não estou aqui, eu que sou tua mãe?”.


Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 16 de fevereiro de 2016 - 19:24

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