MILAGRES EUCARÍSTICOS – ADORAÇÃO EUCARÍSTICA

São João Paulo II adorando o Milagre eucarístico de Siena. em 1980. Desde 1730 o Senhor continua presente na espécie de Hóstia.

São João Paulo II adorando o Milagre eucarístico de Siena. em 1980. Desde 1730 o Senhor continua presente na espécie de Hóstia.

Desde a catequese de Primeira Comunhão foi-nos ensinado que, entrando numa igreja, olhássemos em direção ao sacrário: se lá houvesse lamparina acesa, deveríamos fazer reverente genuflexão, pois Jesus está presente na espécie do Pão consagrado. Em seguida, ficando de joelhos, fazer momentos de adoração ao Santíssimo, imensa graça que nos é oferecida e que foi amada pelos santos e santas. A totalidade deles viu nessa adoração um tempo privilegiado de adoração e ação de graças, tão simples e precioso. Quando São João Vianney perguntou a um agricultor que, diariamente, indo para o trabalho entrava na igreja e ali ficava de joelhos silenciosamente: “O que o senhor faz?”, ele respondeu com simplicidade: “Nada. Eu olho para Ele e ele olha para mim”. Ele tinha compreendido a profundidade da adoração: estar diante do Senhor que está diante de nós.

O Catecismo Católico assim explica a Presença no sacrário: “A santa reserva (tabernáculo) era primeiro destinada a guardar dignamente a Eucaristia para que pudesse ser levada, fora da missa, aos doentes e aos ausentes. Pelo aprofundamento da fé na presença real de Cristo em sua Eucaristia, a Igreja tomou consciência do sentido da adoração silenciosa do Senhor presente sob as espécies eucarísticas” (§1379).

Devemos ter claro, porém, que a grande graça da Eucaristia é a celebração da Eucaristia, a participação da missa, onde não só adoramos o Senhor, mas o recebemos como alimento, Pão da Vida. Por um certo descuido na teologia, durante séculos acentuou-se de tal modo a presença no tabernáculo que a participação da missa foi descuidada e a Comunhão reduzida a poucas pessoas. Lembro de minha infância, quando era coroinha: quem queria comungar, vinha na primeira missa, pois na segunda normalmente não se distribuía a Comunhão. Foi um exagero, já superado com o maior conhecimento do sacramento do altar. Outro exagero foi estender de tal modo as exigências de santidade pessoal para se comungar que poucos sentiam-se dignos da Comunhão. A Comunhão sempre é o alimento do pecador, pois ninguém é santo, e sempre proclamamos antes de comungar: “Senhor, eu não sou digno!”. Comungamos porque Jesus se oferece como o alimento que nos purifica e salva.

A presença de Cristo no Pão e no Vinho

É oportuno que, na aproximação da grande festa litúrgica de Corpus Domini (Corpus Christi), lembremos o entendimento equivocado, beirando a heresia, a respeito dos chamados “Milagres eucarísticos”. Foi por ocasião de um deles, na cidade italiana de Bolsena, que o papa Urbano IV instituiu a Festa em 1264. No ano anterior, o Pe. Pedro de Praga foi tomado pela dúvida na elevação da Hóstia e, milagrosamente, caíram sobre a toalha gotas de sangue. Cristo veio em socorro à fé do sacerdote. Levaram a toalha ao Papa que estava em Orvieto; impressionado instituiu a festa para toda a Igreja, uma manifestação pública da fé na presença real. A toalha com manchas de sangue continua exposta na catedral de Orvieto.

O mais conhecido desses Milagres é o de Lanciano: numa mesma situação de fraqueza na fé, a Hóstia transformou-se em carne e o Vinho em sangue. Isso foi no século VIII e até hoje as relíquias se encontram expostas em Lanciano. Estudos científicos comprovam a conservação biológica do pedaço de carne e das partículas de sangue após de mais de um milênio, o que é um milagre biológico, não eucarístico.

Deve-se fazer a pergunta: as relíquias são Corpo e Sangue de Cristo? Muitos devotos ficam irritados, mas não são. O Catecismo da Igreja é muito claro: “A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo” (§1377). Nós devemos amadurecer nossa fé e não sermos levados por sentimentalismo barato e fora de propósito: Cristo está presente nas espécies de pão e vinho. No momento em que, por algum imprevisto, o pão/Hóstia se deteriorar, cobrir-se de fungos, não é mais pão e, por isso, não é mais Hóstia; se parte da espécie do vinho/Sangue se tornar vinagre, não é mais Sangue de Cristo, é apenas vinagre.

Desse modo, o Milagre aconteceu no momento em que a hóstia e o vinho se transformaram em carne e sangue, como um sinal do amor divino que veio em socorro à fraqueza do padre. Em seguida, não são mais espécies eucarísticas, pois deixaram de ser pão e vinho. Para confirmarmos ainda melhor a doutrina da Igreja, é importante ter presente que o Cristo eucarístico é o Cristo ressuscitado, transfigurado, Deus verdadeiro, não podendo, por isso, ser espécie de carne e sangue. Se assim fosse, algum pedaço de Cristo estaria deslocado, o que é evidentemente impossível. São relíquias a serem veneradas, nunca adoradas.

Um Milagre eucarístico permanente

Há 284 anos se conserva o Milagre eucarístico em Siena.

Há 284 anos se conserva o Milagre eucarístico em Siena.

Há, contudo, um Milagre eucarístico verdadeiro na sua permanência: o Milagre eucarístico de Siena, que permanece há 284 anos. Foi visitado pelos Papas Paulo VI e João Paulo II e que, diante do Milagre, caíram em adoração.

Foi em 1730. Na basílica de São Francisco em Siena, ladrões roubaram o cibório com 351 Hóstias consagradas. A cidade e os frades ficaram entristecidos pelo sacrilégio ocorrido na véspera da festa da Assunção de Maria, 14 de agosto. Para alegria de todos, três dias depois as Hóstias foram encontradas em outra igreja e trazidas, em procissão, para a Basílica. Estavam jogadas num cofre sem condições de higiene, cheio de pó e teias de aranha, mas elas perfeitamente conservadas. Como acontece nos momentos de forte emoção, houve muita adoração e devoção às Hóstias que foram guardadas e, depois, esquecidas por 50 anos. E então se percebeu o Milagre: as Hóstias ainda estavam perfeitamente conservadas, como pão de trigo feito naquela manhã, o que é impossível do ponto de vista da biologia. Algumas foram consumidas e notou-se o sabor íntegro, sem alteração alguma.

Em 1914, por decisão do Papa São Pio X, foi nomeada uma comissão de estudos com professores de bramatologia, higiene, química e farmacêutica para responder a perguntas simples: as hóstias eram de farinha de trigo sem fermento? Sofreram alguma alteração? As respostas confirmaram a permanência do Milagre: eram hóstias de trigo, sem nenhuma alteração. A cada 25 anos se consome uma para testar o sabor e o Milagre permanece: são hóstias de farinha de trigo, com o sabor de recém fabricadas. Isso após 284 anos. Ajoelhado diante delas, assim falaram tanto Paulo VI como João Paulo II: “É a presença!”. Cristo está ali, realmente presente no sacramento eucarístico.

A presença do verdadeiro Corpo de Cristo e do verdadeiro Sangue do Senhor neste sacramento não se pode descobrir pelos sentidos, diz Santo Tomás, mas só com fé, baseada na autoridade de Deus. Por isso, comentando o texto de São Lucas 22,19 – “Isto é o meu Corpo que será entregue por vós” – São Cirilo declarou: ‘Não perguntes se é ou não verdade; aceita com fé as palavras do Senhor, porque ele, que é a verdade, não mente’. No dia de Corpus Christi participemos da procissão com o Santíssimo, publicamente professemos nossa fé na Presença: Venite adoremus – Vinde, adoremos!

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Zenaide Pereira em 18 de junho de 2014 - 15:16

    Essa para mim foi novidade. O de Lanciano eu sabia que foi considerado por um alto cientista da Nasa como sangue e carne vivos. Não foi?

    • #2 por LUIZ HELENO em 21 de junho de 2014 - 00:09

      Legal, assim fico aprendendo mas sobre a minha fé e religião catolica.

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