A VIDA E A MORTE NA FÉ CRISTÃ

A Palavra de Deus nos ressuscita (Centro Aletti)

“Pois se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus
pela morte de seu Filho, muito mais agora, uma vez reconciliados,
seremos salvos por sua vida” Rm 5,10).

A origem e o destino do ser humano motivam as perguntas que alguns chamam de “malditas” e das quais ninguém consegue fugir: “donde viemos? para que vivemos? para onde vamos?”. Todas as religiões e filosofias religiosas existem para explicá-las. Em nossos tempos, duas respostas encontram muita simpatia, por serem simples e aparentemente mais consoladoras: a oriental (popularizada pela Nova Era) e a espírita.

Pela explicação oriental, do Hinduísmo, é uma parte da energia cósmica (um Deus-energia) aprisionado na matéria. Vivemos para libertar esta energia e retornar ao Ser único. Não somos pessoas, mas parte de um único Ser. O Espiritismo Kardecista afirma que Deus criou um determinado número de espíritos. Os que pecaram receberam como castigo a encarnação num corpo a fim de que pudessem se purificar. No momento da morte, se não estiverem purificados, voltam a se encarnar (reencarnação), e assim sucessivamente, até atingir a purificação total e voltar para o Reino da Luz. Deste modo, eu não sou novidade na história, mas alguém que já viveu em outras vidas. Se alguém nasce com defeito físico, é porque numa outra encarnação já o tinha e não conseguira a purificação. Se outro vive poucos dias, é porque tinha pouca coisa de que se purificar. No espiritismo não existe a realidade da graça e da redenção que salva e santifica: o espírito se purifica pela prática da caridade. A vida é cumprimento de um Karma.

Sem entrar em comentários ou críticas a respeito das outras religiões, nós cristãos cremos na Palavra de Deus, cremos o que nos ensinou Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado. E esta Palavra verdadeira nos ensina que no momento da fecundação, quando um óvulo se encontra com um espermatozóide, gerando o embrião, Deus cria um espírito que nele se encarna e forma um novo ser humano, uma pessoa. Além da inclinação ao pecado – o pecado original – que o Batismo anula, não somos portadores de nenhuma responsabilidade por outras vidas: Deus nos cria no momento da fecundação.

Somos totalmente responsáveis pelos nossos atos, bons ou maus. Nascemos por um ato do amor divino e passamos a vida fazendo nossas escolhas pessoais, boas ou más, de vida ou de morte. Se crescermos no amor, caminhamos para Deus, dele nos afastando se fizermos na vida o jogo do egoísmo.

No momento da morte, as escolhas que fizemos durante a vida continuam na eternidade: se vivemos com Deus, estaremos para sempre com ele (o céu); se vivemos sem Deus, permaneceremos sem Deus (o inferno). O inferno é necessário, pois o homem, como ser livre, deve ter o direito de viver e morrer sem Deus.

E não há retorno, segunda chance, pois somos pessoas responsáveis pelos nossos atos: “Está determinado que os homens morram uma só vez” (Hb 9,27). É a Palavra de Jesus: “Os justos irão para a vida eterna e os maus para o castigo eterno” (Mt 25,46). A fé, vivida na caridade para com Deus e o próximo, nos garante, por graça divina e não por nosso merecimento, a participação na vida, morte e ressurreição de Jesus: “Se alguém crer em mim, ainda que esteja morto, viverá!” (Jo 11,25).

Não precisamos buscar novidades. Estaremos sempre na mesma situação de Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens as palavras da vida eterna!” (Jo 6,68). “Felizes os que crêem sem ter visto” (Jo 20,29).

Pe. José Artulino Besen

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