PEDRO E PAULO E A FÉ DA IGREJA

Pedro e Paulo, colunas da Igreja de Cristo

“Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”. Assim reza o Prefácio da Missa de São Pedro e São Paulo, indicando historicamente a característica dos dois Apóstolos, colunas da Igreja de Cristo. Ambos eram judeus praticantes: Pedro, um devoto judeu da Galiléia, pescador, ligado às tradições de seu povo. Paulo, um culto judeu de Tarso, culta e rica capital da província romana da Cilícia (hoje na Turquia), formado na escola de Jerusalém: um cidadão romano e religiosamente cidadão judeu. Pedro, um devoto pescador, Paulo, um ardoroso, culto e fiel judeu.

Pedro e Paulo foram conquistados por Jesus: Pedro, às margens do lago de Tiberíades, foi um dos primeiros chamados junto com o irmão André; Paulo, após a ressurreição, no caminho para Damasco onde iria prender judeus que tinham aderido à fé cristã.

Fogoso e generoso, Pedro traiu o Senhor no momento da Paixão. Fariseu observante da Lei e defensor do Povo de Israel, Paulo queria traí-lo após a ressurreição. Ambos foram conquistados pelo mesmo amor, ambos amaram o Senhor até a morte em Roma, a grande capital do Império, entre os anos 64/67.

Pedro, pescador da Galiléia, permaneceu fiel à herança cultual e cultural de seu povo e Paulo abriu-se à missão entre todos os povos, pregando o Evangelho da liberdade frente aos costumes judeus. Pedro e Paulo continuam judeus observantes, mas judeus que aceitaram o Cristo como o Messias que veio. Pedro continua obediente às práticas mosaicas, do mesmo modo que Paulo, com a diferença que este não obrigava os pagãos convertidos a se tornarem judeus.

Paulo era pregador carismático, fundava comunidades e seguia adiante, a outros entregando sua organização e ministérios. Pedro se caracterizava pela instituição, pela presidência das comunidades de Antioquia e, depois, Roma.

Pedro simboliza a instituição, a permanência dos valores e a fidelidade à grande Tradição.

Pedro é a garantia de que a Igreja é um ramo enxertado na oliveira de Israel, confirmando a união indissolúvel entre os dois Testamentos. A Igreja e Israel são herdeiros de Abraão.

Paulo é a garantia de que a Igreja é o Israel de Deus, mas livre das tradições cultuais e morais do templo, pregando a salvação pela graça, a justificação pela fé e não pela obediência a tradições.

A cidade de Roma uniu esses dois homens na vocação final: fecundar a grande cidade com seu sangue, derramado no amor e na fidelidade.

A festa de São Pedro e São Paulo é das mais antigas do calendário litúrgico de Igreja da Roma. Já era comemorada no século IV, antes mesmo de ter início a celebração do Natal em 25 de dezembro. Três Missas eram celebradas: na Basílica de São Pedro no Vaticano, túmulo de Pedro, na Basílica de São Paulo fora dos Muros, túmulo de Paulo e na Catacumba de São Sebastião, onde por algum tempo estiveram as relíquias dos dois Apóstolos, colunas da Igreja. Com essa Festa a Igreja católica celebra o Dia do Papa.

Bento XVI reza diante do Muro das Lemantações em Jerusalém – 12-5-2009

O Papa Bento XVI – Pedro e Paulo

O nome de Bento XVI é Pedro e Paulo, é o carisma e a instituição. Sua missão é de Pedro e de Paulo: fidelidade à grande Tradição e abertura corajosa à criatividade do Espírito. Bento XVI se apresenta como “humilde trabalhador na Vinha do Senhor”. Não é um rei, um hierarca, um soberano: habita um território independente de 0,5 km2. Um pedacinho de chão, dentro da velha e gloriosa Roma, Roma de santos e de pecadores, onde, no decorrer da história, todos os vícios e virtudes encontraram uma horta cultivada, mas onde a Graça misericordiosa do Senhor sempre triunfa. Nesse pequeníssimo território de Pedro e Paulo, isto é, Bento XVI, se encontra o chão de todas as pátrias e nações, todos os povos estão aí representados, não como judeus ou romanos, mas como cristãos ou homens de boa vontade. O Vaticano é necessário para a liberdade profética da Igreja. Se nele houve abusos de poder, centralização excessiva, soberba da cultura européia, desrespeito pelos povos pobres, foi fruto do pecado, não de sua existência. Quando ofereceram ao Papa Leão XIII um território quase do tamanho de Roma para sediar, restituir o Estado Pontifício, ele não aceitou: para ele bastaria um metro, um metro onde sua voz pudesse ser ouvida livremente.

A Liturgia sempre nos retoma o caminho da vivência cristã: a Festa é de Pedro e Paulo. Nos dois últimos séculos acentuou-se mais São Pedro, e isso foi conseqüência da acentuação na organização, na autoridade visível, em prejuízo do carisma paulino e petrino, quase identificando Papa e Igreja.

A singeleza do pescador da Galiléia e a sabedoria do Doutor de Tarso representam tanto o carisma do anúncio como a necessidade de um corpo que lhe dê sustentação e difusão. Carisma sem instituição pode levar ao improviso, ao fanatismo; instituição sem carisma leva à aridez, ao apego a tradições estéreis. O carisma cria, a instituição faz o discernimento.

Até 1978 tivemos Paulo VI, um italiano; até 2005, João Paulo II, um polonês; hoje temos Bento XVI, um alemão. O caráter universal do cristianismo se impõe e Roma simboliza com mais intensidade o lar de todos os católicos e a porta aberta a todos os cristãos e homens de boa vontade.

Celebramos, com Pedro e Paulo, o Dia do Papa. Hoje, é Papa Ratzinger, um octogenário. Sua fragilidade torna forte o poder do Espírito e sua missão: amar o Senhor, amar a Igreja, conservá-la unida na fragilidade e força de Pedro e Paulo, confirmada na força de seu Senhor e na santidade do Espírito.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Manuel Negrão - Radialista em 30 de janeiro de 2012 - 22:18

    Olá boa noite, Paz e Graça! Parabéns pelo blog e pelo artigo sobre o Papa.

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