O BATISMO CRISTÃO

 O que dizem e fazem as igrejas?

Pia Batismal na Sé Catedral de Salvador - Bahia

Pia Batismal na Sé Catedral de Salvador – Bahia

O batismo cristão (do grego baptízein – submergir, mergulhar, lavar) é o primeiro dos sacramentos, que são sinais da ação divina, de salvação. Através dele se recebe a regeneração, recriação: o que o pecado corrompeu, o batismo renova.

O batismo de João Batista era um batismo que expressava o arrependimento pelos pecados, a decisão por uma vida nova (Marcos 1,4). Primeiramente João denunciava os pecados dos que dele se aproximavam e depois os batizava no rio Jordão. Quando Jesus se aproxima para ser batizado, não o faz por necessidade, mas por solidariedade: naquele instante ele assumia sobre si todos os pecados da humanidade. E naquela hora, com a revelação da Santíssima Trindade (o Pai que fala, o Espírito que surge em forma de pomba e o Filho que recebe o batismo) revela-se igualmente o batismo cristão: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Marcos 1, 9-11).

O batismo de João era na água: o batismo cristão é na água e no Espírito Santo, realiza transformação interior (Atos 19,1). O evangelho de Mateus traz as palavras desse sacramento ordenado por Cristo: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28,19). Algumas Igrejas batizam “em nome do Senhor Jesus”, mas com o sentido de realizarem um ato sacramental segundo as palavras de Jesus. Em muitos casos, as Igrejas históricas aceitam essa forma batismal como válida.

O batismo cristão está indissoluvelmente ligado à Morte e Ressurreição do Senhor: através de seu sacrifício por nós, Cristo nos deu a salvação como dom, graça.

Ligado a esse tema, o Apóstolo Paulo compara o batismo com a sepultura: somos sepultados com Cristo e com ele ressuscitamos. Simbolicamente a pessoa entra pecadora na pia batismal e dela sai santa, renovada, pelo poder do Espírito (cf. Romanos 6, 4-7).

Quando e como batizar

No início do Cristianismo o batismo era ministrado aos adultos após um tempo de preparação, de mudança de vida denominado catecumenato. Isso se entende, pois não havia famílias cristãs. Mas, já no século II há o batismo de crianças: como a família era cristã e garantia a educação cristã da criança, via-se o batismo como uma graça especial no início da existência. Até hoje há essa distinção: nos países de missão, o batismo só é ministrado após o anúncio do Evangelho e da conversão. Nas famílias cristãs, se batizam as crianças, pois supõe-se que os pais e padrinhos lhes darão educação cristã.

No final da Idade Média e com a Reforma de João Calvino em Genebra no século XVI, não se aceita o batismo de crianças na Igreja reformada/calvinista: seguindo Mateus 28, 18-20, o batismo é ministrado após intensa evangelização, mudança de vida, aceitação consciente da fé cristã. Normalmente acontece após os 15 anos. É a prática das Igrejas reformadas, presbiterianas, batistas, adventistas e pentecostais.

As Igrejas católicas, ortodoxas, anglicanas e protestantes adotam os dois modos: para as famílias cristãs se admite o batismo da criança.

Na mesma época das Reformas protestante e calvinista surgiu outra prática: o re-batismo. Contrariando toda a tradição cristã que afirma um único batismo, se batizava novamente quem tinha sido batizado na infância. São os anabatistas: batistas e pentecostais. Se um católico ingressar na Igreja batista será novamente batizado. Mas se um batista ingressar na Igreja católica, seu batismo é considerado válido.

O diálogo ecumênico já estabeleceu acordos de reconhecimento mútuo do batismo entre os católicos, protestantes, anglicanos, ortodoxos.

Nas Igrejas pentecostais (como a Assembléia de Deus) e neo-pentecostais (Renascer em Cristo, Universal do Reino de Deus), o batismo perde o caráter de ser único e é repetido cada vez que a pessoa adere a outra Igreja, ou mesmo quando retorna à Igreja após um tempo de abandono. Ali o batismo significa mais uma cerimônia de aceitação, ingresso  e menos o sacramento da regeneração interior. A prática cristã tradicional explica que o batismo traz a regeneração interior definitiva da pessoa e que, por ocasião do pecado, a graça é renovada pelo arrependimento e pedido de perdão (confissão, penitência, reconciliação).

O modo do batismo supõe a água e as palavras “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Isso quer dizer que as Igrejas históricas consideram batismo verdadeiro aquele em nome do Deus Uno e Trino. Como as Igrejas das Testemunhas de Jeová e dos Mórmons não aceitam a Santíssima Trindade, seu batismo não é considerado válido pelas outras Igrejas cristãs.

O batismo pode ser por imersão (mergulho do batizando na água de uma fonte, rio, piscina) ou por aspersão (derramando água na fronte). As duas formas são consideradas válidas porque se servem do elemento água.

E os que morrem sem o batismo?

Jesus afirma que “quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado” (Marcos 16,16) . E como ficam as crianças que morrem antes do batismo? E os adultos que se preparavam para o batismo, mas foram vítimas de perseguição ou morte repentina? Na Idade Média surgiu a explicação do Limbo, um lugar feliz e sereno para onde iriam essas pessoas que não podiam contemplar a glória de Deus por não serem batizadas. O Limbo nunca foi doutrina oficial da Igreja: foi uma explicação piedosa e confortadora.

As Igrejas apresentam três formas de batismo: a ordinária (na água e no Espírito Santo), o batismo de desejo e o batismo de sangue. O batismo de desejo se aplica à família que iria batizar o filho, mas não pôde fazê-lo por morte repentina ou aborto espontâneo. O desejo do batismo equivale ao batismo. Também se aplica ao adulto vítima de morte repentina O batismo de sangue: quando um adulto ou criança se prepara para o batismo mas é morto por causa de sua fé, sofre o martírio antes do batismo, é lavado pelo próprio sangue derramado em nome do Senhor Jesus.

O batismo no Espírito Santo (Atos 1,5; 11,16), atualmente muito fomentado nos movimentos pentecostais e carismáticos, não tem o sentido do batismo propriamente dito, mas simboliza uma renovação na graça da fé e do amor por obra do Espírito.

Houve na história um costume não reconhecido: o batismo pelos mortos. Batizar um vivo em lugar de alguém que morreu sem ser batizado. A Igreja dos Mórmons aceita e pratica essa doutrina, estendida inclusive a todos os mortos, mesmo aos que não queriam ser cristãos. Parece indicar um costume na Igreja de Corinto e tem uma única citação: 1Coríntios 15,29. Mas, as três formas de batismo acima citadas são consideradas suficientes para esses casos.

Igreja de tradição ou Igreja de convicção

Hoje se fala muito em qualidade versus quantidade, tradição versus convicção. São desafios lançados às Igrejas: como alimentar a vida de fé dos que foram incorporados a Cristo pelo batismo e fazem parte do Povo de Deus? A resposta não pode negar a grande graça representada pelo batismo: a semente da graça num dia germina e a comunidade tem um papel muito sério nesse crescimento.

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  1. #1 por Sandro Everaldo Avi em 30 de setembro de 2009 - 10:26

    Pe. José, gosto muito de ler sobre as matérias que o Senhor dispõe no seu blog. Aprecio muito sua sabedoria e sobriedade nos vários temas, principalmente sobre nossos irmãos, cristãos protestantes. Que o Espirito Santo de Deus continue lhe iluminando. Parabéns!

  2. #2 por Pedro em 8 de novembro de 2009 - 20:04

    Gostei do sait.

  3. #3 por Erineu Rodrigues de Paula em 7 de fevereiro de 2010 - 20:54

    Pe. José, é com alegria que venho lhe agradecer pelas informaçõoes sobre o Batismo. Se for possível, mande-me por e-mail mais informações sobre o batismo e a importância da familia com os batizados. Que a graça de Deus lhe abençoe.

  4. #4 por Edinez Silva Souza em 16 de outubro de 2011 - 21:54

    Muito legal Padre José Artulino, será de grande importãncia essa materia sobre o batismo, é para a minha irmã que faz parte da Pastoral do Batismo, Que Deus nós abençõe. Eu gostaria de receber materia sobre o Artigo 11º do Credo.

  5. #5 por lenira santos em 5 de março de 2012 - 11:11

    Ola Pe. Gostei muito da explicação sobre o batismo. Mas gostaria de saber se batismo em casa por pessoas (que não seja padre) pode se considerar batismo?

    • #6 por Pe. José Artulino Besen em 5 de março de 2012 - 14:08

      Lenira:
      há três condições para que o batismo seja considerado válido nas Igrejas históricas: 1) o uso da água, 2) derramar a água dizendo “N. eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, 3) e com a intenção de batizar na fé da Igreja. Com essas três condições o batismo é válido mesmo que ministrado em casa, por um não cristão, por um leigo.
      A graça batismal depende do Espírito Santo, não do local ou da qualificação do ministro.
      Saudações,
      Pe. José

  6. #7 por José Campos em 9 de março de 2012 - 16:04

    Caro Sr Padre José: Gostei muito de ler este seu blog e suas interessantes explicações sobre o Baptismo. Gostaria de saber se em Portugal, durante a idade média, aí pelos anos 1400-1500, era costume geral baptizar as crianças no seu dia de nascimento, ou no dia seguinte ao do nascimento? Obrigado, desde já, pela sua explicação. José Campos, Setúbal, Portugal

  7. #8 por José Artulino Besen em 10 de março de 2012 - 15:21

    José, boa tarde.
    Grato pela leitura dos textos.
    Quanto ao Batismo no dia do nascimento ou no dia seguinte, especificamente em Portugal, posso dizer que era um costume geral em toda a Europa medieval. Além do motivo de fazer coincidir o nascimento físico com o espiritual havia, no período, um grande receio de que a criança viesse a falecer, o que não era raro, dadas as frágeis condições sanitárias. Além do mais, as paróquias eram pequenas e o padre atendia batizados a qualquer hora.
    Saudações,
    Pe. José

  8. #9 por lcuiano em 19 de fevereiro de 2013 - 10:33

    As igreja reformadas nunca rejeitaram o batismo infantil. Calvino defendeu com unhas e dentes o batismo infantil contra os anabatistas que costumavam rebatizar

  1. Time de Cristo
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