Nossa Família é Maior do que a Família

“Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?
Minha mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade
de meu Pai que está nos céus!”
(Mt 12, 50)

Esta foi a resposta de Jesus aos que o interromperam, para dizer-lhe que se preocupasse também com sua família de sangue: sua mãe, seus parentes.

A resposta de Jesus até parece indelicada: «Quem é minha mãe, quem são meus irmãos?» Certamente Maria recordou, até com aflição, o que o Filho lhe dissera quando foi encontrado no Templo, após três dias de angustiante procura. Achava que Jesus, menino de 12 anos, se jogaria, agradecido, nos seus braços. Mas não! A resposta foi dura: «Por que vocês me procuravam? Não sabem que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?» (Lc 2,49). Quantos pais, como Maria, também sofrem ao constatar que as escolhas dos filhos não são as suas escolhas!

Jesus pede que nós ultrapassemos, em nossa vida, os limites da carne e do sangue. Não esgotam toda a riqueza da convivência humana. E nos propõe um outro modelo de família: aquela constituída pelos que fazem a vontade de Deus. Vontade divina que os tornará irmãos e irmãs legítimos, pela fé, vivendo com intensidade familiar, afetiva, um novo relacionamento, mais abrangente. E sua mãe Maria está incluída nessa família, pois disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade» (Lc1,38). Com isso Maria participa da família carnal e espiritual de Jesus.

É muito importante, para nós, dilatarmos o espaço da vivência familiar. Sermos capazes de ter prazer em estar com nossos colegas de trabalho, novos irmãos. Ter prazer em nos reunirmos com os irmãos na fé, nova família.

Muitas vezes acontece que nossos amigos de um Movimento religioso, de uma comunidade de vida consagrada, de um trabalho comunitário, são verdadeiramente mais fraternos que nossos próprios irmãos de sangue!

Sem dúvida, a vida nos ensina que num momento de tristeza, de desamparo, de crise, quem estará ao nosso lado, segurando-nos as mãos, oferecendo os ombros para escondermos nosso rosto sofrido, normalmente será este irmão de fé, de trabalho, de comunidade, e não nosso parente! Nosso amigo íntimo geralmente não é nosso parente, mas aquele que é o depositário fiel de nossas alegrias, tristezas, aquele em quem mais confiamos.

E tem mais: quanto maior for nossa família fora das portas de nossa casa, mais aumentará nosso compromisso com os que moram dentro de nosso lar. Se tivermos sensibilidade, o amor que oferecermos e recebermos na rua, saberemos oferecer aos que estão mais perto de nós: nossos familiares.

Quanto mais os pais indicarem aos filhos que todo ser humano é nosso irmão, mais eles sentirão alegria de estarem com os pais. Família comprometida, filhos realizados e orgulhosos de seus pais.

Dilatemos, o mais possível, as fronteiras do amor familiar e fraterno.

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