NOSSA SENHORA DE LOURDES – SAÚDE DOS ENFERMOS

Gruta de Lourdes, onde Maria apareceu a Bernadete em 1858.

Gruta de Lourdes, onde Maria apareceu a Bernadete em 1858.

O médico francês Alexis Carrel (1873-1944) foi agraciado em 1912 com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Descrente, em maio de 1902 aceitou acompanhar uma doente, Marie Bailly, no trem que a levava a Lourdes, em busca de cura. Seu caso, peritonite tuberculosa em último grau, era totalmente perdido. Alexis Carrel ajudou-a a mergulhar na piscina e, para espanto seu, Maria Bailly saiu da água curada. Nos cinco dias seguintes o médico viveu intensa experiência espiritual que o levou à fé católica. O relato da cura milagrosa se encontra disponível no “Dossier 54”, no conhecido “Caso Bailly”.

Desde 1858, a Gruta de Lourdes é reconhecida como local de grandes graças para doentes físicos e espirituais, e as águas que ali nascem testemunham a fé e a regeneração de grande número de peregrinos. O Dia Mundial do Enfermo foi fixado na data da primeira aparição de Maria em Lourdes, 11 de fevereiro de 1858.

Há mais de século e meio, de todos os Continentes chega gente para visitar a Gruta de Massabielle, em Lourdes. Na pequena cidade francesa aos pés dos Pirineus, dia por dia, ano após ano, centenas, milhares, milhões, se reúnem os peregrinos: papas, cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos, doutores, leigos, católicos e não católicos e até ateus. Ali os bispos franceses reúnem sua Conferência episcopal. Mas, e isso conta muito mais, se reúnem os doentes, sofredores de todos os países, trazidos e acolhidos por voluntários.

Uma equipe de médicos está permanentemente em Lourdes para descrever as curas, atestar os milagres que a ciência não explica, e que já são 69. Há equipes de hospitaleiros para receberem os doentes, conduzirem-nos à piscina, fazer com que se sintam bem. Anualmente 80.000 doentes vão a Lourdes para rezar, tocar a Gruta, beber da água. Em diferentes países se encontram voluntários para acompanharem os doentes nas viagens de trem, de avião.

Em Lourdes o mundo se transforma numa família, sem distinção de etnia, origem, nação. Superam-se as barreiras de cor da pele, língua, cultura, riqueza, das deficiências provocadas pela doença. Lourdes assiste ao milagre da fraternidade sem muros. Os milagres comprovados pela ciência, os inumeráveis milagres de cura espiritual, emocional, de recuperação do sentido da vida, da alegria de viver confirmam o reconhecimento oficial das Aparições da parte da Igreja em 1862. A Gruta de Massabielle gera a alegria da vida fraterna e da Igreja universal.

Tudo teve início em 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadete Soubirous, jovem vidente, pobre, sem instrução falou que tinha visto uma Senhora, bela, belíssima, que entre os dedos debulhava as contas do rosário. Aparição silenciosa, nenhuma palavra ainda para essa menina tão sofrida pela doença, humilhação da família, e pela pobreza.

Bernadete Soubirous – a vidente de Lourdes

Bernadete, em 4 fotos de 1861 ou 1863, feitas pelo padre P. Barnadou.

Bernadete nasceu em 7 de janeiro de 1844, no moinho de Boly onde trabalhavam seus pais Francisco e Luíza. Viveu seus primeiros 10 anos numa casa decente, e lá nasceram os 9 filhos, 5 dos quais morreram no início da vida. O amor humano sentido e vivido na família deu-lhe uma personalidade equilibrada, especialmente nas provações, na miséria e na doença.

Durante um ano e meio foi entregue a uma família porque Luiza, devido a um acidente, não poderia amamentá-la. Francisco é um homem bom, não se preocupa em cobrar pelo trabalho, especialmente dos pobres, e os negócios começam a ir mal. Em 1850, perde um olho num acidente e Bernadete tem a saúde piorada com a asma e dores no estômago.

Em 1854, aos 10 anos, a família deve mudar e Bernadete deixa o moinho feliz de sua infância. Buscando o pão para os 4 filhos, Francisco vive buscando serviço, e de moleiro passa aos trabalhos manuais, enquanto que Luíza brabalha como lavadeira, faxineira e agricultora. No ano seguinte, Bernadete é atingida pela epidemia de cólera e sua saúde já delicada se torna pior e a asma se torna crônica. Após negócios mal feitos, o inverno 1856-1857 aumenta a miséria, a fome bate às portas. O casal Soubirous vê-se obrigado a confiar Bernadete à sua madrinha Bernarda, onde ajuda nos trabalhos de casa.

Barnadete ignorava completamente o catecismo, mas foi educada cristãmente. Sabe o Pai nosso e a Ave Maria, e carrega sempre consigo o rosário. Enquanto os irmãozinhos podiam freqüentar as aulas de Catecismo, ela devia trabalhar no campo, cuidar de animais, pastorear ovelhas, para ajudar no sustento. Mas, muito queria ter a graça da Primeira Comunhão.

No início de 1857, devido à desocupação, Francisco perde a casa e o trabalho, e precisou ocupar a cela de uma velha prisão em Cachot, mal conservada, escura e úmida, com pouco mais de 15 m2. Pouco depois, a polícia bate à porta: Francisco é acusado de roubo. Mesmo inocentado, uma vez incluído na categoria de ladrão tornou-se quase impossível encontrar trabalho.

Após mais um tempo junto à madrinha, com saudades da família Bernadete retorna a Cachot. Era 17 de janeiro de 1858. Em 28 de janeiro, aos 14 anos, teve a graça e a felicidade de receber a Primeira Comunhão. Estava preparada para viver outra experiência, definitiva para sua vida e marcante para a vida de sua Pátria e de toda a Igreja: 14 dias depois, recebeu a visita da Imaculada Conceição, de Nossa Senhora de Lourdes.

AS APARIÇÕES DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Escolhi narrar de forma breve as 18 aparições a Bernadete. Breve e simples foi o modo como aconteceram e do mesmo modo gostaria de repassá-las, seguindo fielmente os relatos publicados em Lourdes.

1ª. aparição: na quinta-feira de 11 de fevereiro de 1958, acompanhada de sua irmã e de uma amiga, Bernadete se dirige a Massabielle, ao longo do rio Gave, para recolherem lenha seca. As amigas saem na frente e, enquanto Bernadete tira as meias para atravessar o rio, ouviu um barulho, semelhante a um pé de vento, e olha em direção à gruta. Depois narrou: “Vi uma senhora vestida de branco. Vestia um vestido branco, um véu branco, uma cinta azul e uma rosa amarela em cada pé”. Bernadete faz o sinal de cruz e recita o rosário com a Senhora. Terminada a oração, a Senhora desaparece de repente.

2ª. aparição: no dia 14, domingo, Bernadete sente uma força interior que a leva a retornar à gruta de Massabielle, apesar da proibição dos pais. Após recitar a primeira dezena do rosário, vê aparecer a mesma Senhora, e lhe lança água benta. A Senhora sorri e inclina a cabeça. Finda a oração do rosário, desaparece.

3ª. aparição: quinta-feira, 18 de fevereiro, a Senhora fala, pela primeira vez. Bernadete lhe entrega uma caneta e um pedaço de papel e pede-lhe que escreva seu nome. A Senhora responde: “Não é necessário”. Depois acrescenta: “Não lhe prometo a felicidade neste mundo, mas no outro. Você pode fazer-me a gentileza de vir aqui por 15 dias?”.

4ª. aparição: na sexta-feira, dia 20. Bernadete dirige-se à Gruta levando acesa uma vela benta. Devido ao fato, surgiu o costume de levar velas e acendê-las diante da Gruta. A Senhora se manifesta silenciosamente e logo parte.

5ª. aparição: sábado, 20 de fevereiro. A Senhora ensina a Bernadete uma oração pessoal. Ao final da visão, uma grande tristeza invade Bernadete.

6ª. aparição: domingo, 21 de fevereiro. É bem cedinho quando a Senhora se apresenta a Bernadete, que estava acompanhada por uma centena de pessoas. Em seguida, Jacomet, comissário de polícia, a interroga e quer que Bernadete lhe conte tudo o que viu. Ela, porém, lhe falará somente de “Aquero” (aquela coisa).

7ª. aparição: terça-feira, 23 de maio. Rodeada de 150 pessoas, Bernadete dirige-se à Gruta. A Aparição lhe revela um segredo, “somente para ela”.

8ª. aparição: quarta-feira, 24 de fevereiro. A Senhora lhe dirige essa mensagem: “Penitência! Penitência! Penitência! Rogai a Deus pelos pecadores! Beijareis a terra em expiação pelos pecadores!”.

9ª. aparição: quinta-feira, 25 de fevereiro. Estão presentes 300 pessoas. Bernadete narra: “Ela me disse para me dirigir à fonte para beber água. Escavei e encontrei apenas um pouco de água lamacenta. Ela insistiu que eu bebesse. Na quarta tentativa pude beber. Ela também me fez comer da erva que se encontrava vizinha à fonte. Então a visão desapareceu e eu fui embora”. Diante da multidão que lhe diz: “Sabes que te julgam doida fazendo essas coisas?” ela somente responde: “É pelos pecadores”.

10ª. aparição: sábado, 27 de fevereiro. Oitocentas pessoas estão presentes. A aparição é silenciosa. Bernadete bebe água da fonte e cumpre os gestos habituais de penitência.

11ª. aparição: domingo, 28 de fevereiro. Mais de mil pessoas assistem ao êxtase de Bernadete. Ela reza, beija a terra e caminha com os joelhos em sinal de penitência. Imediatamente é levada à presença do juiz Ribes, que ameaça de pô-la na prisão.

12ª. aparição: segunda-feira, 1º de março. Mais de 1.500 pessoas se reúnem e, dentre ela, pela primeira vez, um sacerdote. De noite, Catarina Latapie, de Loubajac, dirige-se à Gruta, mergulha seu braço aleijado na água da fonte: seu braço e sua mão recuperam a mobilidade. É o primeiro milagre operado nas águas de Lourdes.

13ª. aparição: terça-feira, 2 de março. Aumenta sempre mais a multidão. A Senhora lhe diz: “Dizei aos sacerdotes que venham aqui em procissão e que construam aqui uma capela”. Bernadete refere isso ao padre Peyramale, pároco de Lourdes. O padre nada mais quer saber do que uma coisa: o nome da Senhora. E mais ainda, exige uma prova: ver florescer a roseira da Gruta em pleno inverno.

14ª. aparição: quarta-feira, 3 de março. Bernadete dirige-se à Gruta às 7 da manhã, na presença de 3.000 pessoas, mas a visão não vem! Depois das aulas, sente o convite interior da Senhora. Dirige-se à Gruta e Lhe pede o Seu nome. A resposta é um sorriso. O pároco Peyramale lhe repete: “Se a Senhora realmente quer uma capela, que diga o seu nome e faça florescer a roseira da Gruta”.

15ª. aparição: quinta-feira, 4 de março. A multidão, sempre mais numerosa (cerca de 8.000 pessoas) espera um milagre no final dessas quinze aparições. A visão é silenciosa. O pároco Peyramale permanece em sua posição. Nos 20 dias seguintes, Bernadete não se dirigirá mais à Gruta, pois não sentiu mais o irresistível convite interior.

16ª. aparição: quinta-feira, 25 de março. A Visão revela, enfim, Seu nome, mas a roseira (de rosa canina) no qual a Visão apóia os pés durante Suas aparições, não floresce. Bernadete diz: “Ela ergueu os olhos aos céus, unindo, em sinal de oração, as suas mãos que estavam estendidas e abertas em direção à terra, e me disse: QUE SOY ERA IMMACULADA COUNCEPCIOU” – Eu sou a Imaculada Conceição.

Bernadete sai correndo e repete continuamente, durante o caminho, essas palavras que ela não compreendia. Falava o francês com muita dificuldade, pois sua língua era o dialeto occitano-guascão. Mas, são palavras que impressionam e comovem o insensível pároco. Bernadete ignorava essa expressão teológica que descrevia a Santa Virgem. Somente quatro anos antes, em 1854, o papa Pio IX tinha-a definido uma verdade da fé católica.

17ª. aparição: quarta-feira, 7 de abril. Durante essa aparição, Bernadete conserva acesa sua vela. Entrou em êxtase e chama da vela roçou longamente sua mão, sem queimá-la. Esse fato foi imediatamente constatado por um médico presente no meio da multidão, o médico Douzous.

18ª. e última aparição: quinta-feira, 16 de julho de 1858. Bernadete sente a misteriosa chamada à Gruta, mas o acesso está proibido e tornado impossível por uma cerca de arame. Então fica defronte à Gruta, do outro lado do rio Gave, na pradaria. “Me parecia estar diante da Gruta, na mesma distância das outras vezes, eu via somente a Virgem, jamais a vi tão bela”.

A simplicidade dessas linhas não revela o tumulto que as Aparições provocaram na região, envolvendo padres, bispo, polícia, juízes, autoridades políticas, povo, cada vez mais povo, interrogatórios, ameaças, proibições e ela, a humilde e singela Bernadete, nunca perdendo a paz, a alegria e a veracidade nas palavras. Não perdia a paz, mesmo sendo o centro de uma confusão e movimentação cada vez maior.

Bernadete, em 5 fotos de 1863, feitas por Billard-Perrin.

A Igreja investiga as Aparições

Dom Bertrand-Sévère Laurence, bispo de Tarbes, se ocupa imediatamente dos fatos, nomeando uma Comissão de investigação para documentar e constatar os fatos ocorridos ou que viessem a ocorrer, com a finalidade de tomar uma resolução a respeito das curas operadas através do uso da água da Gruta. Durante 4 anos a Comissão pesquisa os fatos, interroga testemunhas, consulta especialistas da ciência, os médicos que trataram dos doentes antes da cura, especialistas em ciências físicas, químicas, geológicas. Bernadete é interrogada repetidamente. O Bispo tirou suas conclusões em 1862 e, com Decreto de 18 de janeiro emitiu seu julgamento sobre as Aparições na Gruta de Lourdes, oficialmente reconhecendo a autenticidade e a veracidade das Aparições, nas quais Bernadete viu a Santíssima Virgem e, especialmente, que os fatos ali ocorridos não podem ser explicados a não ser por intervenção divina.

A grande prova, para o Bispo, é que Bernadete jamais quis enganar: impressionam sua simplicidade, sua pureza e sua modéstia. Somente fala quando interrogada, tudo narra sem ostentação, com inocência, com respostas nítidas, precisas, sem hesitação. Sincera, não caiu em contradição, nada acrescentando, nada mudando. A sabedoria de suas respostas manifesta espírito reto, bom senso superior à sua idade. Seu agir religioso foi sempre humilde. Nela nunca se percebeu desequilíbrio mental, alteração dos sentidos, esquisitices de caráter, nem morbosidade que poderia predispô-la a fantasias imaginativas.

Não foi vítima de alucinação: ela realmente viu e ouviu um ser que se proclamou A Imaculada Conceição. Ela não chegaria a isso por via natural, donde se tem motivo fundado para crer que a aparição seja sobrenatural.

As maravilhas da graça

O argumento final, para Dom Bertrand-Sévère Laurence, bispo de Tarbes, para a Igreja, é constituído pelos frutos que tornam legítima a árvore: os fatos narrados por Bernadete geram benefícios sobrenaturais e divinos. Cita: a multidão que acompanha as aparições, sempre mais numerosa e, após, os peregrinos de regiões sempre mais distantes que acorrem à Gruta para pedir graças a Maria Imaculada; muitos corações cristãos foram fortalecidos nas virtudes, espíritos indiferentes retornaram às práticas religiosas, muitos peregrinos de coração endurecido se reconciliaram com Deus após invocarem Nossa Senhora de Lourdes. Somente Deus, conclui o bispo, pode ser o autor dessas maravilhas da graça que confirmam a verdade das aparições.

O bispo também cita os doentes que provaram da água da Gruta e improvisamente recuperaram a saúde. Doentes terminais e irrecuperáveis ficaram curados ao beberem da água que, após rigorosos exames, demonstrou ser água pura, sem outras propriedades, o que comprova que as curas são obra de Deus.

Lembra o bispo a coincidência da revelação do nome da Senhora “Eu sou a Imaculada Conceição”, desconhecido pela Vidente e revelado em 1854 pelo papa Pio IX.

Então conclui: “Há uma estreita ligação entre as curas e as aparições: a aparição é divina porque as curas têm marca divina; o que vem de Deus é verdade! Por isso, o que Bernadete viu e ouviu, e a Aparição que se proclama ‘Imaculada Conceição’, é a Santíssima Virgem! Declaramos, portanto, que aqui está a mão de Deus!”.

Após ter invocado o nome de Deus, procedeu à leitura da declaração do reconhecimento oficial das Aparições.

Corpo incorrupto de Santa Bermadete (Foto 02).

Corpo incorrupto de Santa Bernadete.

De Bernadete a Santa Bernadete

Após longo discernimento, acompanhada pelo diretor espiritual e pelo bispo, em 4 de julho de 1866  inicia Bernadete sua viagem ao convento da Congregação das Irmãs de Caridade de Nevers. Com o coração sofrido, deu adeus à família, aos seus, à querida Gruta de Massabielle e a Lourdes. Não mais retornaria. Nesse mesmo ano morreu sua mãe, aos 41 anos; cinco anos depois, seu querido e sofrido pai. Antes da partida, tinha perdido um irmãozinho.

Sua saúde sempre esteve comprometida e passou muito tempo no leito. Mas, Bernadete era muito feliz, a cruz a fortalecia. Dizia, nos momentos de muita saudade: “Minha missão em Lourdes terminou”, “Lourdes não é o céu”.

Pronunciou os votos perpétuos em meio à doença. Em 11 de dezembro de 1878 se acama definitivamente. Durante os 15 anos de vida conventual suportou em silêncio sofrimentos físicos e morais, como a indiferença das próprias irmãs. As superioras a tratavam com indiferença. Exerceu as funções de enfermeira e de sacristã, até o agravamento da doença. Não pedia alívio, mas força e paciência. Lembrava as palavras da Imaculada: “Não lhe prometo a felicidade neste mundo, mas no outro”.  A quem a confortava, respondia com um sorriso radiante, na recordação da Senhora de Lourdes: “Maria é tão bonita que todos que a vêem gostariam de morrer para revê-la”.

No silêncio e na paz, morreu em 16 de abril de 1879. Não podia imaginar como Lourdes tinha progredido, o Santuário que estava sendo construído, a fonte milagrosa a atrair sempre mais peregrinos. A Gruta de Massabielle se transformou em centro de cura e libertação, de fé e de caridade. Bernadete contemplava agora a beleza de Maria.

Com a introdução da causa de beatificação e canonização, seu túmulo foi aberto três vezes, em 1909, 1919 e 1925. Para espanto dos examinadores, seu corpo está intacto. Na exumação de 1925, assim o médico responsável descreveu o corpo: “O que mais me impressionou durante esta exumação foi o perfeito estado de conservação do esqueleto, tecidos fibrosos, musculatura flexível e firme, ligamentos e pele após quarenta e seis anos de sua morte”.

Desde 3 de agosto de 1925, o corpo intacto da Santa se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França, a 260 km. de Paris.

Foi declarada Bem-aventurada pelo papa Pio XI em 12 de junho de 1925 e canonizada, pelo mesmo Papa, em 8 de dezembro de 1933. Após a proclamação de Santa, a multidão reunida da Praça de São Pedro prorrompeu no canto do Ave de Lourdes, o mesmo cantado hoje em todo o mundo:

Louvando Maria/ o povo fiel/ A voz repetia/ de São Gabriel:
Ave, ave, ave Maria.

Um anjo descendo/ num raio de luz/ Feliz, Bernadete/ à fonte conduz.
Ave, ave, ave Maria.

Vestida de branco/ da glória desceu/ Trazendo na cinta/ as cores do céu.
Ave, ave, ave Maria.

Mostrando o rosário/ na cândida mão/ Ensina o caminho/ da santa oração.
Ave, ave, ave Maria.

No dia 16 de abril de cada ano, a Igreja festeja Santa Bernadete Soubirous.

MENSAGEM DE LOURDES

Tanto os que peregrinam a Lourdes, como seus devotos pelo mundo, recebem os sinais das Aparições:

A Água que jorrou do chão sujo, escavado por Bernadete, continua a brotar, é o grande sinal da cura física e espiritual. Essa água abastece a piscina onde os doentes se banham. Nunca cessou de brotar, a cada dia aproximadamente 5.000 litros. A Água nos lembra o Batismo e a vida cristã.

A Oração pelos pecadores, pedida por Maria, é oração pela conversão de toda a humanidade, de cada um de nós. O rosário é a grande oração, a oração dos humildes, dos doentes e anciãos, é a oração de Maria.

Fazer Penitência, aceitar e oferecer os sofrimentos pela salvação da humanidade.

A Vela que Bernadete levou acesa se repete como o sinal de Lourdes e de todas as grutas espalhadas pela terra, sinal da fé, da luz.

A Eucaristia é o sinal principal de Lourdes, do mesmo modo que é o centro da vida da Igreja. Todos os dias, à tarde,  se realiza a Procissão com o Santíssimo Sacramento, acompanhada de milhares de devotos que carregam velas acesas.

Em Lourdes, Deus continua a chamar a humanidade à conversão através de meios pobres, mas que sabem nos orientar para a graça.

Pe. José Artulino Besen

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