PADRE JOÃO PIVATTO

PADRE JOÃO PIVATTO

PADRE JOÃO PIVATTO

João Pivatto nasceu em 10 de outubro de 1951 numa família numerosa em Machados, então distrito de Itajaí, hoje de Navegantes, sendo seus pais Alberto Pivatto e Etelvina Fião Pivatto.

Criança frágil, baixa estatura, a vida estudantil dele não foi um passeio, pois tinha bastante dificuldade de aprendizado, mas não desanimou. Também o ambiente de pobreza de sua família pode ter contribuído para isso. João foi sempre humilde, amigo de todos, não se envergonhou da probreza. E queria se padre.

Passou os anos de 1965 e 1966 no Pré-Seminário de Antônio Carlos, onde cursou o 4º ano primário e o Admissão ao Ginásio (5º ano). No percurso normal dos seminaristas, foi para o Seminário Menor de Azambuja, Brusque onde, nos anos de 1967 a 1973 concluiu o Curso Ginasial e o Clássico.

Frequentou o Curso de Estudos Sociais na Fundação Educacional de Brusque – FEBE, de 1974 a 1976. Durante esse tempo, a cada final de semana exercia atividades pastorais na Capela São Sebastião, no Cedrinho, muito benquisto e admirado, dando prova o fato de sua ordenação diaconal, em 1980, ter sido ali celebrada e festejada pela comunidade. Atraía os jovens através do canto e do violão, que tocava bem.

Com alegria, em 1977 João Pivatto dirigiu-se a Florianópolis para os estudos teológicos no Instituto Teológico de Santa Catarina – ITESC. Era a última etapa da longa formação sacerdotal.

Finalmente, em 22 de novembro de 1980, o dia tão esperado por ele, pela família e pela arquidiocese: a ordenação sacerdotal na Capela de Santa Luzia, em Machados, pela imposição das mãos de Dom Afonso Niehues, arcebispo metropolitano.

Uma pequena observação: por sua baixa estatura, era carinhosamente chamado de “Pivatinho” e, depois, Pe. Pivatto.

Apenas dois meses depois, em 26 de janeiro de 1981, foi nomeado pároco de São Cristóvão, em Cordeiros, Itajaí, num gesto de grande confiança da parte de Dom Afonso, pois o Arcebispo tinha decidido que nenhum neo-sacerdote seria nomeado pároco e abria a exceção. Cordeiros era uma paróquia bastante grande, com área urbana e rural que, em 1990, foi subdividida, formando a paróquia São Vicente. Pe. João trabalhou com dedicação, reconhecendo sua pouca experiência administrativa, o que o desafiou, completando a nova igreja matriz e a residência paroquial.

Em 8 de fevereiro de 1986, nova provisão: pároco de Sant’Ana, em Canelinha, novamente muito amado por sua constante alegria, sua delicadeza no trato com as pessoas. Devido a problemas surgidos na paróquia de Leoberto Leal, aceitou generosamente trocar o posto pelo de pároco do Sagrado Coração de Jesus, em Leoberto Leal, em 5 de dezembro de 1988. O povo de Canelinha sentiu muito essa substituição, ainda mais pelo drama reservado ao Pe. João Pivatto menos de dois meses depois, quando nem tinha retirado sua mudança completa da casa paroquial.

Os caminhos de Deus não são os nossos

Os caminhos dos homens nem sempre são os caminhos de Deus, e nos surpreendem.

Era o Retiro espiritual do Clero, na Casa de Retiro do Morro das Pedras, iniciado em 15 de fevereiro de 1989. Em decorrência de problemas com a saúde e forte encefalite, Pe. João chegou na manhã do segundo dia, mas, já ao meio dia sentiu-se mal, acometido de síndrome gastro-intestinal. Não melhorando, à tarde foi levado para a emergência do Hospital de Caridade, com internação às 18h. Já pelas 22h entrou em coma profundo, caracterizado no dia seguinte como irreversível. Removido para a UTI do Hospital Celso Ramos, faleceu no domingo, às 3:50h do dia 19.

Tudo rápido, imprevisível, até trágico: um padre jovem, em plena atividade pastoral. Dom Afonso, os padres e as comunidades por onde Pe. João trabalhara, sua terra natal, ficaram consternados por uma morte cuja causa a Certidão de Óbito definiu como “encefalopatia a esclarecer”. Houve suspeitas de aplicação de soro talvez equivocado.

O sepultamento foi no mesmo dia 19, às 17h, sendo sepultado no cemitério de Machados, em tocante cerimônia presidida pelo Arcebispo metropolitano Dom Afonso Niehues, presentes à celebração grande número de padres e diáconos e multidão de fiéis da comunidade local e de outras paróquias. Um jovem sacerdote, 38 anos de vida e 8 de ministério. Tantos anos de preparação, mas para o encontro com o Senhor.

Num gesto de forte sensibilidade, por indicação do Prof. Edison d’Ávila, em setembro de 2014, 25 anos após o falecimento de Padre João Pivatto, o Município de Itajaí, através da Secretaria Municipal de Educação, inaugurou o “Centro de Educação Infantil Padre João Pivatto”, em Cordeiros, num imóvel alugado à Paróquia de São Cristóvão.

Aqueles que o conheceram ou dele se recordam poderão agradecer a Deus por essa vida, breve, mas fecunda e generosa. Muitas vezes uma vida é breve, mas rica o suficiente por ter sido vivida.

Pe. José Artulino Besen

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