NOSSO DEUS, O PAI DE JESUS CRISTO

Na criação resplandece o amor do Pai

Na criação resplandece o amor do Pai

AS SAUDADES DE DEUS

Deus não esperava a atitude de Adão e Eva. Queriam ser como ele e, até mais, queriam negá-lo. Os dois eram crescidos, mas tinham coração de criança. Pela inexperiência e ingenuidade foram logo enganados pela serpente.

Inicialmente, fez que não viu nada, quem sabe, retornariam pedindo perdão e nova chance. Nada acontecia. O dia estava acabando e eles estavam lá, nus, envergonhados. Chegando a noite, lamentou Deus, passariam frio.

Entristecido, pensou em conversar com eles, mas percebeu que preferiam ficar escondidos, não desejavam mais sua companhia.

Deus tomou uns pedaços de pele de animais, uma agulha, e costurou uma roupa para Adão e outra para Eva. Achegou-se deles e os vestiu carinhosamente, como se fosse uma mãe. Da parte deles, nenhuma palavra.

Respeitando sua decisão, abriu a porta do paraíso e deixou que saíssem. Antes de partirem, deu mais uma ajeitada nas vestes e tomou coragem para dizer: “Olhem, essa roupa fui eu que fiz para vocês. Cada vez que se despirem ou vestirem, não se esqueçam: eu costurei cada pedaço de acordo com seu tamanho. Se ficar apertada voltem, eu arrumo”.

Adão e Eva foram caminhando, caminhando. Dois anjos se colocaram à porta do paraíso, para evitar que Deus também fosse embora com os dois (do Livro do Gênesis – 3,20).

 DEUS INVENTOU O PERDÃO

Antes de fazer definitivamente o mundo, prevenindo complicações futuras, Deus fabricou um protótipo da criação. Queria analisar-lhe o funcionamento.

Realizou muitas experiências, mas não ia bem. Os planetas encontravam a teimosia das estrelas, os cometas, vaidosos, não aceitavam caminhos definidos, o riacho reclamava da água da chuva que lhe manchava a pureza, o urubu achava o beija-flor muito irrequieto para seu gosto, e também as flores reclamavam dessa avezinha gulosa e sem sossego. Para complicar, o homem reclamava da mulher, que reclamava das crianças, que reclamavam da comida… Nada parecia bom, pois cada um queria viver por si e não perdia ocasião de uma vingança.

E Deus concedeu-se um tempo para responder ao enigma: por que nada funciona, nada permanece de pé, se tudo está muito bom?

Talvez a alternativa fosse criar tudo perfeito. Mas isso não seria mais criatura e sim, cópia dele mesmo.

E na sua sabedoria e amor, tirou de seu peito a receita para deixar a criação em pé: inventou o perdão. E assim tudo foi feito.

Milhares de anos depois, a criação andava de cabeça para baixo. Percebendo a inutilidade de seus esforços, Deus tomou a decisão de a tudo destruir para realizar outra obra. Ia proferir sua palavra final de justiça, quando escutou um grito saído do profundo da história: “Pai, perdoai-lhes! Eles não sabem o que fazem!”

Olhou para baixo e viu seu Filho, nu, coroado de espinhos, se esvaindo em dor e sangue, pregado numa cruz, em Jerusalém. Deus, cheio de ternura, atendeu a seu amado Filho Jesus, pois viu que ele tinha praticado o perdão (da sabedoria hassídica).

À PROCURA DO FILHO

Enquanto os bons trabalham, escondidos nas igrejas,
religiosos e religiosas se protegem com suas vestes,
cristãos se defendem contra os maus,
excelências reverendíssimas discernem os males do mundo,
mestres de cerimônia discutem a qualidade do incenso,
reverendíssimos reprovam os que fogem de sua cartilha,
os perfeitos se orgulham de não errar,
teólogos suam para penetrar nos mistérios,
filósofos procuram a essência das coisas,
Deus sobe a mais alta montanha,
esperando, preocupado,
o retorno de um filho perdido.

A OVELHINHA PERDIDA

O Bom Pastor

O pastor percebeu a falta da ovelhinha. Para seu conforto, 99 ovelhas, gordas, bonitas, cheias de lã, estavam ali. Mas, a ovelhinha fazia falta: logo se percebia sua ausência: o sossego e o bom comportamento se instalavam, pois acabava a graça de suas aventuras. Na verdade, muita ovelha gorda gostaria de aprontar, mas tinha um nome a zelar.

O pastor, para cansaço das 99, resolveu ir procurá-la, correndo até o risco de uma revolta enquanto durasse a ausência.

Subiu e desceu colinas, saltou pedras e obstáculos, atravessou areais. Finalmente encontrou a ovelhinha: estava à beira de um riacho, bebendo água. Olhou-o com o rabinho do olho, cheia de alegria, fingindo que não era com ela.

O pastor suspirou aliviado, correu-lhe ao encontro e tomou-a ao colo. Sentiu seu coração saltando forte no peito. Estava emocionada e cansada. Feliz, encostou cabecinha em seu peito e falou-lhe cheio de ternura, enquanto ela lhe lambia o rosto: “Pobrezinha! Você está tão cansada. Ninguém me disse que você foi para longe porque estava com sede e com fome!”.

E decidiu carregá-la ao pescoço.

Chegando ao curral, deu ordens para que, a partir daquele momento, as ovelhas mais jovens caminhassem sempre à frente, para poderem pastar as ervas mais tenrinhas.

(Shemot Rabbã, II,2).

Pe. José Artulino Besen

 

 

 

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