V – A FÉ CRISTÃ, REVELAÇÃO DIVINA

Palavra e Encarnação - Capela do Centro Aletti em Olomouc - Tchékia

Palavra e Encarnação – Capela do Centro Aletti em Olomouc – Tchékia

Tudo o que cremos a respeito de Deus nós o recebemos por dom e graça, e dentro da comunidade. Não há fé cristã verdadeira senão vivendo numa comunidade eclesial e tendo a capacidade de escutar e amar.

Tantas vezes se diz que “Deus é um só, não se deve brigar por religião porque são todas iguais”. Além de são ser verdade, é uma afirmação que simplifica tudo, e é perigosa, pois torna inútil a revelação bíblica e a vinda de Jesus ao mundo.

Deus é um só, é evidente. Mas o conhecimento de Deus se dá dentro da história através do que o Espírito de Deus revela e isso, pouco a pouco, respeitando a capacidade de aprendizado dos seres humanos. São Paulo afirma que todos os povos têm a fé em Deus inscrita em seus corações e também conhecem a Deus através da criação (Romanos 1, 19-21). Deus nunca deixou de agir entre os povos, por isso, quando um missionário chega à terra de missão deve primeiro buscar conhecer o que Deus já realizou nela, pois não adentra no campo missionário como se Deus nunca tivesse acompanhado sua história.

A última revelação, definitiva, Deus ofereceu através de seu Filho que por nós se encarnou. Jesus, eternamente junto do Pai, conhece-o e pode revelá-lo. Desse modo, nós cristãos temos o conhecimento da fé, e da vida de fé, através do próprio Deus. Isso não diminui os outros povos, não cristãos, mas aumenta nossa alegria por termos sido dignos de conhecer a Deus e de nos empenharmos dia e noite para realizar o mandamento do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. Recebemos o dom da fé cristã e queremos que todos os povos dele partilhem.

O fundamento da fé cristã

Por divina revelação atestada na Sagrada Escritura, são dois os fundamentos inseparáveis da fé cristã e que, renegando-os, estaremos excluídos da comunidade cristã: Deus Pai, nosso Senhor Jesus o Salvador, o Espírito Santo enviado Filho,  o mistério da Trindade Una e Santa e o mistério da Encarnação do Filho. É aceitando firmemente esses mistérios que somos recebidos na Igreja pelo batismo: somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, pelo batismo, participamos da salvação que nos é oferecida por Jesus Cristo.

Quando falamos em “mistério” não estamos nos referindo a coisas absurdas, incompreensíveis: nos referimos, isto sim, à grandeza de Deus que é tudo, mas que vem ao nosso encontro, se envolve em nossa vida. Mistério é algo tão profundo que, quanto mais conhecemos, mais falta conhecer, e esse conhecimento não vem de nossos estudos, mas da graça de Deus. Se cada pessoa é um mistério, nunca a conhecemos totalmente, quanto mais o nosso Deus!

Sabemos que Deus é Uno e Trino, é Santíssima Trindade porque assim o Espírito nos revela pela Palavra: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Coríntios 13, 13). É muito belo quando iniciamos os sacramentos com essa saudação de Paulo. Mas, antes, fazemos o Sinal da Cruz professando nossa fé nos dois mistérios: o mistério de Deus com as palavras “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, e o mistério da encarnação e redenção traçando a cruz [+].

Cada dia que é iniciado e concluído com o Sinal da Cruz, cada ação, trabalho, viagem  com o mesmo sinal é a afirmação de que cremos no Deus Trindade e na Salvação em Jesus. Um gesto devocional tão simples e tão profundo que nos leva à intimidade de Deus nosso Pai e de Jesus nosso Salvador na força do Espírito Santo.

Quando os pais e padrinhos abençoam com esse sinal na fronte da criança estão invocando para ela proteção, salvação e fé cristã. É uma bênção generosa e poderosa, tão fácil, tão significativa e, deste modo, rezamos o que cremos e cremos o que rezamos.

Toda a revelação cristã nasce e se desenvolve numa palavra: Amor. Por amor Deus se revela, por amor nós cremos. Deus é amor, o amor é divino.

José Artulino Besen

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