AMAR AS PESSOAS DIFERENTES DE NÓS

 

Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá

 

«Todo o que recebe a um destes pequeninos em meu nome,
a mim é que recebe»
(Mc 9, 37).

Pode-se medir a maturidade de uma sociedade pelo cuidado que ela dispensa aos idosos, crianças e excepcionais, seus membros mais desprotegidos. Idosos desamparados, menores abandonados e excepcionais desassistidos são atestado de atraso social e desumanidade pessoal.

Nosso mundo, entusiasmado pela técnica, pelo trabalho, pela produção, costuma medir a qualidade e valor das pessoas por aquilo que podem produzir. Assim, quem não trabalha, é um peso social, uma peça que emperra a engrenagem econômica. Não se vê mais a pessoa, mas o produto de uma pessoa. Em casos extremos, procurou-se a eliminação física dessas pessoas, por serem um estorvo social. Na Alemanha de Hitler se assassinaram velhos, inválidos, deficientes físicos e mentais, homossexuais. Motivo: eram imprestáveis. Consumiam sem produzir. Não se adequavam à ilusão da raça «superior».

O portador de necessidades espciais é a maior vítima de uma sociedade marcada pelo prazer, pelo ter. Excepcional é toda pessoa que nasce com alguma deficiência, física ou mental. Neste último caso, talvez o mais grave, é um ser com razão, mas sem o uso da razão. Em qualquer situação, é uma pessoa.

Ele tem direito ao atendimento médico especial, ao amparo do Estado. Muitos deles, com assistência especializada, podem ser recuperados. Se possuem incapacidade física ou mental para determinadas atividades, são capazes de outros serviços. Diversos países, inclusive o Brasil,  obrigam as empresas a reservar um percentual dos empregos aos portadores de deficiências, que sempre se saem bem, se realizam, e prestam grandes serviços à comunidade. Muitas vezes, a pessoa permanece excepcional porque a sociedade não o assistiu convenientemente.

Neste contexto também se situa a responsabilidade da família do excepcional, pessoa mais sensível e carente que os outros filhos. Trágico o costume de «prender» o portador de deficiências mentais em casa, enquanto os pais saem para o trabalho. Se há amor por um ser humano, o caminho não é aprisioná-lo, deixando-o mais violentado ainda na sua sensibilidade.

Muitos pais de excepcionais se tornam «excepcionais» pelo cumprimento paciente e heróico de sua missão. Uma cruz que os amadurece, tornando-os merecedores do maior respeito e apoio. A mãe de um portador de deficiência é verdadeiramente uma heroína: como que, renuncia a viver, para que o filho tenha vida.

É extremamente perigosa a mentalidade que se impõe de permitir o aborto no caso de uma gravidez que indica a formação de um ser excepcional. Estaremos, na prática, favorecendo a eugenia: só pode nascer quem será útil, não dará trabalho, quem é «normal». Isso significará dar aos homens o direito de vida ou de morte sobre quem pode nascer. É o homem selecionando o próprio ser humano. A vida é dom de Deus, o único Senhor. Por mais que alguém seja excepcional, estará incluído no número de seus filhos, no número dos que ressuscitarão para a vida eterna. Isso é mais do que suficiente para que se nasça e se viva.

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