02 – PAI

015

Ao dar-nos sua oração, Jesus inicia revelando o nome de Deus: Pai! Nosso Deus é Pai e isso nunca tinha sido revelado. A Moisés, Deus revelara seu nome como “Aquele que é”, o eterno, o sempre presente. Somente por Jesus recebemos o nome real de nosso Deus, porque somente ele o conhece desde toda a eternidade. Isso não vem da inteligência, mas da graça.

Para vivermos com intensidade o nome “Pai”, precisamos purificar nosso coração de imagens negativas que tenhamos guardado de nossa experiência pessoal: talvez nosso pai foi ausente, dominador, nossa mãe nos fez sofrer e acabamos confundindo a paternidade divina com essas imagens familiares. Rezar “Pai” ultrapassa tudo o que podemos imaginar: o Deus todo poderoso, criador, rei eterno, quer ser chamado de Pai, Abbá, Paizinho. Quanta ternura e confiança brotam em nossa vida ao podermos dizer a Deus que ele é Pai, é nosso Pai e no momento de dor, gritar Pai!

Santa Teresa de Ávila gostava muito de iniciar sua oração com o Pai Nosso, mas, afirmava ela, poucas vezes ia além da palavra Pai: mergulhava nesse mistério de amor e era arrebatada pela alegria de ser filha de Deus. Bastaria que Jesus nos tivesse ensinado isso: Pai!

Quando oramos ao Pai, estamos em comunhão com Ele e com o seu Filho Jesus Cristo. É então que O reconhecemos num encantamento sempre novo. A primeira palavra da oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica. Porque a glória de Deus é que nós O reconheçamos como “Pai”, Deus verdadeiro. Damos-lhe graças por nos ter revelado o seu Nome, por nos ter dado a graça de acreditar nele, de sermos habitados pela sua presença (CIC 2781).

Conhecemos o Pai pelo filho Jesus

Somos filhos no Filho através do batismo, e formamos a família que recebe corpo do Cristo Cabeça e, desse modo, somos “cristos”, cristãos, e com Jesus aprendemos a conhecer o Pai e a viver a graça da filiação divina. O papa Francisco insiste muito nessa graça que nos dá a alegria verdadeira e nos impulsiona à conversão a uma vida nova, brotada da graça e do desejo e da vontade de nos parecermos com ele, nos comportarmos como filhos de Deus, criados à sua imagem e podendo recuperar a semelhança que foi enfraquecida pelo pecado. Ali está a raiz da alegria cristã.

Rezando “Pai” contemplamos sua beleza e bondade que impregnam nossa alma e dão-nos um coração novo em substituição do coração cruel e desumano. Um coração humilde e confiante que nos faça voltar ao estado de crianças (Mt 18, 3): porque é aos pequeninos» que o Pai se revela (Mateus 11, 25).

Ao final de um dia de trabalho, de encontro com os discípulos, de ser quase “devorado” pelas multidões de doentes, pobres e pecadores que nele encontravam refúgio, força e consolo, Jesus se retirava para rezar. Ele, que tanto tinha falado dele, agora se retirava para conversar com o Pai.

Os discípulos sentiam o amor do Filho pelo Pai e queriam ter a mesma experiência, donde Filipe ter pedido: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (João 14, 6-14). E Jesus respondeu a Filipe e a cada um de nós: “Filipe, quem me vê, vê o Pai”. Jesus era o manso e humilde, o bondoso e misericordioso, o bem-aventurado e forte, pois tudo recebera do Pai: seu rosto era o rosto do Pai.

E nós temos esse imenso privilégio: ao rezarmos “Pai”, contemplamos o rosto de Jesus e, nele, a face do Pai. E tomamos a feliz decisão de possibilitar a quem nos contemplar poder dizer: através de você eu posso conhecer Jesus, conhecer melhor o Pai.

Pe. José Artulino Besen

%d blogueiros gostam disto: