O PATRIARCA SÃO JOSÉ

Jacó gerou José, esposo de Maria,
da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo (Mt 1,16).

São José medita as Escrituras Sagradas – Gerrit van Honthorst – 1619-20 ca

Celebrado em 19 de março, São José foi o último patriarca da antiga Aliança. Germinando no Antigo Testamento, cresceu no Novo. Patriarcas foram os homens a quem Deus se revelou em sonhos. E José, por três vezes, teve essas revelações: na gravidez de Maria (Mt 1,19-24), na fuga para o Egito (Mt 2,13-14) e no retorno a Nazaré (Mt 2,22).

Jovem, pensando em casamento, em oferecer filhos aos povo de Israel, entre tantas moças de Nazaré, elegeu para si Maria, Virgem concebida sem pecado. Homem privilegiado, levou para sua casa Maria, a mais bela entre todas as mulheres. Quantas vezes não se quedou em êxtase contemplando essa mulher única que gerou o próprio Jesus, o Senhor do mundo! Na sua humildade, aceitou ser o pai de criação dele. Um gesto generoso numa sociedade patriarcal como a judia.

A Bíblia não nos transmite nenhuma palavra de José, nem uma exclamação sequer. O Patriarca do silêncio! Silenciosamente levou Maria para sua casa, em silêncio viajou até Belém, onde ajudou no nascimento de Jesus. Oito dias depois, ouvindo a esposa, dá ao menino o nome de “Jesus”, que significa “Deus salva”. Na sua humildade, recebe a visita dos Reis magos que, do Oriente, vieram adorar e render homenagens à criança recém-nascida.

No devido tempo, junto com Maria leva a criança ao Templo de Jerusalém para apresentá-la ao Senhor. Em silêncio escuta a profetiza Ana, as profecias do velho Simeão que, cheio de alegria, afirmou que já podia morrer em paz, pois seus olhos tinham visto o Salvador (Lc 2,21-38). Diz Lucas que José e Maria escutavam em silêncio as coisas que se falavam do Menino. Tão humildes e pobres, não podiam entender o que estava acontecendo.

O caminho da cruz teve início cedo: roído pelo medo de que Jesus fosse seu concorrente, Herodes mandou matá-lo. Um rei com medo de uma criança pobre! Em plena noite, a família de Nazaré foge para o Egito. Largando tudo, a viagem difícil para uma terra estranha, para o desterro.

Passado o perigo, retornou com a família para Nazaré, onde garantiu o sustento de Maria e de Jesus. Pai feliz, viu o menino crescer em sabedoria e graça. Todos os anos iam em peregrinação a Jerusalém, para a festa da Páscoa. A alegria da viagem, da festa, a preocupação com a criança. Apesar de todos os cuidados, o menino se extraviou da comitiva. Tinha 12 anos. Com preocupação o procuraram em todos os grupos. Nada. O jeito foi voltar à Capital. E, surpresa, Jesus estava no Templo e, mais ainda, discutia com velhos doutores. Maria fala, José cala. Certamente levou um susto quando o adolescente declarou que deve ocupar-se das coisas de seu Pai (Lc 2,41-52). Não era ele o pai!? José não fala. Guarda tudo no silêncio do seu coração.

José e o Menino – Dony Macmanus

Depois, a vida pacata em Nazaré: trabalhos na oficina, alguma plantação, o cuidado da Família. Nada mais se comenta de José. Mergulha no silêncio do mistério de Deus que se revela no Jesus que tinha visto nascer, crescer, tornar-se homem. O crescimento da Salvação da história acontece na solidão de Nazaré.

Quando tudo terminou na dor da Cruz, lá não estava mais José. Jesus entrega sua Mãe a João. Se José estivesse vivo, não a confiaria a um estranho. Com pouco mais de 50 anos, José morre nos braços do Filho e amparado pela esposa. Quanta felicidade a desse homem, fechar os olhos entre o Filho de Deus e a Mãe de Deus! Morre o último Patriarca do Antigo Testamento, deixando como testamento pessoal a colaboração eficaz e insubstituível de ter sido o pai adotivo do Senhor dos senhores e esposo da Rainha de todas as rainhas, Jesus e Maria.

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  1. #1 por Roberto em 19 de março de 2010 - 22:15

    Pe.Jose
    Obrigado, mais uma vez, por nos escrever estes artigos ,tão sabios e cheio da graça de Deus.
    Nunca deixe de faze-los, bela doutrina, leio todos, sempre.
    Paz e Bem
    Roberto

  2. #2 por FAGNER em 20 de março de 2010 - 08:53

    Padre. Já faz um bom tempo que venho bebendo nesta fonte de bela reflexões que o Espírito , por seu intemédio nos presenteia. Que Deus continue o cumulando de muita sabedoria e docilidade à sua voz, a fim de continuar nos instruindo e formando nas coisas de Deus.
    Sua benção, Fagner.

  3. #3 por Maria Candida Pereira em 17 de agosto de 2011 - 22:07

    Sou devotíssima desta Sacratíssima Família.
    Sempre deixo uma rosa e uma luzinha acesa no meu oratorio.
    AMO-VOS, de todo o meu coração.
    BENDITO SEJA DEUS, O CLEMENTE O MISERICORDIOSO.
    Não estamos sós.

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