QUEM NÃO TEM TEMPO, TEM UM TEMPINHO

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Maria servindo nas Bodas de Caná – mosaico do Centro Aletti.

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer” (Ecl 3,1‑2).

Impressionante o modo como muitas pessoas gastam seu tempo: realmente o gastam, pois trabalham muito para quase nada produzir. Ou, pior ainda, pensam que trabalham, mas se ocupam para terem a impressão de que são úteis. Fazem mil coisas ao mesmo tempo, custando a terminar alguma coisa. Utilizam dois “truques”: trabalhar ligeiro para mostrar que são muito ocupadas, ou trabalhar devagar, para ocupar o tempo. Nos dois casos, estão sempre cansadas. E se sentem mais cansadas ainda ao ver que as coisas não andam, não rendem. Tudo está sempre por fazer.

Acusam os outros de não as ajudarem, de não fazerem nada, de perderem tempo. Passam a imagem de que só elas trabalham, que todas as ocupações estão sob sua responsabilidade, que os outros não as valorizam.

Normalmente isso acontece com quem vive de muita ação e pouco pensamento, de muito barulho e pouco silêncio. Uma paradinha para reflexão, para planejamento, produziria urna vida mais saudável e um trabalho mais compensador. Um pouco de humildade também faria muito bem: perceberiam que os outros também trabalham, mas de modo diferente, mais compensador. A diferença é que uma é escrava do trabalho, e a outra, dona do trabalho.

Essas pessoas sofrem, porque vão se isolando: não têm mais tempo para escutar, para sentir a vida das pessoas que as rodeiam. Como não valorizam os outros, acabam não sendo reconhecidas. No fundo, seu muito trabalhar esconde uma busca de compensação, de valorização. É a solidão disfarçada no ativismo.

Também há o caso das pessoas que pensam que trabalham, mas são ociosas, preguiçosas, egoístas. Sempre arrumam a desculpa de grandes ocupações para não precisarem ajudar a ninguém. Diz a sabedoria popular que “se queremos um favor, procuremos alguém muito ocupado, que sempre terá um tempinho”. Quem realmente é muito ocupado, sabe da importância de ajudar os outros. Tem prazer em ajudar.

Percebemos isso nos trabalhos comunitários: a mãe mais ocupada, com mais trabalhos domésticos, estará sempre disponível para a comunidade. Sabe compartilhar o tempo e o trabalho. Por isso mesmo, dificilmente demonstrará cansaço, pois faz tudo com generosidade. E generosidade não cansa. O que cansa é trabalhar para se exibir, para mostrar serviço. Os ocupados ajudam silenciosamente; os falsamente ocupados ajudam com alarde, fazendo propaganda de si mesmos.

E não esquecer: conversar, rezar, ler, se divertir, ouvir, visitar, também é ocupar o tempo. E muito bem, pois abastece o coração, tempera as energias, nos traz o sentimento de não estarmos sós. Há um tempo para cada coisa. Não achar que somos insubstituíveis, pois num dia morreremos, a o mundo continuará!

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  1. #1 por Nelson da Dalva em 24 de julho de 2009 - 19:20

    Pe. José Artulino Besen

    Suas mensagens são diferentes. Não são daquelas ditas de “auto-ajuda”, nem muito menos daquelas que pregam um “otimismo seco, de tom milagroso”, mas sempre são mensagens com “raiz forte e fertilizadora” no campo da fragilidade humana. Quem as aproveitam, sofre as vezes pela dureza da verdade constatada, mas se fortalece e se modifica como pessoa humana – Filhos de Deus. Muito obrigado pela contribuição dada ao Povo de Deus, que está a caminhar e, muitas vezes, a se desviar do rumo certo. Abraço fraterno. Nelson Abrão

  2. #2 por Clara Maria Miranda de Sousa em 7 de agosto de 2009 - 01:27

    Caro Pe. José, na nossa sociedade atual as pessoas, não tem tempo nem sequer para elas mesmas. O grande desafio da Igreja hoje é conseguir conciliar o tempo de todos os membros dos vários grupos e organizações. Isso é preocupante, pois, precisamos driblar muitas vezes as nossas vontades para fazer a vontade do Bom Mestre. Concordo na sua colocação “Quem realmente é muito ocupado, sabe da importância de ajudar os outros. Tem prazer em ajudar”. As pessoas que almejam ajudar conseguem sim, um tempinho precioso para ajudar os outros.
    Este texto vou levar para a reflexão em alguns grupos que eu participo! Continue com essa determinação de partilhar o que sabe!
    Abraço amigo!
    Clara (noviça das Irmãs da Fraternidade Esperança – Santana do Sobrado – BA)

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