É FESTA NO CÉU E NA TERRA TAMBÉM!

A Natividade (Fra Angelico – afresco 1439-1443)

Nada melhor do que este verso para expressar o que aconteceu entre a anunciação do anjo a Maria e o batismo de Jesus no Jordão, passando por Belém e pela adoração dos Magos (cf. Lc 1-3,22). Levanta-se o véu que separava o céu da terra, o homem de Deus, a vida da morte. Tudo é canto de alegria, tudo é celebração de vida. Uma Virgem dá à luz, o anjo fala com José, os anjos cantam no céu, uma estrela guia os Magos e o próprio Deus declara que “este é meu Filho muito amado: escutai-o”.

O céu desce à terra

Quando Adão e Eva pecaram, deram início à história da morte, pois foi rompida a comunhão com Deus. O homem e a mulher foram condenados à solidão, pois vida sem Deus é solidão pura que não permite a comunicação verdadeira entre as pessoas. A morte tinha a última palavra e o tempo tornara-se duro para a vida humana: suor e dor tanto na geração da vida pelo parto quanto na geração da vida produzindo-se alimentos.

Deus não se conformou com essa decisão humana de viver sem ele, pois quer viver conosco. Eternamente tinha um plano de salvação para nós. E esse plano era fazer-nos participantes da vida divina, comungarmos da eternidade e vivermos em seu Reino. E para fazer-nos participar de sua vida, Deus decidira desde sempre que seu Filho viria ao mundo, se encarnaria, para que Deus tivesse experiência humana e a humanidade tivesse experiência divina.

Este plano amadureceu durante milhares de anos. O Espírito de Deus preparou toda a criação para a hora da encarnação.  Foi o artista que formou um povo, abriu os corações, inspirou os profetas, gerou a Palavra. Quando chegou a plenitude dos tempos, rompem-se as fronteiras entre o céu e a terra, e do céu surgem mensageiros trazendo notícias da terra para a terra, coisa nunca antes acontecida…

O anjo anuncia a Maria e a José

Deus escolheu um lugar – Nazaré, um povo – o judeu, e uma virgem – Maria. Somente os simples de coração poderiam entender a grandeza do plano divino: o Filho morar na carne. Os corações pobres e humildes crêem no mistério do amor sem limite, como é o mistério da encarnação. O anjo diz a Maria que, aceitando a vontade de Deus, ela gerará um filho, o Filho de Deus. Será grande, rei, altíssimo, por isso mesmo será pequeno, pobre e humilde. Maria acreditou no anjo, abriu sua vida à vontade de Deus e a Palavra de Deus se fez carne.

O jovem José amava Maria, era seu noivo, com ela planejava ter filhos. Acontece o imprevisível: a virgem concebe por obra do Espírito. José não entende o mistério, mas não que repudiar Maria. Recebe também a visita do anjo, crê na boa notícia por ele trazida e leva Maria para sua casa. José é último patriarca que recebe mensagens divinas em sonhos.

Anjos, Magos e Deus anunciam a presença do Filho de Deus

Era noite em Belém. Maria deu à luz seu Filho primogênito. Frio de inverno, silêncio da noite, silêncio da pobreza. De repente, brilha no céu uma luz. Anjos descem cantando e dando notícias: “Nasceu o Messias! Glória a Deus nas alturas!” Os pastores se entusiasmam com o coro celeste, cantam junto e vão à gruta. Lá encontram Maria, José e o Menino. Prostram-se por terra em adoração. Contentes, pois receberam as notícias dos anjos do céu.

Lá no Oriente, sábios acostumados a olhar as estrelas, percebem uma diferente e dispõem-se a segui-la. Crêem que os astros trazem notícias dos céus. A estrela para em Jerusalém, mas os conduz até Belém. Entram numa casa modesta: lá estão José, Maria e o Menino. Adoram a criança e lhe oferecem presentes de ouro, incenso e mirra.  O menino Jesus é rei, Deus e homem.

Vem o escondimento em Nazaré. Trinta anos de experiência humana e divina. Jesus dirige-se agora ao Jordão. Quer o batismo de João. Humildemente inclina a cabeça e é batizado. Neste momento, os céus se abrem definitivamente: em forma de pomba o Espírito Santo pousa sobre Jesus e o Pai proclama por sobre as nuvens: “Este é o meu Filho amado! Escutai-o!” Não há mais segredos entre Deus e os seres humanos!

O tempo de Natal é festa no céu e na terra. Rompem-se os muros. As notícias correm do céu para a terra e da terra para o céu. Deus faz-se íntimo do ser humano. O ser humano faz-se íntimo de Deus. Essa é a alegria eterna.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por eva maria em 2 de maio de 2011 - 17:31

    A frase mais forte que acabei de ler foi esta: “O ser humano faz-se íntimo de Deus.” Eu me pergunto: será que eu, Eva Maria, sou íntima de Deus? Mesmo procurando-O rezando, pedindo intercessão aos Anjos e Santos , eu sou íntima de Deus? Vejo-me muito distante d’Ele, pelos meus pecados, pela minha miséria da desobidiência humana que carrego nas costas dos meus antepassados, quando um dia me sinto bem no outro me vejo um fracasso. Explique-me melhor padre por favor. Uma boa noite. Fique com Deus.

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