04 – SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

022Para vivermos esse pedido com mais intensidade é importante rezarmos com Jesus sua Oração sacerdotal: “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um” (João 17, 1-11).

O Nome de Deus é santo, em Deus tem origem toda santidade: pedimos ao Pai que seu nome nos santifique no amor para que nós sejamos santos, perfeitos. Há um compromisso: santificar o nome em nós e santificarmos seu nome no mundo. A santidade não se esgota em nosso ser, mas deve se expandir por toda a criação.

O que vem de Deus é santo e, desse modo, todas as criaturas participam da glória de Deus: plantas e animais, seres vivos e inanimados, tudo canta a glória e o esplendor de Deus. De modo único, o homem e a mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus, têm a vocação de santificar tudo e todos. Com o Salmista, maravilhados por tanta beleza, nós proclamamos: “Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em todo o universo!” (Salmo 8, 1) e perguntamos: diante de tanta beleza, por que, Senhor, coroastes o ser humano de honra e glória, confiando-lhe todas as coisas?

Pelo pecado, a morte fez ingresso no mundo e fomos privados da glória de Deus, que não se esqueceu de nós: num grande plano de salvação através da história, continua a revelar seu nome, para restaurar o homem à imagem de seu Criador (cf. Cl 3, 10).

Toda a Escritura é revelação do nome de Deus, que permanece fiel a seu plano de salvação. O patriarca Abraão recebeu de Deus um juramento de fidelidade; no cativeiro do Egito, Deus revela seu nome a Moisés: “Eu sou”, isto é, vocês me conhecerão através de minha manifestação em sua história. “Eu sou” é eterno presente e, com esse nome, Deus estabeleceu a Aliança do Sinai: o povo será seu povo, constituirá uma nação santa, porque Deus habita nela.

Todos juraram fidelidade, mas o único fiel é Deus, porque a história humana é história de infidelidade. Um pequeno povo, o resto de Israel, permaneceu fiel, um povo de pobres que arderam de paixão pelo Nome. Através da ação do Espírito, Deus colocou em cada um a espera de um Salvador, que revelaria em plenitude seu nome. Em meio a sofrimentos, pecados, infidelidades, os Profetas continuamente animam o povo a reerguer-se, denunciam os pecados e, ao mesmo tempo, anunciam o Messias.

Jesus revela o nome de Deus: o Pai

No tempo previsto, Deus enviou o Salvador: muito menos do que esperavam, pois não era rei nem chefe, e infinitamente mais do que podiam esperar: era o Filho de Deus, feito carne em Maria e que nos manifestou o nome de Deus: o Pai.

Jesus nos regenera, restaura, na água do Batismo: somos “purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1Cor 6, 11). O Pai nos chama à santidade, que nos é comunicada por Cristo, de modo que nossa vocação é santificar seu nome em nós e por nós.

Escutamos o Pai que nos diz: “sede santos, porque Eu sou santo”. Santificados no Batismo, todos os dias temos de pedir a perseverança em nossa filiação divina; incorrendo em faltas, renovamos o pedido para que sejamos purificados e a santidade permaneça em nós.

Ensinando-nos a rezar, Jesus mostra que depende da nossa vida e da nossa oração que o nome de Deus seja santificado entre as nações. Pela santidade, Deus salva e santifica toda a criação e conta com nossa atuação: se agimos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agimos mal: “O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós” (Rm 2, 24).

“Santificado seja o vosso nome” é o pedido que inclui todos os outros pedidos: se Deus é santificado em nós, seu nome é santificado em todos. Fazemos esse pedido “em nome” de Jesus, isto é, rezamos com ele e nele para a glória do Pai e a salvação da criação.

Pe. José Artulino Besen

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