A Igreja, mistério divino no meio do mundo

«Cristo é o chefe da Igreja,
seu corpo, da qual ele é o Salvador»
  (Ef 5,23).

Muitos cristãos confundem a Igreja de Cristo com uma organização filantrópica, pouco diferente das muitas entidades da sociedade civil. A Igreja, segundo eles, existe para praticar caridade, colocar se ao lado dos pobres e oprimidos, organizar o povo, denunciar as injustiças. Tudo isso é verdade, mas não esgota a realidade da Igreja. Resumi-la nisso é esquecer que a Igreja é o Corpo de Cristo, da qual ele é a Cabeça. Ela é o Povo de Deus e o Corpo místico de Cristo, divina e humana, santa e pecadora, entregue aos homens, mas conduzida por Deus. Ela se coloca ao lado dos homens, como defensora de sua dignidade e direitos: é servidora do mundo. Onde está o homem, aí está a Igreja, assumindo suas dores e alegrias, esperanças e desencantos.

Nela convivem santos e pecadores, heróis e traidores. Nela há lugar para São Pedro e para Judas Iscariotes, para a mãe piedosa e para o filho rebelde, para o opressor e para o oprimido. Ela não existe nas alturas, como se fosse uma idéia, mas existe concretamente pela participação dos cristãos. Se um cristão é santo, a Igreja é santa; se é pecador, ela é pecadora. Se o cristão faz o bem, a Igreja comunica esse bem aos outros membros; se um cristão faz o mal, prejudica, do mesmo modo, os outros participantes da Igreja, porque ela é como um corpo, onde cada órgão influi no bem estar ou no sofrimento geral. Nenhum cristão pode falar de sua Igreja como se não fosse integrante dela.

A Igreja está no mundo, mas não é do mundo, é uma peregrina em busca do endereço definitivo, o Reino dos Céus. Seu corpo está no mundo, mas sua Cabeça, no céu. Se todos os homens pecassem, ela continuaria santa, pois sua cabeça é Jesus Cristo: a energia que lhe dá vida é divina. Como numa árvore, podemos arrancar lhe todos os galhos, mas o tronco brotará de novo. É o Espírito Santo que lhe garante a existência, e não a competência humana. A santidade da Igreja é a santidade de Deus, e não santidade dos homens.

O mundo pode ter todo o interesse em destruí la, mas não conseguirá, apesar de há dois mil anos estar tentando: é impossível destruir o próprio Cristo, destruir a obra de Deus.

A finalidade da Igreja é fazer com que seus membros sejam santos, como Deus é santo. Ela garante que a santidade sempre germinará no mundo, produzindo frutos de justiça, amor, verdade, graça e paz. Sempre haverá santos no mundo, porque o sinal principal da existência da Igreja é a santidade. Nela entramos como pecadores, para nos tornarmos santos. Amar a Igreja é amar ao próprio Cristo. Entrar nela, é passar a fazer parte do Corpo de Cristo.

A Igreja é a Palavra de Deus vivida na história, é o fruto maduro da Eucaristia, é a Alegria dos que se sabem pecadores, mas amados por Deus e pelos irmãos.

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