LIBERDADE E SILÊNCIO

O grande combate do amadurecimento humano e cristão tem nosso coração como campo de batalha. É lá dentro, nos abismos de nossa interioridade, que se travam as guerras verdadeiras contra tudo o que nos afasta de Deus, dos outros, de nós mesmos. É no silêncio do coração, após a derrota de todos os ruídos que querem moer nossos sentimentos, que se estabelecem os grandes encontros amorosos.

No silêncio de nossa interioridade contemplamos a bondade do amor divino e dos outros, e sentimos a felicidade de fixar o olhar na doçura dos encontros que se produzem e que dão sustento à nossa existência.

Os baixos preços dos produtos eletrônicos que geram milhões de sons e imagens são sedutores: parecem nos libertar do incômodo de ouvir o ruído do trânsito, é verdade, mas também nos isolam do canto dos pássaros, da música sutil entoada pela natureza, e da necessidade de escutar a fala do outro. Andamos pelas ruas com ouvidos tamponados por walkman e temos a sensação de liberdade frente a qualquer incômodo: não é isso verdadeiro, porque nossa liberdade continuará gritando para ser ouvida. Acabamos mergulhando num silêncio filho da solidão estéril.

O barulho que enche nossas casas e nossas vidas impossibilita escutar os sentimentos dos que no cercam e que são silenciosos. Só no silêncio há revelação de vidas e de intimidade.

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