É proibido proibir!

«Coragem! Eu venci o mundo»  (Jo 16,33)

«Quem semeia ventos, colhe tempestade», aprendemos desde pequenos. Colhemos o que plantamos, pois semente de espinheiro produz apenas espinheiros. A sociedade brasileira está colhendo o que semeou nas últimas décadas, especialmente após a revolução dos costumes iniciada há 40 anos, em 1968, em Paris, logo espalhada, como um furacão, por todo o mundo. O lema daquele ano “É proibido proibir”, penetrou até a medula nas novas gerações.

«Dança em Torno do Bezerro de Ouro», de Emil Nolde (1910)

«É proibido proibir» significava sexo sim, amor não; filhos sim, casamento não; direitos sim, deveres não; liberdade sim, autoridade não; Deus sim, religião não; Cristo sim, Igreja não: corpo sim, pessoa não, e assim por diante. Toda a estrutura ética da vida social foi lançada ao chão.

Tinha-se como grande princípio de sabedoria: «duvide de qualquer pessoa acima dos 30 anos». Era a consagração do pensamento jovem, a negação da sabedoria que vem da história.

Desacreditaram se as instituições que davam proteção à pessoa humana. A religião foi massacrada, a escola desprezada, a autoridade ridicularizada, a família desmoralizada, a lei e a ordem explicadas como intromissão externa na liberdade sem limites do ser humano. A busca do prazer a qualquer custo, foi apresentada como único ideal para a vida. O homem moveu um processo contra Deus, julgando o inimigo da liberdade e do prazer.

Colhemos os frutos: o sexo sem compromisso lançou a família na grande crise que hoje vive. O corpo é usado como se não fosse parte da pessoa, causa de tantas neuroses. Os alunos tratam seus professores como empregados. A Igreja, que representava a grande força moral da sociedade brasileira, tornou se fonte de brincadeiras. A autoridade política esqueceu se de suas responsabilidades e, em linhas gerais, também mergulhou no «salve-se quem puder».

A busca de direitos sem deveres aumentou a injustiça social, com a multiplicação dos pobres, dos menores abandonados, do aborto, da escandalosa concentração da renda. Enfim, a vida se desenvolve no clima da violência afetiva, pessoal, cultural, social e econômica. E a violência gera o medo do outro. A cultura da vida se transformou na cultura da morte.

A criança, o jovem e o pobre pagam a conta. São presas mais fáceis do egoísmo, esse abutre que quer destruir os sinais de vida e de dignidade ainda sobreviventes.

É tempo de voltar atrás, ou melhor, de reconstruir o tecido social através do cultivo dos valores que podem efetivamente proteger a vida: a dignidade da pessoa, da família, o fomento aos valores religiosos, à fraternidade, solidariedade, renúncia, verdade.

Ter sempre a certeza: quando o homem e a mulher buscam apenas o proveito próprio, sem limites, serão eles as primeiras vítimas. Não pode existir felicidade duradoura quando se pensa apenas na própria felicidade.

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