DEUS NOS CONDUZ AO DESERTO PARA FALAR-NOS

“Assim diz o Senhor: ‘Eu a conduzirei levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração’”

(Os 2, 15-16).

O deserto é o local do encontro: nele o Povo conheceu a Aliança; nele João Batista anunciou o Salvador; nele Jesus enfrentou Satanás; nele os cristãos dos primeiros séculos (e de hoje) buscaram a liberdade de escutar a Deus; nele Charles de Foucauld enfrentou a sedução do retorno ao passado. Nele, no deserto do silêncio, está a possibilidade de fugirmos da esterilidade de uma vida espiritual feita de ruídos, sentimentalismos e palavrório estéril, gritado por pregadores sem vida interior para ouvintes que fogem da vida interior. E todos saem satisfeitos, porque pensam estar livres do “inimigo”. Enganam-se: o “inimigo” arma sua tenda na próxima esquina e de barulho em barulho os privará da experiência amorosa do Senhor.

Se o homem é um apêndice do barulho, não é sujeito de uma história pessoal. Se o barulho é um apêndice da vida humana, pode e deve ser combatido para que atinjamos a riqueza da intimidade.

No barulho não há liberdade. E a liberdade nos liberta para a escuta de todas as vozes da criação, vozes sutis, captadas somente por quem vive com atenção a construção de sua existência. Nas vozes da criação discerniremos a voz de Deus.

O Senhor nos fala ao coração. Ele nos rapta para conduzir-nos ao deserto, a fim de que escutemos sua confissão de amor por nós. O Cristo frágil de Belém e fragilizado na cruz de Jerusalém nos comunica a força em seu silêncio de amor

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