JESUS, MESTRE EM COMUNICAÇÃO

Jesus no meio do povo.

Jesus no meio do povo.

Os pregadores que não falam com profundidade procuram fazê-lo com o tamanho. Ou, como afirmou um diretor espiritual ao padre que lhe perguntava o porquê de serem tão longos os seus sermões: seus sermões são compridos porque sua espiritualidade é curta.

Jesus foi mestre em comunicação, aliava de modo perfeito a palavra e a imagem, o sinal e o ensinamento. Era breve.

Podemos até dizer que Jesus usava, nas condições do tempo, o os recursos modernos da comunicação, como o Twitter, – a rede social que permite enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos em textos de até 140 caracteres. Ouvindo o Cardeal Ravasi no “Portal dos Jornalistas”, recebi e transmito essas palavras sobre a comunicação de Jesus.

Jesus e o Twitter

Jesus anunciava os ensinamentos centrais com menos de 140 caracteres. Ele tuitava os ensinamentos fundamentais aos que o seguiam. Era impossível não guardá-los na memória. Vejam esses exemplos:

  • O Reino de Deus está próximo: convertei-vos (43 caracteres).
  • Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (55 caracteres).
  • Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo (130 caracteres).
  • O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens, e eles o matarão. Morto, porém, três dias depois ressuscitará (115 caracteres). Essa profecia transmitida por Marcos (9, 31) é, no dizer dos estudiosos, palavra literal de Jesus, talvez sua única palavra literal. E tão breve!

E assim por diante, podemos encontrar outras palavras de Jesus que, simples e diretas, transmitem o ensinamento do Reino.

Jesus e a TV – ele servia-se do recurso mais apreciado e atraente da TV: a cena, a narração encenada, como pequena novela. Tinha capacidade incisiva, marcante, para despertar na imaginação dos ouvintes o significado de seu ensinamento e o modo de vivê-lo: são as parábolas, breves capítulos do seriado cristão.

  • O bom samaritano
  • O filho pródigo
  • O Rico e o Lázaro.

E outras. Nenhum aspecto do Reino de Deus deixou de receber uma cena que flui em nossa imaginação.

Jesus e a corporeidade – o toque corporal é, hoje, fundamental na comunicação. E também na vivência quotidiana. Temos necessidade vital de tocar e sermos tocados, sentir nossa dimensão corporal.

A obra de Jesus é basicamente constituída por curas e toques: toca os corpos, cura, usa a imposição das mãos, a saliva, o toque. Ele toca e deixa-se tocar. E, a novidade do Reino, ele toca os que ninguém queria tocar, porque eram impuros, pecadores. Especialmente o Evangelho de Marcos traz a riqueza da dimensão corporal da nova vida. Podemos citar, entre tantos “toques”:

  • Os dez leprosos
  • O filho da viúva de Naim
  • A mulher pecadora
  • O menino epiléptico
  • O cego de Jericó

O Papa Francisco insiste que o cristão deve ter cheiro de pobre, sentir o pobre, tocar o aflito. Jesus nos precedeu nesse caminho.

Dificuldade da Igreja em se comunicar.

O dicionário Aurélio registra 435 mil verbetes e 510 mil palavras. Os jovens brasileiros atuais, com suas palavras resumidas e expressões utilizam de 800 a mil. Sua mente e comunicação é feita de sinais e imagens e pouco de raciocínio.

Mudaram os ambientes onde se comunica: agora é a TV, o computador, o celular. Este novo modelo trouxe uma ruptura séria no relacionamento. Na comunicação humana normal tem parte fundamental o ver e ser visto, o face-a-face, o olhar recíproco. O outro capta meu sentimento contemplando minha face.

Agora é menor esse olhar recíproco. Se um jovem passa 5 horas diárias frente à TV, muda a sua realidade. Ele apenas recebe, não há a reciprocidade. Ele vê, mas não é visto. O outro se expõe, ele não. Há nova gramática de comunicação, onde se namora, se faz sexo virtual, se expõe a intimidade através do facebook, mas não há contato. É difícil, para eles, articular o pensamento. Tudo o que ele elabora é mutável, subjetivo, transitório.

E, como fica a comunicação cristã? Como ser missionário em um novo tempo? Lamentar é perder tempo. Podemos voltar à comunicação de Jesus, tão ricamente expressa nos 4 breves Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Sentiremos que a Verdade que procuramos não é transitória, não é da moda e sim, um mar infinito no qual devemos mergulhar: Cristo é a Verdade. Foi com essa constatação que o judeu Kafka confidenciou ao amigo Gustav Janouch: “Cristo é um abismo de luz. É preciso fechar os olhos para não nos precipitarmos nele”. Se cuidasse, Kafka ficaria cristão.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Anaide Luzani em 10 de outubro de 2013 - 19:40

    Muito interessante!

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