10 – MAS LIVRAI-NOS DO MAL. AMÉM

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A primeira parte da Oração do Senhor é concluída com o pedido ao Pai: seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. E a conclusão de todos os pedidos é a súplica de cada um e de todos nós: mas livrai-nos do Mal.

Se fizermos a vontade de Deus, o Mal será vencido. O Mal, pai da mentira, sedutor, assassino, fez a morte ingressar na história ao conseguir seduzir Adão e Eva de que viver sem Deus seria viver sem o medo da morte. Com o mistério da encarnação e da redenção operadas pelo Filho, a morte foi vencida, sim, mas Satanás está no mundo querendo nos subtrair do amor de Deus e sujeitando-nos a seu poder mortal.

Na hora da agonia, Jesus pediu por cada um de nós: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17, 15). Nascemos de Deus, fomos purificados do pecado pela graça, o que não quer dizer que estamos livres da tentação. Pelo contrário, ser filho de Deus é uma decisão contínua e o tentador quer destruir nossa filiação.

O Mal, que gera todos os males do mundo, não é uma figura poética: é uma pessoa, um anjo decaído cuja essência é o ódio. Deus é o Amor, o diabo é o Mal, um anjo sumamente perfeito no mal, combatente contra Deus.

A Igreja toda, unida à criação, suplica continuamente que sejamos livres do mal que a tudo destrói, querendo destruir toda a bondade. O papa Francisco nos alerta para a ilusão perversa de guerras religiosas: matar em nome de Deus, fazer guerra em nome de Deus parece zelo apostólico, e na verdade é apenas decisão diabólica, pois constrói um mundo de dor e destruição, um mundo de morte. Ele declarou, em Tirana: “O segredo duma vida bem sucedida é amar e dar-se por amor. Nela encontra-se a força de ‘sacrificar-se com alegria’ e o serviço mais exigente torna-se fonte duma alegria maior. Então as opções definitivas de vida deixam de meter medo, mas aparecem na sua verdadeira luz, como uma forma de realizar plenamente a própria liberdade”. Diferentemente dos enganos satânicos, aqueles que vencem as tentações vivem dessa alegria de doar-se, experimentam a verdadeira liberdade: amar, amar sem medida.

Vem, Senhor Jesus – liberta o mundo do mal

Recorda-nos Paulo: “O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8, 31). A oração é contínua no suplicar “vem, Senhor Jesus” (Apoc 22, 20), que ele venha agora e sempre, pois somente sua vinda nos liberta do Maligno.

No pedido para a libertação do Mal igualmente pedimos para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros do qual ele é o instigador. Nesse pedido, a Igreja leva até o Pai toda a desolação do mundo, implora o dom da paz e a graça de perseverar até a vinda final do Senhor que tem as chaves da morte e da morada dos mortos. Então a vida triunfará para sempre e o reino de Satanás será destruído em definitivo (cf. CIC 2854).

A Oração do Senhor é proclamada no início do rito da comunhão na Eucaristia. Para que sejamos livres de todo o mal, trocamos o abraço da paz e, mesmo indignos, recebemos o Corpo e o Sangue do Senhor. A redenção oferecida no Calvário se faz presente no Pão eucarístico, alimento de vida verdadeira.

O Senhor nos ensina o caminho do bem, fortalece-nos em nossa guerra contra Satanás, e vem ao nosso encontro com o Pão da Vida e da unidade, para que sejamos livres do pecado e de toda a perturbação enquanto aguardamos a vinda gloriosa de nosso Salvador.

Ele já veio, vem sempre que é suplicado, mas sempre necessitamos repetir: “Mas livrai-nos do Mal”. E assim poderemos dizer “Amém”, pois o Senhor é nossa vitória.

Pe. José Artulino Besen

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