09 – NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

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A história humana é construída pela resposta que damos à pergunta: a quem queremos servir, a Deus ou ao demônio? Queremos percorrer o caminho do Bem ou o caminho do Mal? Desde o Paraíso, quando nossos pais rejeitaram obedecer a Deus e preferiram ser como Deus, ocupando-lhe o lugar com a conseqüência do início a história da Vida e a história da Morte, a situação se repete em nossa vida pessoal, e a cada dia da vida: por quem decido apostar minha existência?

Nós andamos empenhados no combate “entre a carne e o Espírito”. Necessitamos que o Pai nos dê o Espírito Santo para não cairmos em tentação e ele, o Espírito, dá-nos o discernimento para julgar o que é bom ou mal, e a fortaleza para perseverarmos no bem.

O Pai, evidente, não nos quer no caminho da morte, ele nos quer no bem que é fruto da vida. Temos diante de nossos passos os dois caminhos, e a tentação pode nos seduzir para trilharmos o caminho do mal. Por isso, pedimos na Oração do Senhor: não nos deixeis cair em tentação, e a tentação é o impulso para mudar de caminho.

O Espírito Santo ensina-nos a discernir entre a provação que dá vida e a tentação que conduz ao pecado e à morte. Devemos também distinguir entre “ser tentado” e “consentir” na tentação: ser tentado é ser seduzido pela promessa de que podemos ser mais do que Deus, retirá-lo de nossa vida; consentir na tentação é agir na crença de que é melhor agir por conta própria, sem Deus, na ilusão de que o fruto proibido é “bom, agradável à vista, desejável”: por que não comê-lo? (Gn 3,6). No desejo de nunca morrer, aceitamos a opção da morte.

Jesus foi tentado no início e no fim de sua vida terrena: no deserto, o demônio ofereceu-lhe pão, sucesso, adoração (Mt 4, 1-11) e, no Getsêmani, o afastamento do Cálice da cruz (Mt 26, 36-46). No deserto, Jesus destrói a tentação com a Palavra de Deus e, na agonia do Horto, com a decisão de que se faça a vontade do Pai.

Viver no Espírito – um só é nosso Senhor

Somos humanos, e a fragilidade é parte de nossa condição, mas Deus vem em nosso socorro com o Espírito que nos fortalece. Assim como a massa de trigo é sovada, amassada para que dê um gostoso pão, também a tentação aumenta nossa resistência ao mal, dá-nos fortaleza à medida que aprendemos a vencê-la. Isso é um exercício da liberdade que o Senhor nos deu, e que ajuda em nosso autoconhecimento e em descobrir quem nós somos, nossa miséria. Deus não impõe o bem, quer seres livres.

É claro que cairemos em tentação se nosso coração tiver apetite pelo mal, enquanto que o não cair em tentação é decisão do coração: “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração […] Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6, 21, 24).

Jesus venceu a tentação porque tinha jejuado, estava vigilante e de coração vigilante. A vida distraída é casa para assaltante. Pedimos ao Pai que guarde nosso coração para que o Espírito desperte-nos a viver em vigilância.

Pedir ao Pai para não cairmos em tentação é pedir a perseverança final: “Olhai que vou chegar como um ladrão: feliz de quem estiver vigilante! (Apoc 16, 15). Até nos últimos instantes da vida somos tentados pelo desespero: “e se tudo foi engano? Vivi sem viver, desperdicei os poucos anos”. É o Tentador com a última tentação: renegue a Deus que enganou você, berre um grito de protesto, blasfeme como desforra.

Pedir a perseverança final é fortalecer a esperança que derrota o Tentador, é nos entregarmos ao Pai a quem pedimos que não nos deixe cair em tentação.

Pe. José Artulino Besen

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