LOUVADO SEJAS, MEU SENHOR, PELO IRMÃO SOL

E Francisco, em meio à noite, continua seu canto:

Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia. 

E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.

O senhor Irmão Sol – de Giuliana de Toni

A primeira palavra de Deus Pai na criação foi “faça-se a luz”, e “a luz foi feita”. Tornou-se possível ordenar a criação ainda mergulhada no caos, tornou possível o desenvolvimento da vida. O irmão Sol foi posto para presidir o dia, para presidir a formação dos seres viventes.

Francisco dá-lhe o honroso título de senhor, o senhor irmão Sol. Ele é o senhor da ordem: sua ausência confunde as coisas, sua presença, torna-as distintas. É o senhor da beleza: possibilita existirem as cores, contemplar a variedade que torna belas as criaturas e obras de arte. Belo e radiante, todos esperam-no, após dias de chuva e então ele torna a natureza acolhedora. O dia já é belo e o irmão Sol, com seu esplendor, dá-lhe mais beleza ainda. Quando as nuvens se espalham pelo firmamento o sol brinca de artista tingindo-as de fogo, desenhando seres que nos divertimos para decifrar.

“A mãe deu à luz”, é a grande notícia do nascimento de mais um filho. “Apagou-se”, é a constatação de que alguém deixou esta vida, abandonando a luz do sol para contemplar o Sol eterno.

Não há vida sem a luz do irmão Sol com seu trabalho incansável de fotossíntese: as plantas perdem o viço, a natureza definha. Quanto mais intensa sua presença mais crescem as semeaduras que germinaram, mais sabor adquirem as frutas. Sem ele, se multiplicam os sinais de morte. Além de iluminar, o irmão Sol aquece a terra, como que aquecendo o berço onde a vida possa se desenvolver

A luz do sol purifica o ambiente, torna a casa acolhedora, dá cor às faces angelicais das crianças que correm às ruas para brincarem.

O irmão Sol é imagem do Altíssimo, a Luz divina, fonte da vida: Cristo é a Luz do alto que nos vem visitar; luz do mundo, é vencedor das trevas (cf. Lc 1,78-79). Nós somos desafiados a viver como filhos da luz, com transparência; quem vive nas trevas procura ocultar baixezas, a luz lhe faz mal (cf. Ef 5, 8-9).

Quantos de nós, ao raiar o sol matutino, damos graças a Deus que nos dá mais um dia: somos inundados pela beleza da criação que se revela aos nossos olhos. A entardecer, contemplamos sua majestade a se recolher para nos dar descanso; saem as cores e mergulhamos no silêncio da noite. E então unimos o Oriente ao Ocidente contemplando a luz vespertina. E rezamos:

Ó luz serena, da glória do Pai celeste e imortal,
santo e bem-aventurado, ó Jesus Cristo.

Chegados ao fim do dia, contemplando a luz vespertina,
cantamos ao Pai, cantamos ao Filho e ao Espírito Santo de Deus”.

Nessa hora o sol cede lugar à luz divina que ilumina nosso coração e nos permite silenciosamente meditar sobre o dia que passou, nos reconciliando com a vida e pedindo ao Senhor mais um dia a graça, mais uma vez contemplar todas as maravilhas que nos revela o senhor Irmão Sol. Admirar o irmão Sol é louvar quem o criou.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Gilson Pereira de Melo em 3 de agosto de 2012 - 02:31

    Quanto mais amor e esclarecimento temos mais estamos realmente vivos. Contemplamos tudo com seu verdadeiro valor e entramos dentro das realidades da natureza e da coisas da vida, de uma forma especial e correta. Adorei a mensagem.

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