O CRISTIANISMO, OU «CRER É BELO»

Cristo, o Divino Mestre

Cristo, o Divino Mestre

Crer tornou-se mais difícil, afirmou Bento XVI à TV alemã, numa entrevista em meados de agosto. Na homilia em Munique (10 de setembro) referiu-se a um mundo “surdo para Deus”, que confunde nossos ouvidos com muitas “freqüências” de mensagens de felicidade mágica e que brinca com Deus e o Sagrado. Num mundo assim, crer é mais difícil, é remar contra a corrente mas, por isso mesmo, “crer é belo”.

A beleza da vida cristã consiste em procurar tornar visível o Deus com o rosto humano de Jesus Cristo. Em outras palavras: a vida cristã é bela porque tem como vocação esculpir no homem, através da graça e da vontade, a imagem divina perdida pelo pecado. O fruto maduro é a criatura resplandecente da beleza do Criador.

Nós, cristãos, não obedecemos a um deus ameaçador, mas oferecemos obediência filial a Deus que é amigo do ser humano: tudo, língua, etnia, cultura, moral é assumido pelo cristão para que depois seja transfigurado através do Senhor que ressuscitou e venceu toda as mortes. Nós somos convidados a olhar o mundo com simpatia: mesmo que o mundo rejeite a Igreja, a Igreja não rejeita o mundo, pois sabe que é obra divina.

O pregador irado, o profeta ameaçador, o evangelizador distribuidor de raios e notícias de fim dos tempos não servem para o anúncio do Evangelho, Boa Notícia, Bela Notícia, Evangelho belo como um ícone escurecido pelas velas que por séculos o iluminam e, ao mesmo tempo, resplandecente pela fé e esperança dos que o contemplam.

O cristão não mercadeja a verdade sobre Deus, o homem e o mundo: ele não receia o confronto quando está em jogo a vida humana como Deus a pensou para o homem e tornou visível em Jesus de Nazaré, e quando diz respeito à criação como casa da humanidade. Sua firmeza tem origem no amor e não no dardo do inferno muitas vezes desferido por neuróticos contra suas pobres vítimas.

O grande instrumento da evangelização é o testemunho diário do discipulado do Senhor, e não a palavra de soldados improvisados: lembrando as palavras de João XXIII na abertura do Concílio Vaticano II, em 1962, os pessimistas e tradicionalistas em tudo vêm males e num utópico passado buscam o paraíso perdido. Os tradicionalistas não são evangelizadores, pois propagam o que não existiu e ocultam o que existe: a face radiante e sofrida da Igreja, sempre Igreja do Senhor.

“A vida cristã é boa”: a fé cristã é humana, está a serviço da humanização autêntica. É bom ser humano, fraterno, reconciliado, justo, manso, generoso.

É uma “vida de discípulo de Jesus”, que manifesta a beleza de viver a “Bela Notícia”, o Evangelho. Não uma vida seguidora da moda, mas construída na contemplação do Senhor que se revela na Palavra.

A vida cristã é “uma vida feliz”: não está livre das provas, das tragédias, mas é feliz porque a felicidade é a resposta à procura de sentido, livre dos ídolos. É fruto de uma vida construída, não arrastada pela última novidade leiloada na praça. Ser cristão é ser feliz!

O cristianismo é “amor da beleza”, caminho da beleza, ou não é nada, afirmaram os mestres da espiritualidade cristã. Na língua grega se usa a palavra filocalia, que se traduz por amor da beleza: ser cristão é ser filocálico, é ser buscador e construtor do belo que é reflexo do Belo.

Deus caritas est: Deus é amor. Tudo o que fazemos e anunciamos aprofunda as raízes nessa certeza: Deus é amor. Amor que transforma o mármore bruto em obra de arte, em beleza. Quem de nós não conhece pessoas que eram pedra bruta, mármore sem brilho e pela graça foram transformados em beleza, em seres luminosos? Crer é belo! O Cristianismo é anúncio da vida bela, brotada da fonte do amor de Deus.

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