MARIA, MÃE E FILHA DA MISERICÓRDIA

Mãe da Misericórdia com o Cristo Alimento dos Pobres - Kosovo

Mãe da Misericórdia com o Cristo Alimento dos Pobres – Kosovo

No alto da cruz, trono de glória, Jesus contempla sua Mãe e dela faz a mãe da humanidade: “Mulher, eis aí teu filho” e, contemplando o discípulo amado: “Filho, eis aí tua Mãe” (Jo 19, 27). Na hora suprema de dor e abandono, colocou sua mãe e o discípulo amado como imagens da Igreja: nela, os filhos contemplam Maria, e Maria contempla os filhos. Esta hora de dor para Jesus, foi a hora do amor pela humanidade: a Mãe contempla os filhos no Filho crucificado e os filhos nela contemplam a Mãe.

A Virgem exerce a maternidade em todos os momentos da história eclesial e nós, do mesmo modo, vivemos a condição de filhos. A maternidade eclesial de Maria é uma das causas pelas quais a Igreja Católica deve manifestar a compreensão, a paciência porque, herdeira da maternidade de Maria, ela também se considera mãe de todos os seus membros. A Igreja Católica é autêntica não quando busca selecionar os filhos pela retidão de vida, mas, quando em todos vê seus filhos, a ninguém jogando no olho da rua. Como mãe amorosa, espera sempre porque ama e, porque ama, espera.

O cristão nutre amor filial e eucarístico pela mãe do Salvador: afinal, a carne de Jesus é carne de Maria, o sangue de Jesus é sangue de Maria, o Pão e o Vinho da comunhão eucarística foram gerados no ventre dela. Durante nove meses o Coração de Jesus pulsou no ritmo do coração de Maria.

O coração do Senhor crucificado, antes abrigado e nutrido no coração de sua Mãe, é pura misericórdia, é santuário onde a humanidade recebe redenção total. Aquela que nutriu agora se nutre, e traz para os filhos a misericórdia de Jesus que é também sua misericórdia.

Incluindo em si a Mãe e os filhos, a Igreja Católica, com seu amor e devoção marianos, manifesta o rosto de mulher, esposa, mãe. Amando a Maria como mãe, como mulher, a Igreja retrata os mais belos sentimentos femininos do carinho, da compreensão, do amor sem limites, do perdão, da força para carregar a cruz. O amor de uma mãe no coração pulsante da Igreja faz a história cristã pulsar no ritmo de um pêndulo de compreensão e energia, de carinho e fidelidade.

No contemplar nossas peripécias de pecado e de santidade, de serviço e de autoritarismo, de egoísmo e caridade, Maria escuta a Palavra agora inseparável da história humana: “Mulher, eis aí teus filhos”. E sentindo o peso da mão da justiça divina, Maria repete enquanto perdurar o caminho humano: “Filho, eis aqui meus filhos”. E assim, a misericórdia triunfa sobre o julgamento (Tiago 2, 13).

Maria, causa de alegria, mãe de misericórdia

Em seu rosto mariano, a Igreja procura oferecer a antevisão do Paraíso onde Maria já foi elevada em plenitude: com suas festas, procissões, imagens, flores, cores, com seus adultos e jovens, velhos e crianças é causa de alegria e, com os rostos sofridos, corpos devastados pela dor, manchados pelo pecado é mãe de misericórdia.

Filhos da Igreja, nossa atitude filial é imitarmos Maria em sua bondade, paciência, compreensão, misericórdia. Quem ama a Mãe de Jesus ama também aqueles a quem ela ama.

O alimentar-se contínuo e fiel da Palavra, a contemplação contínua do Filho transfiguraram Maria a ponto de poder dizer como Paulo, e com mérito que ultrapassa qualquer comparação humana: “Eu vivo, mas não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” Gl 2, 20), porque a Carne glorificada do Senhor é a carne glorificada de Maria. Seu Corpo glorificado foi elevado ao mesmo céu donde seu Filho desceu para a encarnação e aonde retornou como Senhor e Salvador. Ali, com os anjos e santos, misticamente contemplando o Filho ao colo, indica nossas pessoas de pobres mendicantes em busca de pão, com a palavra que dele aprendeu: “Filho, eis aí meus filhos”. E o Senhor da vida nos reparte o Pão da vida porque em nós contempla sua Mãe. Na felicidade sem fim em cujo caminho nos precedeu, ela escuta a humanidade que a invoca: Maria assunta aos céus, rogai por nós.

Pe. José Artulino Besen

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