VI – A FÉ – DEUS É AMOR, O AMOR É DIVINO

O amor que vem de Deus penetra a vida humana

O amor que vem de Deus penetra a vida humana

A fé cristã tem como fundamento a revelação de que nosso Deus é Trindade, Uno e Trino, e que o Filho se encarnou, morreu e ressuscitou por nós e por nossa salvação.

Não nos é dado  entender o mistério trinitário, mas podemos nos achegar de modo muito mais belo e profundo: contemplar e adorar o Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Quando entendemos, a realidade diminui, empobrece e, quando contemplamos e adoramos, Deus vem ao nosso encontro e nos fala como a filhos.

Sirvo-me da palavra de Bento XVI na festa da Santíssima Trindade de 2009: “Três Pessoas que são um só Deus porque o Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito Santo é amor. Deus é totalmente e somente amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive numa esplêndida solidão, mas é antes de tudo fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente” (Bento XVI, Angelus de 7 de junho de 2009).

Bento XVI iniciou o pontificado com a Encíclica Deus caritas est, Deus é amor, publicada no Natal de 2005, marcando a força de seu ministério no anúncio do amor divino. Poucos nos apercebemos, mas seu último documento doutrinal e disciplinar foi sobre o amor, a Carta apostólica Sobre o serviço da Caridade, de 11 de novembro de 2012.

Cristo veio ao mundo para que tivéssemos acesso ao amor de Deus e para que esse amor seja aceso como fogo em nossos corações: “Eu vim lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lucas 12, 49). Do mesmo modo que a essência de Deus é o amor, a natureza íntima da Igreja exprime-se num tríplice dever: anúncio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebração dos Sacramentos (leiturgia), serviço da caridade (diakonia). São deveres que se reclamam mutuamente, não podendo um ser separado dos outros. Com uma palavra densa, Bento XVI sintetiza o programa da evangelização e da vida cristã: anúncio, liturgia, caridade.

Somos o centro da Trindade

Três Pessoas que são um só Deus, porque Deus é amor, isto é, a essência da divindade é o amor, a caridade. À medida que formos mais capazes de amar verdadeiramente, mais seremos capazes de penetrar o mistério de nosso Deus. Quando Lucas afirma que “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (Atos 4, 32) estava retratando o fruto do amor divino nos primeiros cristãos: eram muitos, mas uma só alma, pois mergulhados no amor trinitário. Enquanto nós, humanidade, estivermos divididos em tribos, nações inimigas, em pobres e ricos, comprovamos como ainda é distante a vivência do amor cristão.

É da natureza do amor expandir-se, ir ao encontro: assim, Deus Pai cria o mundo, cria a vida, cria o homem e a mulher para poder amar. Deus Filho vem ao mundo para renovar a criação e a humanidade decaída, fazendo novas todas as coisas (Apocalipse 21, 5). Deus Espírito Santo é fogo de amor, paz, santidade e renova tudo e todos.

Quanta dignidade há em cada um de nós, sem nenhum merecimento: somos o centro aonde converge o amor divino e recebemos o dom inestimável de poder amar, de sermos divinos pelo ato de amar.

Deus é amor, o amor é divino: nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus e recuperamos nossa semelhança pela conversão ao amor. E isso não é pesado, não é um mandamento duro: somos amados primeiro. Nosso amor é somente resposta.

Não necessitamos de ficar abismados pelos santos que deram a vida pelo próximo, pelos jovens que se consagram à missão, por aqueles que empenham toda a vida no serviço ao próximo: sentem-se amados e não conseguem se fechar em si, também se dilatam no amor. Tudo se faz amor quando meditamos no amor pessoal de Deus por cada uma de nós: “Tu és Trindade criadora e eu sou tua criatura. Tu estás enamorado de tua criatura”, afirmava Santa Catarina de Siena.

José Artulino Besen

 

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