SOMENTE EM DEUS TEREMOS A PAZ

“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.” (Sl 41,3)

Assim como o sedento busca desesperadamente uma fonte onde saciar sua sede, assim nossa alma busca a Deus.

A sede prolongada amortece os sentidos, enlouquece, mata. A alma impedida de buscar o Deus da Vida perde sua vitalidade essencial e loucamente sai em busca de qualquer coisa que a sacie. Vai se iludir no barulho, nas distrações sem sentido, nas intrigas, na vaidade, acaba se afundando no egoísmo e, daí para a frente, busca a vida morrendo nas drogas do ter, do prazer e do poder. Torna se perigosa. Sem limites em sua busca de vida que gera a morte lenta da própria dignidade humana.

Somos feitos para Deus. É nele que encontraremos a paz, afirmou Santo Agostinho, após procurá-la, em vão, no prazer, na inteligência, no sucesso pessoal. Quando se encontrou com Deus, teve paz, teve vida. E soube abrir se para os irmãos, para uma vida de consagração e realização.

Deus colocou a sede dele em cada um de nós. É impossível ficarmos indiferentes diante dele: não procurá-lo é frustrante, pois continuaremos sempre sedentos. Querendo ou não, toda a existência é uma busca de comunhão com ele. Se dele fugirmos, acabaremos nos procurando somente a nós mesmos, e não encontraremos nada que nos realize. Pior: pensamos tudo ter encontrado, buscamos o nada com mais força ainda, e mergulhamos no precipício que nos afasta da vida.

Só em Deus encontraremos repouso. Ele é o ponto de partida para nossa viagem ao encontro dos irmãos. Nele está a força para uma existência feliz, apesar dos problemas, dos sofrimentos. Dele vem a energia vital que nos faz vencedores, apesar das derrotas.

Um homem que não descobriu que seu ser procura a Deus, continua com sede, e irá aplacá-la aumentando a mais ainda. Estará satisfeito no mundo das ilusões, onde só se encontra consigo mesmo.

É vital que saibamos que o afastamento de Deus em nossa vida não é progresso. Teremos, é verdade, uma sensação de liberdade sem limites, acharemos que, enfim, estamos livres de qualquer amarra para realizarmos nossos desejos. No final, veremos que a liberdade foi escravidão. Pensávamos estar livres de tudo, mas estávamos amarrados na pior das escravidões: de nós mesmos, de nosso egoísmo, vaidade, rancor.

Nossa alma tem sede de Deus. Ele é a fonte cristalina a jorrar água que sacia.

Na existência terrena, a sede sempre continuará, pois Deus nunca será totalmente possuído por nós. Na eternidade, enfim, contemplando o face a face, teremos a paz perfeita.

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