O AMOR DE DEUS POR NÓS E NOSSA RESPOSTA

Deus entregou seu Filho por cada um de nós (Centro Aletti)

“Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4, 16b). A partir da definição de Deus revelado na Bíblia – Deus é amor, sugiro três versículos fundamentais na revelação bíblica: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1); “E o Senhor Deus fez para o homem e sua mulher roupas de pele com as quais os vestiu” (Gn 3, 21); “E a Palavra de Deus se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Schelling afirmou que “Deus tem loucura pelo homem”. Por ele, faz tudo. O amor em estado puro ultrapassa fronteiras para que haja o encontro com a pessoa amada. Assim inicia a história de amor de nosso Deus revelado por Jesus Cristo: saindo de seu eterno silêncio, ele cria o céu e a terra e neles coloca o homem e a mulher. Objetivo: para amá-los, numa necessidade irrefreável de doação, entrega, convívio. O amor entre as Pessoas divinas não lhe é suficiente: quer também nos amar com amor infinito, por necessidade brotada do amor que se expande. O amor não pode ser investigado no “por que”, “para que” da ciência: a única explicação para o amor é o amor.

O amor de Deus é ciumento: Adão e Eva devem escutar somente sua voz. Fruto da liberdade inseparável do amor criativo de Deus, a mulher passa a escutar outro que não Deus: o Tentador, aquele cuja essência é não amar. A serpente insinua na mulher que Deus é fraco, ciumento das coisas e de si. E Eva passa a pensar que ela também poderia ser uma espécie de deus, esquecendo-se de que já era “como Deus”, pois criada à sua imagem e semelhança: “A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para obter conhecimento. Comeram, ela e seu marido, e seus olhos se abriram e repararam que estavam nus. Teceram para si tangas com folhas de figueira” (cf. Gn 3, 6-7).

Eva retirou os olhos de Deus e voltou-os para a árvore: de uma realidade viva – Deus – para um objeto – árvore – que não tem capacidade de gerar vida, amor, relação, comunhão. Adão e Eva se privam do tudo que já possuíam na relação com Deus para caírem na tentação desastrosa da auto-afirmação que se garante possuindo, trocaram o amor pessoal pelo amor às coisas.

Criaram a ilusão de que possuir significa realização, o que é a raiz do sofrimento na história. Transferem os atributos transcendentais do Deus vivo para uma árvore: a unidade (uma árvore), a bondade (boa de se comer), a beleza (agradável aos olhos), e a verdade (para adquirir sabedoria). É o pecado, cuja raiz é a sede de autodivinização, o ódio à graça. Aquele que era chamado à divinização pela graça, quis sozinho fazer-se Deus.

O homem e a mulher perceberam que estavam nus: afastados de Deus, tinham perdido o pudor que revela a beleza, e sentiram vergonha. Trançaram folhas de figueira para se cobrirem: a Beleza, porém, não se manifestava, pois ela é fruto do olhar contemplativo e não do olhar invasivo. O erotismo possessivo, puramente carnal, toma o lugar da Beleza, possível somente no pudor.

E Deus, o amor não amado trocado por uma árvore, o que faz? Ama, pois é próprio do amor amar sempre. Diante dos dois que estavam envergonhados, mas tomados pelo fingimento (um passa a culpa para o outro), respeita a escolha deles e os tira do paraíso, do diálogo divino-humano. Antes, porém, decide garantir que o homem e a mulher dele não se esqueçam e continuem a procurá-lo. A simbologia bíblica afirma, então, que “o Senhor Deus fez para o homem e sua mulher roupas de pele com as quais os vestiu” (Gn 3, 21; cf. 2Cor 5, 1-4). Nascia a religião e a religiosidade, a busca incontrolável plantada em cada coração humano para reatar (religar) com Deus. Ao se contemplarem, o homem e a mulher percebem essa veste carinhosamente confeccionada por Deus e saem a procurá-lo. Todas as religiões dão testemunho dessa busca, porque Deus em cada uma delas plantou a necessidade dele. Seus ritos, sacrifícios, dogmas e mitos querem reatar o diálogo paradisíaco, mas fazem gerar o medo do castigo, o que Deus não quer, pois no amor não há temor.

Na sua loucura de amor pelo ser humano, sua querida criatura, Deus escolhe um povo a quem amar, a quem manifestar sua pedagogia de reencontro e que receberia a missão de propagá-la através da história. E quando os tempos estavam maduros, “a Palavra de Deus se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Já que o homem não quis entrar em Deus, o Filho eterno decide entrar em nós. É possível amar, é possível ser amado. E, o mais importante, sabemos que existimos, pois Deus nos ama. O reencontro se dá na Palavra que se faz carne para que o ser humano novamente recupere a semelhança com Deus. Isso é obra da graça, nunca da competência humana, obra do Deus Filho que assume nossa natureza.

Pe. José Artulino Besen


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  1. #1 por wilson em 18 de março de 2012 - 03:09

    acho interessante o ensinamento

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