O REINO DOS CÉUS – DEUS E O HOMEM SE PROCURAM

Disse Jesus: o Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, ele vai, vende todos os bens e compra aquela pérola (Mt 13, 44-45).

O Reino dos Céus é um modo de relacionamento com Deus, um modo de relacionamento com Jesus que nos faz viver com ele e como ele.

Deve ser procurado. É oferecido, com certeza, mas para quem o busca. Como o alimento que está à mesa: a fome só é saciada se me aproximo dela.

O homem sai à procura de uma pérola preciosa

Assim o Reino dos Céus. O homem que não está satisfeito com sua vidinha pacata, com seu coração fechado em si mesmo, com relacionamentos interesseiros e superficiais, cheio de amor próprio, ressentimentos, que vive investindo no aparecer, num momento de inspiração se lembra de que é gente e, mais ainda, gente que deve ser pessoa. E pessoa só é possível existir quando há relacionamentos verdadeiros, respeitosos.

Esse homem irrequieto sai à procura de vida. Anda por caminhos equivocados, deixa-se enganar por miragens, facilmente é seduzido. Às vezes pensa ter encontrado Deus, mas foi apenas um deus à sua imagem egoísta. Prossegue sua busca: exulta, pois encontrou a religião verdadeira, mas não era nada disso, era apenas recheio terapêutico para seus vazios.

Prossegue, pois leva a sério sua busca. Vem o cansaço, mas a busca pela vida o ultrapassa. Surge uma sedutora tentação: sua vida está mais do que boa, ele é bom o suficiente, todos o dizem. Mas não é. Não quer parar no meio do caminho, pois será pior, terá sabor de derrota. Quer levar a vida a sério, quer encontrar um tesouro pelo qual tudo possa trocar.

E encontra. Sem esperar. Procurava pérolas preciosas e encontra uma de grande valor. O que encontrou vale mais do que tudo o que tem. Resolve realizar o investimento. Procura o dono da pérola, o preço é alto, não tem importância, desfaz-se de seus bens, consegue o montante e compra a pérola tão procurada. Por ela entregou tudo.

Secretamente, à noite, contempla o tesouro encontrado. Misteriosamente a pérola penetra seu peito e aninha-se em seu coração. Sua vida torna-se preciosa, cofre de um tesouro. Ninguém percebe a riqueza que carrega, mas percebem todos que ele mudou: sua face resplandece de alegria, tem o brilho de quem encontrou a fonte da luz.

O tesouro é Deus, seu valor está na amizade que oferece: ele e Deus são agora amigos de caminho. Deus não resolve seus problemas, que continuam, mas está do seu lado, como amigo.

Valeu a pena desfazer-se de pequenas riquezas para possuir a riqueza, de tesouros pouco valiosos para estar de posse do Tesouro: Deus.

Deus sai à procura de uma pérola preciosa

Sentiu Deus a falta de uma pérola preciosa, de valor superior ao de tudo o mais que tinha criado. Era um filho seu perdido pelos espaços do mundo, seduzido pelos vazios oferecidos. Seu Pai não o interessava mais. Não é por isso, pensou Deus: não é para ser amado que dele sinto falta. O que doía era sabê-lo perdido e vivendo na angústia que considerava o modo normal de viver.

Deus tudo deixa para encontrá-lo. Quando o acha, percebe-o indiferente, e o Pai desinteressante. Deixa claro que não sente falta de nada, muito menos de ser procurado por alguém. A vida é isso mesmo, quem não se mexe nada alcança.

Deus se aproxima dele e fala-lhe aos ouvidos. Fala-lhe ao coração. Oferece-lhe tudo. Diz o quanto sente sua falta e que há muito o procura. O filho diz que não vale tanto assim, e que seu preço é ser ele mesmo. Então o Pai lhe mostra o Filho chagado, crucificado, morto e declara: “ofereço a vida de meu Filho por sua vida! Ele e tudo o que é dele serão seus”. Não convence. Por fim, mostra-lhe o Filho ressuscitado: “Ele morreu por você e lhe oferece a vitória sobre a morte, a ressurreição”.

A palavra “ressurreição” mexeu com o filho: a vida não acaba, alguém a garantiu por ele. Tem início sua transformação do interior ao perceber o amor com que é amado, que a vida sem amor não é vida, e que amor lhe é oferecido.

Tempos depois, cedeu totalmente e Deus recebia a pérola preciosa. E escutou o Filho chamando-o: Vinde, bendito de meu Pai! Fora conquistado pelo amor.

Pe. José Artulino Besen

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