OS SANTOS, OS VERDADEIROS MISSIONÁRIOS

Quando São Francisco percebeu a grande alegria dos frades pelo martírio de alguns franciscanos no Marrocos, falou com severidade: “Vamos parar de nos alegrar com o martírio dos outros e vamos nós sentir a alegria de sermos mártires”. Isso vale para nosso relacionamento com os Santos: É muito belo admirar a grandeza e o heroísmo dos Santos, mas, importante mesmo, é nós sermos santos. Nossa primeira vocação cristã é a santidade: “Sede santos como Deus é santo”, ordena a Escritura. E com nossa santidade, podemos afirmar: Deus é admirável nos seus Santos. Cada Santo é uma obra de arte produzida no laboratório divino, cujo mestre é o Espírito Santo. A verdadeira missão dos Santos, devemos afirmar, é revelar ao mundo o rosto de Deus e a luz que dele irradiar.

Sem santidade não há missão cristã, somente propaganda religiosa. Pode haver humanismo, mas não missão, que consiste em viver à imagem e semelhança de Deus na caridade, na misericórdia, no perdão, na justiça.

Às vezes tem-se confundido a missão cristã, e a missão do cristão, com fraternidade, formação de comunidade, justiça social. Isso é fruto da vida cristã, mas não o objetivo primeiro que é ser imagem de Deus. É muito triste e desmerecedor quando se faz da Igreja uma ONG e, do apostolado, ação de ONG com funcionários pagos. Se assim fosse, não teria sido necessária a encarnação de Jesus, que nos oferece o dom da salvação: Cristo veio revelar quem é Deus e como Deus é, e que a humanidade plena se dá no ser como Deus.

Retornemos à missão dos Santos: suas obras são fruto do amor que Deus por eles nutre e que os impele ao amor fraterno. A alegria da doação da vida pelo Evangelho é obra do amor pessoal e incondicional por Deus: sentiram o amor de Deus e desse amor fizeram o sentido de sua vida.

Para mim, o viver é Cristo

Paulo sentia a sua vida como viver o Cristo, que o amou e por ele se entregou. Seu Evangelho foi anunciar a vida em Cristo, a vida da graça no Espírito. Lembro aqui o missionário jesuíta espanhol, São Pedro Claver (1580-1654): quando fez os votos religiosos acrescentou mais um: “ser escravo dos escravos” de Cartagena (Colômbia). E viveu anos e anos carregando os negros doentes, aguardando-os na boca do inferno que era o porto de Cartagena, quando chegavam fracos, purulentos, empestados, feridos. A todos oferecia o carinho de escravo dos escravos. Quando o papa Leão XIII o canonizou, disse: “Pedro Claver é o santo que mais me impressionou depois da vida de Cristo”. São Pedro Claver não agiu por filantropia, não foi assistente social: sentindo a presença de Deus dentro de si, expandiu essa presença nos mais sofredores, os negros escravizados. Viveu a missionariedade cristã: fazer com que as pessoas sentissem o amor de Deus do qual ele era pobre instrumento.

A santidade, necessidade do mundo

O Concílio Vaticano II (1962-1965), na Constituição sobre a Igreja, foi claro: todos somos chamados à santidade. Ser cristão é buscar ser santo.

Quando a catequese apresenta os Santos às crianças e aos jovens, desperta verdadeiras vocações cristãs. Quando passa a apresentar a vida cristã como um trabalho humano e a missão como humanismo, leva ao cansaço, pois as instituições do mundo o sabem fazer melhor e de modo mais agradável..

João Paulo II, em sua Carta sobre o Novo Milênio (2001) revelou a santidade como o novo que podemos oferecer ao mundo: somente os cristãos podem anunciar essa novidade que faz feliz o ser humano, e o torna mais humano porque fruto do amor do Deus Pai e Criador.

Na santidade sentimos a dignidade de cada pessoa e, por isso, sentimos alegria em apostar nossa vida para servi-la no amor. Os governos e entidades gastam fortunas para resolver problemas humanos como a fome, a violência, as doenças, e que são pouco frutíferos e não raro levam ao desperdício e à corrupção. Os Santos fazem isso de graça e com efeito duradouro.

Lermos e contemplarmos a vida dos Santos nos desperta para a missionariedade evangélica: anunciar a Graça que liberta, e de graça. É deixar tudo para ganhar tudo, é dar a vida para ganhar a vida.

Pe. José Artulino Besen

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