NÓS PRECISAMOS DO AMOR DE DEUS

Daniel Lifschitz – «O Pobre»

Caríssimos, se Deus assim nos amou,
também nós nos devemos amar uns aos outros (1Jo 4,11)

O apóstolo João fora viver em Éfeso, levando consigo Maria, a mãe de Jesus. Uma tradição conta que ela morrera, tendo sido ali sepultada mas, em seguida foi glorificada no céu em corpo e alma. Outra tradição, talvez melhor fundamentada, afirma que ela retornou a Jerusalém e ali recebeu o prêmio eterno.

Velhinho, João não se cansava de repetir os ensinamentos do Mestre, de quem tinha sido o discípulo predileto. Desde a adolescência acompanhara o Senhor e na velhice compreendia sempre melhor que o centro da mensagem dele tinha sido o amor. É da tradição que o velhinho João, quase não mais conseguindo falar, repetia o tempo todo: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.

Chama a atenção seu ensinamento: Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros (1Jo 4,11). A ordem lógica seria: “Se Deus nos amou tanto, devemos amá-lo também”. Mas não: para São João, a resposta ao amor de Deus é o amor ao próximo. Deus é Amor, portanto não sente necessidade de ser amado. Ele quer, isso sim, que nós nos deixemos amar por ele, e só! Porque, sem seu amor, somos incapazes de amar e de viver.

Amor e vida são inseparáveis. O primeiro amor é voltado para nós mesmos. Diz a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mc 12,31). Quem não se ama, não ama. Quem não se aceita, não aceita os outros. Quem só vê defeito em si, acaba vendo nos outros apenas defeitos. Quem não crê em si, não crê nos outros. Quem não aceita o próprio corpo, se acha feio, não vê beleza nos amigos. As pessoas que não se amam são pessimistas: enxergam tudo pelo lado negativo. A jovem que não se ama reclama que não acha namorado. Mas, como um jovem vai gostar dela, se nem ela se suporta!?

Quanta gente definha na vida por não se amar! Arruína a sua existência, faz os outros sofrerem, perde a beleza interior e exterior, porque não se sente amada, valorizada. É um tesouro e julga ser um lixo. Não consegue amar e, por essa razão, não é amada. Pior ainda: quem não se ama, não percebe que os outros a amam e rejeita qualquer amor. Torna-se uma companhia chata, desmancha prazeres, solitária e doente. Dizem que 70% das doenças têm origem em nossa mente, nas mágoas que acumulamos, no sentimento de sermos inúteis, incompetentes, feios.

Os que se amam são seguros, otimistas, alegres, semeiam alegria, coragem. São como o mel que atrai as abelhas: onde elas estão mais gente quer se reunir. A mãe que se ama tem filhos felizes, seguros de si. O jovem que se valoriza não sente solidão. O idoso que se ama vive feliz no seu silêncio, na sabedoria que a vida lhe deu.

Para evitar esses males, o desperdício da vida, Deus quer nos comunicar seu amor. Quando o aceitamos, sentimos a beleza que nós somos, nosso próprio valor e tornamo-nos capazes de amar os outros e por eles ser amados.

Posso ter uma imagem negativa de mim, se Deus nada poupa para me amar?

Como posso não me valorizar se Deus me chama de filho?

Pe. José Artulino Besen

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