01 – A ORAÇÃO DO SENHOR: O PAI NOSSO

001

O cristianismo conserva um tesouro simples, de poucas palavras, acessível a todos: a Oração do Senhor, o Pai nosso. É oração do Senhor porque foi ensinada pelo Senhor Jesus a seus discípulos. Alguns a recitam no trabalho, no silêncio do quarto ou do lar, com os braços erguidos ao céu, ou de joelhos, na certeza de estarem invocando o Pai que nos faz seus filhos e, através da filiação divina, irmãos uns dos outros. É a grande oração que, em cada Liturgia, abre o rito da Comunhão: antes de comungarmos o Pão da Vida, o Filho, comungamos com nosso Pai.

Grande escritor, Tertuliano afirma que “a oração do Senhor é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho”. Tudo o que Jesus fez e ensinou nós pedimos no Pai nosso para que aprendamos a vivê-lo.

A Bíblia contém muitos hinos e orações, nela incluído um livro com 150 orações, os Salmos, o alimento principal da oração cristã, donde conclui Santo Agostinho: “Percorrei todas as orações que existem na Sagrada Escritura: não creio que possais encontrar uma só que não esteja incluída e compendiada nesta oração dominical”.

Guardando essa oração no coração e na memória, doutores e analfabetos, crianças e teólogos guardam o tesouro das Escrituras. O Pai nosso não é criação humana: foi dado por Jesus.

Quando orardes, dizei

O Novo Testamento transmite a Oração do Senhor no evangelho de Lucas com cinco petições, e em Mateus, com sete.

No evangelho de Mateus, Jesus é apresentado como o Mestre que introduz o Reino com o Sermão da Montanha (Mt 5-7), iniciado com a proclamação das Bem-aventuranças. É o evangelho que mais acentua Deus como Pai, cuja vontade é o programa de vida de seu Filho e dos “filhos” que ele congrega, para que a vida de Jesus seja a nossa vida.

No evangelho de Lucas, Jesus é apresentado como modelo de oração, e os discípulos com ele querem aprendê-la: “Um dia, Jesus estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos’. Ele respondeu: ‘Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja teu nome; venha o teu Reino; dá-nos, a cada dia, o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos deixes cair em tentação” (Lc 11, 2-4).

Mateus nos transmite que o Senhor repreendia os que achavam ser a oração boa quando comprida, complicada: “Quando orardes, não useis de muitas palavras, como fazem os pagãos. Vosso Pai sabe do que precisais. Vós, portanto, orai assim: Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal (Mt 6, 9-13).

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 1 de agosto de 2015 - 13:31

    Divulguei o artigo no facebook. É linda e profunda essa Oração. Também a considero a síntese do Novo Testamento. Minha mãe se emocionava, quando rezava o Pai Nosso. Li vários livros sobre o Pai Nosso. Cada vez aprendo mais. Obrigado, Padre José Artulino Besen.

%d blogueiros gostam disto: