A CARIDADE, DOM DE DEUS

O Lavapés: mosaico na capela Redemptoris Mater - Roma

O Mestre e Senhor lava os pés de Pedro (Vaticano, Capela Redemptoris Mater)

 “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25,40)

São Vicente de Paulo (1581‑1660), moço ambicioso, ficou padre aos 19 anos com o único intuito de fazer carreira: naquela época, ser padre oferecia condições para subir na vida. Vicente achava que seria feliz recolhendo para si, ganhando fama e poder. Mas logo descobriu que a felicidade se conquista espalhando, repartindo. O amor de Deus o tocou e ele, durante quase 60 anos, dedicou‑se exclusivamente à pregação do amor de Deus e à caridade para com todos os pobres. Ficou conhecido como o “Apóstolo da Caridade”. Nele confiando, o povo afluía com muitas doações e se comentava em Paris que seu sofre tinha mais dinheiro que mo cofre real.

Nenhum sacrifício era demais para que algum sofredor pudesse ser amparado. É modelo e protetor daqueles que se dedicam aos órfãos, viúvas, peregrinos e desamparados.

O Cristianismo trouxe essa revolução para a humanidade: a fé em Deus só é verdadeira se tiver como contrapartida a misericórdia, a caridade.

“Deus é amor” (1Jo 4,16). Qualquer gesto de caridade, por menor que seja, é oferecer Deus ao irmão carente. Naquele pedaço de pão que repartimos com o faminto que bate à nossa porta, estamos oferecendo o próprio Deus‑amor. E aquele que recebe o pedaço de pão, recebe o próprio Jesus, que disse: “Tudo o que fizerdes aos mais pequeninos, é a mim que o fazeis” (Mt 25,40). Não há outra possibilidade de manifestarmos concretamente a nossa fé, a não ser pela caridade. Neste ponto, a esmola adquire toda a sua grandiosidade: através dela oferecemos o amor de Deus ao próprio Deus!

A Eucaristia, em que Jesus se oferece como pão para todos, é o grande momento da caridade divina: pobre ou rico, santo ou pecador, poderoso ou servo, todos podem participar do Pão divino! Venham todos para a Mesa, convida o Senhor, convida o cristão.

A caridade não é apenas pão e água: é a visita ao doente, ao idoso desamparado, o carinho para com as crianças, a visita ao prisioneiro, a acolhida ao peregrino, a palavra de conforto ao sofredor, a compreensão pelos jovens em dificuldade, a não condenação aos que erram, o não ter preconceito racial, etc.

A caridade é também a busca concreta da justiça, a indignação perante a corrupção, a defesa dos oprimidos, a participação nos movimentos populares, sindicatos, associações de bairro, a participação política, a luta pela implantação de uma sociedade solidária e fraterna.

Depois de Jesus Cristo, somente é possível amar a Deus amando‑se o irmão que está ao nosso lado. A Deus nós não vemos, mas vemos o irmão em quem habita Deus. Acreditamos no Deus‑amor semeando o amor: “se a fé não tiver obras, é morta” (Tg 2,17).

E não esqueçamos essa outra verdade: não podemos dar como esmola aquilo que roubamos de nosso próximo, especialmente do salário do trabalhador: “A esmola daquele que sacrifica um bem, mal adquirido, é maculada… Quem tira ao homem o fruto de seu trabalho, é como um assassino de seu próximo” (Eclo 34, 21 e 26). Não podemos aumentar a qualidade de nossa vida às custas da fome do trabalhador. Grande caridade é a prática da justiça, que faz com que mais gente tenha vida. Amemos a Deus através do amor aos pobres.

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