X – A FÉ – CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE E NA VIDA ETERNA

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Nosso Credo revela o caminho da fé: crer em Deus Uno e Trino, crer na criação do mundo e do homem e mulher, reconhecer o pecado e crer no mistério da encarnação e da redenção, crer na Igreja, crer na remissão dos pecados. Este é o caminho que faz com que nossos passos sejam acompanhados pelos passos divinos, trazem ao nosso coração um desejo infinito que supera nossa finitude: não queremos nos separar de nossos irmãos e irmãs, não queremos nos separar de Deus, queremos viver sempre na alegria do mistério divino e humano, a alegria de vida eterna.

Fruto deste desejo infinito, nosso coração, que não terá paz enquanto não repousar em Deus, faz-nos professar com força: “Creio na ressurreição da carne! Creio na vida eterna!”. É o que afirmamos com alegria no 11º. artigo do Credo, nossa Profissão de Fé. “A confiança dos cristãos é a ressurreição dos mortos; crendo nela, somos cristãos”, se afirma desde o início do Cristianismo. Ser cristão é crer na ressurreição!

Nossa vida é caminho de ressurreição

Sim! Nós, cristãos, cremos na ressurreição da carne, esperamos ardentemente o encontro final com o Pai, o Filho, o Espírito Santo. Essa esperança faz-nos viver bem, porque cada dia é precioso, não perdemos o tempo nem o caminho, investimos a vida naquilo que é bom e justo. A fé na ressurreição faz de nossa vida uma escola de amor para o encontro com o Amor, uma escola de fraternidade para o encontro com o Pai.

Com tão firme esperança, desaparece o medo da morte que levou Adão e Eva a negarem Deus, medo que destrói nossos ideais e sonhos. A morte não nos amedronta, pois sabemos que ela foi derrotada na Cruz. Existe a morte natural, afinal, nosso corpo segue os limites da natureza, mas não existe a morte de nossa “pessoa”.

Mas, o que é a ressurreição da carne? Primeiro, temos de responder a uma outra pergunta: o que entendemos por carne? Consideremos a Eucaristia: quando Jesus diz “quem come minha carne e bebe meu sangue” (Jo 6,56), está afirmando: “Quem me recebe como alimento”. Carne e sangue significam a mesma realidade: a pessoa, corpo e alma. Comungando, no Espírito não mais comemos pão e vinho, mas o Corpo e Sangue do Senhor.

“Creio na ressurreição da carne” é afirmar “creio na ressurreição da pessoa”. Nós não somos anjos, somos homens e mulheres, somos alma na carne, de modo inseparável. O Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos dará vida a nossos corpos mortais mediante o espírito que habita em nós (cf. Rm 8,11): “corpo”, aqui, é a pessoa humana (alma num corpo) cuja morte foi vencida por Cristo no Espírito.

Ressuscitamos pelo poder do Espírito

Nós não sepultamos uma pessoa, sepultamos um cadáver. Não há ninguém enterrado nos cemitérios e sim, cadáveres que retornam ao pó e que merecem nosso respeito, pois foram lavados e ungidos no Batismo. A morte foi vencida: nós morremos, sim, mas logo somos ressuscitados pelo poder do Espírito.

De que maneira? Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!” (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele ressuscitarão com seu próprio corpo, porém, corpo “transfigurado em corpo de glória”, em “corpo espiritual” (1Cor 15, 44). Assim explicou o Papa Francisco: “Esta transformação, esta transfiguração do nosso corpo é preparada nesta vida pelo encontro com Cristo Ressuscitado nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Nós, que nesta vida nos alimentarmos do Seu Corpo e do Seu Sangue, ressuscitaremos como Ele, com Ele e por meio d’Ele. Como Jesus ressuscitou com o Seu corpo, mas não regressou a uma vida terrena, assim nós ressuscitaremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos, corpos espirituais” (Catequese em 04-12-2013)

A pessoa humana – corpo encarnado – é transfigurada pelo poder do Espírito. Veja o que aconteceu com Jesus: ressuscitado, continuou sendo Verbo feito Carne, mas entrava por portas fechadas, estava transfigurado. Assim seremos nós. E o que acontecerá com nossas cinzas no cemitério? Tanto João Paulo II como Bento XVI ensinaram que a nossa ressurreição não supõe nossa natureza física atual: Deus nos dará um corpo novo, glorioso.

Graças  a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1,21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2Tm 1,11).  A novidade essencial da morte cristã está  nisto: pelo Batismo, o velho homem já está sacramentalmente “morto com Cristo”, e revestido de Cristo para viver de uma vida nova; conservando a veste batismal, com ele viveremos para sempre.

Em sua História de uma Alma, Santa Teresinha escreveu, a respeito da morte: “Eu não morro, eu entro na vida”.

Graças damos a Deus que nos oferece tão feliz herança: habitar entre os santos e anjos na Luz, pela eternidade.

Pe. José Artulino Besen

 

 

 

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