VOCAÇÃO, IMENSO AMOR PESSOAL POR JESUS

Jesus e seus discípulos

Jesus e seus discípulos

“Vem e segue-me”, foi o convite de Jesus. E eles deixaram tudo, foram atrás dele e nunca mais voltaram para casa. Foi a experiência de Pedro e André, João e Tiago, de todos os apóstolos, de Paulo, de milhões e milhões de homens e mulheres, jovens e crianças, nestes 20 séculos de cristianismo. Encontraram o Senhor e o seguiram pelo Caminho. Foi um encontro que gerou o fascínio e fez nascer o amor entre Jesus e seus discípulos. Foi a mesma experiência de Abraão, Moisés, Samuel, dos profetas, diante de Javé.

No mês de agosto, a reflexão pastoral acentua o tema das vocações ao casamento, ao sacerdócio, à vida religiosa e ao apostolado, todas, é claro, conseqüência da fé batismal. Muitas vezes se explica o como fazer e o que fazer na vida vocacionada. Situa-se a vocação no fazer e não no ser que gera a ação. O ponto de partida, para alguns, é a necessidade da Igreja, a superação da crise das vocações, da família, das congregações e institutos religiosos, a falta de agentes de pastoral qualificados. E corremos atrás das pessoas, oferecemos cursos de formação, materiais pedagógicos e o nosso agradecimento prévio pela aceitação do convite. Corre-se até o risco de passar a imagem da Igreja como centro de técnicas e conhecimentos e não como comunidade de vida e contemplação. O fruto de tal enfoque é o surgimento de vocações “profissionais” a serviço da estrutura eclesiástica ou religiosa, de agentes de pastoral apenas competentes. Vocações sujeitas à rotina, ao cansaço, ao desânimo, à necessidade de retribuição. É o preço pago pela mistura de evangelização com catequese. Ou, mais ainda, o preço histórico de nossa herança latina, que insiste mais na vontade, na lei, na instituição e na moral, e menos na oração, na contemplação, na mística. Com isso, a formação dos agentes de pastoral se coloca pouco na linha da experiência mística e mais na linha da razão e da eficácia racional.

Evidente que temos agentes de pastoral que passaram por uma verdadeira conversão, que nutrem um imenso amor pessoal por Jesus e seu povo, muitos deles despertados nos numerosos movimentos eclesiais. São discípulos.

Quem não foi tocado pelo amor de Jesus não tem a prática de comunicá-lo. Aquele que não sentiu o fascínio irresistível do Mestre é um pregador de projetos e preocupações humanas, sem calor, sem o impulso agregador do convertido.

Na Evangelii Nuntiandi, o Papa Paulo VI falava que o mundo precisa mais de testemunhas do que de discursos. Se o discurso comove, a testemunha arrasta. Testemunha é aquele que viu. Os apóstolos testemunharam a ressurreição porque viram o Ressuscitado.

O vocacionado será testemunha daquele que ressuscitou e faz a vida ressuscitar se ele próprio foi tocado pela pessoa do Mestre. Ele é um apaixonado pelos santos e pela santidade, ele está decidido a ser santo como Deus é santo. Busca a santidade que consiste no apropriar-se do transformante amor divino e irradiá-lo pela vida e pela palavra nas comunidades, igrejas, ambientes de trabalho, de estudo, santidade vivida no lar.

O fato de necessitarmos falar tanto em vocação já atesta uma carência da vivência cristã nos batizados. Então ganha todo o sentido a nova evangelização, o reavivamento da fé, o despertar da graça em quem a possui pelo batismo, mas disso não se dá conta. Precisamos de uma grande campanha vocacional: para a vocação cristã que gerará todas as vocações necessárias ao povo de Deus.

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