SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE

São Maximiliano Maria Kolbe

Uma luz no meio das trevas

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13)

No dia 14 de agosto de 1941 morria Maximiliano Kolbe no campo de concentração de Auschwitz, Alemanha (hoje Polônia). Nasceu em 1894 e foi ordenado padre na Ordem dos Franciscanos Conventuais. Ele foi um sinal de luz no meio da maior atrocidade de que foi capaz o homem e seu sistema político do século XX, o nazismo alemão, contraditoriamente século da ciência e século da morte.

Desde 1933 a Alemanha vivia nas trevas do Nazismo de Hitler e, desde 1939, no terror da Segunda Guerra mundial. O mundo conheceu muitos regimes ditatoriais, conheceu crueldades sem limites. Mas não tinha conhecido ainda um regime que colocara em seu programa a eliminação física dos velhos, dos doentes incuráveis, dos homossexuais, dos ciganos, dos portadores de deficiências físicas e mentais. E, coisa desconhecida na história humana, a eliminação programada de uma raça, a dos judeus. Esqueceu‑se que, espiritualmente, todos somos judeus, pois judeus são Jesus Cristo, Maria, os Apóstolos. O mundo não conhecera a indústria da morte, representada pelos campos de concentração e pelas câmaras de gás. A própria ciência foi colocada a serviço da morte. Poucos anos depois, em 1945, explodem duas bombas atômicas no Japão. O século do progresso afogou‑se nas trevas.

No campo de concentração de Auschwitz estava o Pe. Maximiliano Kolbe. Grande devoto de Maria, tinha fundado a associação religiosa dos Cavaleiros da Imaculada. Através da imprensa, divulgara a devoção à Mãe de Deus na Ásia, na América e na Europa. Homem do amor, da reconciliação, acabara preso no meio de tantos judeus e poloneses.

Certo dia, alguns presos se revoltaram e mataram um guarda alemão. A repressão foi violenta. Exigiu‑se que o responsável pela morte se apresentasse. Isso não acontecendo, realizou‑se um sorteio, para ver quem seria morto. A sorte recaiu sobre um pai de numerosa família. “Senhor”, lamenta ele, tenho filhos para criar. Com minha morte, quem cuidará deles?”

Neste momento, pulsa em Maximiliano o amor sem limites, e se apresenta: “Comandante, sou padre, não tenho família. Aceito morrer no lugar dele!”. A oferta foi aceita. O Pe. Kolbe foi trancafiado num cubículo escuro, onde deveria morrer de fome e sede. Duas semanas depois continuava vivo. Aplicaram‑lhe, então, uma injeção de ácido carbólico, e Maximiliano entregou a alma a Deus. Depois foi encontrado morto, ainda apoiado no muro, com o rosto radiante e com os olhos abertos e concentrados num ponto: “Toda a sua figura estava como em êxtase”, declarou João Paulo II.

Seu gesto heróico é uma luz que resplandece naquele século de ódio. Quando se matava por motivos políticos e religiosos, um homem aceitou morrer para que outro pudesse viver, para que a vida triunfasse. Ele queria ser santo. Quando jovem, em 1920, tinha escrito: “Devo tornar-me santo, o maior possível”.

Hoje é São Maximiliano Kolbe, o Cavaleiro da Imaculada e do Amor, celebrado no dia 14 de agosto. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 10 de Outubro de 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, o homem cujo lugar tomou e que sobreviveu aos horrores de Auschwitz.

Pe. José Artulino Besen

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