O VOTO, VACINA CONTRA A CORRUPÇÃO

Corrupção

Corrupção

Sempre nos ensinaram que a função do Estado é garantir o bem comum, que nasce do consenso dos cidadãos, que nele enxergam a expressão e a garantia da tutela dos direitos, coletivos e individuais. Sabíamos que o crime é fruto do egoísmo de indivíduos que se consideram acima do bem e do mal. Contra eles o Estado brande as armas do Direito e os enquadra com punições corretivas.

Mas, para surpresa nossa, o Brasil dos últimos meses tem mostrado que o maior delinqüente é o Estado. A delinqüência está fotografada na face dos encarregados do Estado.

O Brasil ficou tarado: foi preso um coronel do Exército e outros oficiais por desvio de milhões na compra de alimentos; em Rondônia os chefes do Poder Judiciário e do Legislativo foram presos por roubo; juízes federais foram presos por desvio ou venda de sentenças; 23 dos 24 deputados estaduais rondonienses são acusados de roubo a granel; a Justiça investiga 43% dos deputados do Rio; a Câmara e o Senado Federais passam por um processo de corrupção nunca visto: são os mensaleiros, os sanguessugas etc.; o governador e o vice de Rondônia também estão envolvidos em operações contra o patrimônio público; dois ex-superintendentes da Polícia Federal foram presos por crime contra o patrimônio; dois bispos da igreja de Edir Macedo, a irmã dele e quase a metade da bancada evangélica estão envolvidos no batalhão dos sanguessugas ou mensaleiros; Partidos políticos se vendem em leilão público e assim por diante. O atual Congresso, o mais corrupto da história brasileira, tem 12% de seus membros envolvidos em crimes, percentagem que faria qualquer instituição tremer ou quebrar. E para não esquecer: a DASLU, o templo dos ricos e celebridades, em cuja construção mergulharam milhares de Medalhas Milagrosas, tem seus donos presos: são católicos devotos e criminosos de longos tentáculos.

Uma das conseqüências funestas desse festival de notícias sobre desfalques financeiros é a perda progressiva do significado dos valores: um milhão, 6 milhões, 650 milhões, um bilhão, parecem não significar outra coisa além de números que pouco medem. A corrupção endêmica germina essa flor putrefata: a perda da noção do alcance do crime, a perda da sensibilidade que não acusa que o dinheiro público surrupiado deixa crianças sem escola, doentes sem hospital, estradas esburacadas, universidades e escolas sucateadas, tolhe investimentos públicos que geram emprego, resumindo, uma história de morte. E, o que passa na cabeças das crianças e jovens? Não concluiriam que a corrupção é um outro modo de ganhar a vida?

Qual o remédio à disposição do Estado democrático para esses males? Não é a negação do valor do Estado de Direito democrático. O remédio é a democracia, é o poder do povo exercido na ocasião do voto. Por engano podemos votar num corrupto, num tarado: mas a democracia nos permite mandá-lo de volta para sua insignificância e para as barras dos tribunais. Pelo voto podemos fazer do Nobre Senador e do Excelentíssimo Deputado um ex-nobre e um ex-deputado; e também um ex-governador, ex-prefeito, ex-presidente.

As eleições batem à nossa porta e à nossa consciência de cidadãos: pesquisemos a ficha corrida dos candidatos, o aumento milagroso de seu patrimônio, os parentes que encostou no serviço público. E apliquemos a vacina no Brasil, a vacina da cidadania que nos dará, pouco a pouco, um Estado democrático verdadeiro, a serviço do bem comum. Longe o impulso de matar a criança doente (democracia) e sonhar com um poder forte, ditatorial. A criança tem cura, o Brasil tem cura. O remédio é o cidadão.

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