«Alegrar se com os que se alegram»

«O teu olho é mau porque eu sou bom?» (Mt 20,15).

A  inveja é um dos sentimentos mais prejudiciais à convivência humana. Ela orienta para o negativo a visão que temos das pessoas. O olhar invejoso é mau, e só consegue enxergar o mal nas pessoas. O invejoso se entristece se alguém é bom, tem sucesso. Fica desanimado se um pecador muda de vida. Sua visão é perturbada por uma lente negativa.

No campo religioso, a inveja não permite que vejamos a ação de Deus nas outras crenças: somente eu estou certo, quem crê como eu, se salva. Aos outros, a condenação. No campo político, produz a visão ideológica da realidade: todos os outros são corruptos, quem não é do meu partido não age em boa fé. Faz tudo com segundas intenções. No campo social, leva ao desprezo pelos que também conseguiram vencer. O invejoso preferiria que todos estivessem numa situação pior. Assim, ele, sozinho, apareceria.

Mas é no relacionamento pessoal que os frutos são mais negativos. Não se consegue ver alguma atitude positiva no adversário ou companheiro. Se não está do meu lado, tudo o que faz é defeituoso. Se alguém que errou retornou ao bom caminho, fica triste. Preferiria que permanecesse no erro: assim, a luz do invejoso brilharia sozinha.

O sucesso do outro nos deixa inseguros. Caim é o exemplo bíblico do invejoso: não suportou que seu irmão Abel tivesse um rebanho sadio, enquanto suas plantações definhavam. Em vez de vencer no caminho do bem, matou o irmão: deste modo sobrava apenas sua mediocridade. Caim ficou revoltado porque Abel era amigo de Deus. O caminho inteligente seria ele próprio estabelecer a mesma amizade. Mas não: era melhor a morte do irmão.

A ação de Deus é modelo para nós: faz chover sobre bons e maus. Os olhos divinos são os olhos da bondade. Vê o bem em todos, apesar dos pecados. Procura vencer o mal com o bem. Deus não divide o mundo entre bons e maus: em todos enxerga filhos seus.

Isso torna possível a conversão das pessoas. Por pior que alguém seja, há nela muito de bom. Valorizando essa parte sadia, o mal pode ser derrotado. Se, porém, olharmos só a parte negativa, o que é bom desaparecerá. A inveja impede que muita gente se regenere. Para alegria do invejoso.

E sendo realistas: os filhos de Deus são sempre melhor do que pensamos, por mais que as aparências ou atitudes digam o contrário. Um filho de Deus – todos nós – é sempre melhor do que pior, sua personalidade não está totalmente corrompida. Às vezes sentimos mais solidariedade num presídio do que em muitas comunidades cristãs. Mais afeto e bondade numa prostituta, do que em muita senhora séria.

Se nossos olhos forem de bondade, estaremos favorecendo a multiplicação da bondade no mundo. E, tenhamos sempre presente: quem de nós não quer uma torcida favorável para vencermos os obstáculos?

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