03 – PAI NOSSO, QUE ESTAIS NO CÉU

013Chamar Deus de “Pai” é fruto de relação de confiança entre Deus e a criatura, entre mim e Deus. Ele é Pai nosso, não como nossa posse, pois não somos seus proprietários, mas, numa atitude totalmente nova na história religiosa: nós somos o seu povo e ele é o nosso Deus, ele é nosso Pai e nós somos seus filhos, nós nos pertencemos no amor e na fidelidade, em graça e verdade.

Oramos em comunhão. É Jesus, o Filho, que faz essa ligação confiante ser verdadeira pois, vindo a nós pela encarnação, trouxe o Pai até nós e levou-nos até o Pai. Por nós mesmos seríamos incapazes de chegar ao Pai pela oração. O Pai de Jesus Cristo é o nosso Pai e, juntamente com o Filho – somos filhos no Filho – estabelecemos a relação pessoal.

O “nosso” retrata, do mesmo modo, um relacionamento comunitário, inclui outros além de mim, e cada pessoa batizada participa dessa comunhão: nossa oração é sempre povoada por toda a Igreja e mesmo na solidão carregamos conosco o povo de Deus e somos incluídos na sua oração. A cada vez que invocamos nosso Pai incluímos a comunhão com todos os que abraçaram a fé e agora se esforçam para ter um só coração e uma só alma (cfr. Atos 4, 32).

Ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2792-2793) que, ao rezarmos o Pai nosso, deixamos de lado o individualismo, pois o Amor que nós dele acolhemos nos liberta: “O ‘nosso’ do princípio da oração do Senhor, tal como o ‘nos’ das quatro últimas petições, não é exclusivo de ninguém: comunhão com o Pai, nas tentações, nas desavenças. Para que seja dito em verdade, as nossas divisões e oposições têm de ser superadas”.

A oração da unidade universal

Invoco o Pai nas minhas intenções, sim, mas sempre incluindo as “nossas” intenções, pois não há crescimento pessoal se não houver crescimento comunitário. Em outras palavras, no “nosso” eu incluo todos aqueles por quem o Pai entregou seu Filho amado. Não há fronteiras no amor, não há fronteiras na oração, não há exclusividades no coração de Deus.

Assim como Jesus deu a vida por todos, no Pai nosso eu intercedo por todos, também por aqueles que ainda não o conhecem, para reunir a humanidade na unidade. Ao rezarmos o Pai nosso incluindo todos os povos promovemos o anúncio do Nome de Deus: Pai. Ninguém se sinta excluído de sua mesa e todos abandonem imagens de medo, domínio e vingança ao recordar Deus.

Sempre que se promove um encontro ecumênico, oração pela unidade dos cristãos, encontro de líderes de diferentes igrejas, o Pai nosso é parte constitutiva. Podemos nos desentender na compreensão da fé cristã, mas nunca nos desentenderemos a respeito do Pai de Jesus Cristo. Assim, a celebração ecumênica é ato de louvor e ato penitencial: louvor por invocarmos o Pai, penitência por não termos comunhão plena.

A invocação de “nosso” Pai é patrimônio e estímulo a todos os batizados a fim de que, dando-se as mãos, os cristãos sintam a dor de terem o Pai comum e ainda não viverem a riqueza de serem plenamente irmãos: os irmãos “separados” são desafiados a se tornarem, o quanto antes, irmãos. Unidos pelo mesmo Batismo, participam da oração de Jesus pela unidade de todos os discípulos.

Um só é nosso Pai que está nos céus, um só devem ser os salvos por seu Filho, um só coração deve ser o gênero humano.

Pe. José Artulino Besen

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