QUEM COMER DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE

Todos são convidados à Ceia – Juan Cordero

«Tomai todos e comei:
isto é o meu corpo que é dado por vós»
(1Cor 11,23-29).

Para entendermos o mistério da Eucaristia, precisamos nos situar no momento de sua instituição, pois assim podemos captar ao menos uma migalha do que ela encerra de amor, emoção, doação. Foi na última Ceia, na Quinta-feira santa. Pela última vez, Jesus estava reunido com seus apóstolos. Sabia que o fim estava próximo. Judas já o tinha traído. Mesmo assim estava convidado para a mesa. A prisão era só questão de tempo.

Quis cear com seus amigos. Não há ambiente mais familiar e amigo do que reunir-se em torno de uma mesa para cear. Quando pensamos em família, a imagem que mais nos vem à mente é a de pais e filhos ao redor de uma mesa, conversando, discutindo, brincando, recordando, passando os problemas a limpo, celebrando vitórias. Junto com a refeição, sobre a mesa se encontra o coração de cada conviva.

Ao redor de uma mesa Jesus reuniu seus amigos. Para conversar, comer, dizer suas últimas palavras, praticar os últimos gestos. Ele, o Mestre, tomou bacia e água e foi lavar os pés de cada um, coisa que só escravo ou empregado faria. Jesus quis mostrar que, na sua família, a grandeza de alguém não se mede pela riqueza, pelos títulos ou posições, mas pela capacidade de fazer-se pequeno, servo (cf. Jo 13,1-11).

Depois, todos se serviram do cordeiro, do pão, das ervas amargas, do vinho. Ceia que comemorava a libertação dos judeus do Egito (cf Ex 12,1-28) e a despedida dele, o Senhor.

Jesus tinha claro que seus discípulos não poderiam ficar sós. A caminhada da fé e da vida exigiria um alimento especial. Quem poderia alimentá-los e dar-lhes a garantia de sua presença constante? Ele, somente ele! Então tomou o pão, partiu-o e disse: Tomai todos e comei: isto é o meu corpo que é dado por vós. Em seguida tomou o cálice com vinho: Tomai todos e bebei: este é o cálice da nova aliança em meu sangue (1Cor 11,23-29). E concluiu: Fazei isto em memória de mim.

Foi a primeira Missa do mundo: cada vez que se reparte o pão e se oferece o vinho consagrados, se está fazendo memória da mesma Ceia daquela quinta-feira, o mesmo Senhor Jesus se reúne com seus discípulos, ensina-lhes o mandamento do amor e dá-lhes seu corpo e sangue por alimento e bebida.

Jesus instituiu a Eucaristia para que não fiquemos sós, desprotegidos, desanimados. Somente com ele recebemos a seiva da vida plena, podemos brotar e dar frutos (cf. Jo 15,1-5). Jesus quer continuar conosco e pede que queiramos sua presença amiga, salvadora. Seu Corpo dado a nós em alimento é remissão dos pecados, é recriação da fraternidade e dar existência e consistência à Igreja.

Há muito cristão fraco, anêmico, egoísta, por falta deste alimento. Jesus nada criou de supérfluo: não aproximar-se da Eucaristia é cair na solidão da fé, é perder o gosto pela mesa ao redor da qual se reúne a família dele. A Eucaristia faz com que nos sintamos membros de uma comunidade e nos alimenta para o serviço fraterno. Recebê-la é aceitar a oferta que Jesus nos faz de si mesmo, é crescermos e caminharmos tendo ele como alimento. Somente ele é o pão que sacia nossa fome de vida, de infinito.

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