AJUDANDO VOCÊ A PERDOAR

William Congdon – Transfiguracão

“Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
orai pelos que vos perseguem” (Mt 5,44).

Nem todos têm facilidade em perdoar. Isso depende bastante das condições emocionais de cada um. Algumas pessoas logo conseguem esquecer a ofensa e olham para quem as ofendeu com extrema compreensão. Já outras, ficam amarguradas, com muito sofrimento emocional. Perdoam, mas sempre se recordam da ofensa. A mágoa permanece em sua vida, por muito tempo e até para sempre.

A mágoa é uma reação que não depende de nossa vontade. É como sentir alegria ou tristeza: a gente não escolhe o momento. Vem de repente. Mas, se eu perdôo de coração, fiz o necessário. O sentimento não é bom nem mau, pois não depende de nossa vontade.

Em outros casos, a ofensa desencadeia em nós um processo de ódio: gostaríamos de ver a pessoa morta, destruída. Isso acontece mais em casos de calúnia, de traição, de infidelidade conjugal. A simples lembrança da ofensa nos tira qualquer bom-humor, nos estraga o gosto pela vida. Nesses casos, é humanamente quase impossível perdoar.

A prática cristã oferece-nos algumas pistas para perdoar. É um exercício, talvez lento, mas que nos ajuda muito. Em primeiro lugar, situar a ofensa no seu contexto e deixá-la no tamanho exato, sem exagerar. Os sentimentos têm a tendência de nos fazer aumentar o problema, exagerar-lhe as proporções. Em segundo lugar, pensar bem da pessoa: se antes era tão boa, será que agora se tornou completamente má? Se merecia minha confiança é porque tinha muito valor, muitas qualidades. Perdeu todas?

Em terceiro, raciocinar: será que ela realmente queria me ofender? Foi uma atitude consciente ou algo que escapou, fruto da fraqueza humana? Quem é que está livre de uma queda? No meio de tudo, não está havendo clima de intriga da parte de terceiros? Geralmente escutamos críticas a nosso respeito de pessoas que dizem ter ouvido dizer, fulano contou que sicrano disse, e assim por diante, esticando o fio do novelo…

Se ainda assim fica quase impossível o perdão, assumir duas atitudes de fé. Primeiramente, rezar pela pessoa, pedir a Deus que a proteja, a faça muito feliz. A oração pelo inimigo faz-nos vê-lo com outros olhos. Se me fez sofrer, quero que não sofra. Depois, pedir a Jesus que visite a pessoa e a perdoe em nosso lugar. Que Jesus lhe faça o que não conseguimos fazer. E invocar novas energias espirituais. Perdoar é um gesto divino: somente com a graça seremos capazes de perdoar de coração.

Por último: não vale a pena odiar. O odiado não sofre com nosso rancor. Nós é que sofremos. Às vezes ele nem sabe que o estamos odiando. Sempre que guardamos a raiva, estamos perdendo a paz interior. E, se Deus perdoa, não é luxo negar o perdão!?

Pe. José Artulino Besen

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