08 – PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS

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ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO

Jesus Cristo se encarnou, morreu e ressuscitou pela remissão de nossos pecados. O perdão é garantido porque, no Filho, “nós temos a redenção, a remissão dos nossos pecados” (Cl 1, 14),  mas nos coloca uma condição: que perdoemos aos que nos ofenderam. A intensidade do perdão divino é proporcional à nossa reconciliação com todos, ao nosso pequeno perdão corresponde a imensidão misericordiosa do Pai.

Ao rezarmos “perdoai” estamos declarando nossa confiança no perdão divino, somos sempre o filho pródigo que retorna ao Pai, e o Pai sempre nos espera para revestir-nos do amor e da graça. Os sacramentos derramam sobre nós a água da misericórdia, mas não suprimem em nós a terrível liberdade de tornar a pecar, e Deus, em seu Filho, pode não nos perdoar, porque podemos não querer o perdão.

Na multiplicação de nossos erros, não desanimemos, mas lembremos as palavras consoladoras do papa Francisco: “Deus não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão”.

Então, por que Jesus coloca uma condição nesse mar de misericórdia? O que tem entre nosso pequeno perdão, a pequena ofensa que nos foi infligida e a bondade divina? Por que perdoarmos? O amor é indivisível e formamos o corpo de Cristo, também indivisível. Como podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos os irmãos a quem vemos? Recusando perdoar, nosso coração se fecha, endurece tanto que impede chegar a nós e ao próximo o amor do Pai. Quando perdoamos, a porta de nosso coração se abre e o Pai entre em nossa vida.

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido

Somente Deus, que é amor, pode descer à nossa condição e dizer: “eu faço assim como vocês fazem”. Se eu perdôo, Deus perdoa. Diversas vezes o Evangelho nos coloca diante do “como”: sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito (Mt 5, 48); sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso ((Lc 6, 36); amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 13, 34); perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4, 32).

Assim o Pai vai agir se cada um perdoar o irmão do fundo coração. Deus nos eleva ao aceitar nossas atitudes com nossos irmãos como condição para as ações dele. Claro, não é fácil perdoar e Deus sabe que não conseguimos deixar de sentir ou esquecer a ofensa, mas, se nos entregarmos ao Espírito Santo, ele purifica nossa memória e transforma a ferida em compaixão e muda as ofensas recebidas em intercessão por quem nos ofendeu.

A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos e nos faz semelhantes ao Mestre que perdoou-nos todas as ofensas que recebeu. Deus quer que tenhamos somente uma dívida: a do amor de uns para com os outros. O perdão nos reconcilia, revela-nos a bondade de cada pessoa, e que todos necessitam de nossa misericórdia. Quem é perdoado adquire forças para organizar melhor sua vida.

A Eucaristia, onde todos comemos do mesmo Pão, é grande alimento de reconciliação e de unidade. Nela podemos fazer as pazes com Deus ao fazermos as pazes com os irmãos. A maior oferta para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Pe. José Artulino Besen

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