07 – O PÃO NOSSO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE

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Na primeira parte da Oração, Jesus nos ensina a pedir ao Pai que saibamos glorifica-lo e fazer a vontade dele. Na segunda, nos dirigimos confiantes ao Pai pedindo que esteja conosco em todas as situações da vida. O “dai-nos” é um pedido confiante de filhos que tudo esperam do Pai que dá o sol e a chuva para justos e injustos (cf. Mt 5,45). Sabemos que, acima de tudo, ele é bom e sua bondade não exclui ninguém. Temos uma Aliança com ele: nós somos dele e ele é nosso, é Pai de toda a humanidade, e então pedimos por nós e por todos, também solidários com a humanidade.

Pedimos o “pão nosso” porque sabemos que ele deu-nos a vida e não deixará faltar o que for necessário para que a vida permaneça. Nós pedimos o pão nosso no abandono filial: o Pai quer que não vivamos ansiosos e preocupados, ao mesmo tempo conservando o compromisso com o pão. Tudo pertence a Deus, nada faltará àquele que possui a Deus. Nossa súplica não é egoísta, intercedendo apenas para mim ou para os meus, porque pedimos para nós todos, comprometidos em nossa vida com a solidariedade efetiva com os que passam fome. Um cristão sente-se membro da família humana e, pedindo o pão nosso, lembra a parábola do Pobre Lázaro e do Juízo final, quando o julgamento será pela partilha do pão (cf. Lc 16, 19ss; Mt 25, 31ss). O cristão sabe que não há mundo justo sem homens e mulheres que queiram ser justos: pedimos o pão para repartirmos o pão.

Não só de pão vive o homem

O pão nosso de cada dia é o pão do hoje que o Pai hoje nos dá: queremos que todos sejam felizes e fraternos hoje, não acumulando para repartir depois. O dia de hoje é o dia de nossa vida, nossa vida é cada dia. Ao pedir o pão que dá a vida física temos presente outro pão, cuja falta causa a morte a muitos: o pão da Palavra que sai da boca de Deus (cf. Mt 4,4). Há uma grande fome na terra que “não é fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11). A súplica do pão de cada dia não pode ser separada do Pão da Vida que é a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo recebido na Eucaristia. Quem comer desse Pão não terá mais fome nem conhecerá a morte, porque estaremos recebendo o Senhor ressuscitado.

Comendo o pão que brota da terra e do trabalho humano sustentamos a vida e, participando da Eucaristia, criamos a vida em comunhão gerada pela unidade no Corpo de Cristo. O Senhor conhece a nossa fome de vida em plenitude e nos oferece o Pão vivo e verdadeiro que devemos pedir ao Pai a cada dia, para nós todos.

Somos peregrinos que buscam a casa do Pai e, em nosso alforje, carregamos o pão e o Pão, a mesa do alimento e o banquete da Eucaristia. Sabemos que o Pai nos dá tudo para vivermos com alegria o caminho por onde não vamos sozinhos, mas acompanhados de todos os filhos e filhas de Deus.

Pe. José Artulino Besen

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