MARIA – MATERNIDADE SACRAMENTAL E ECLESIAL

(Katafyge Olympias Refuge)

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Maria é modelo da Igreja e seu exemplo para a vida eclesial se manifesta no ouvir a Palavra, na oração, na maternidade divina e na oferta sacrifical (cfr. Marialis Cultus, de Paulo VI, nn. 17-20). O fundamento do modelo “mariano” para a vida eclesial está na participação real de Maria nos mistérios da vida de Cristo. Pelo Espírito Santo gerando o Filho, acompanhou-o maternalmente em toda a sua vida terrena e agora o acompanha, contemplando-o na glória trinitária.

Toda a ação sacramental da Igreja é realizada na memória de Cristo (“fazei isso em memória de mim”), que torna presentes os mistérios na força do Espírito Santo. Os sacramentos não são recordações piedosas: são acontecimentos eficazes de santificação e salvação.

A Igreja é convidada a realizá-los em atitude mariana, vivê-los e deles participar com os mesmos sentimentos de Maria na Encarnação, no Natal, na Epifania, na vida pública, na Paixão e Ressurreição, no Pentecostes. A liturgia da Igreja torna presentes, de modo real e eficaz, os mistérios da vida de Jesus e não pode dissociá-los daquela que os viveu com Ele e é a Mãe de Cristo, cabeça da Igreja. A maternidade divina de Maria é maternidade sacramental e eclesial.

Assim, Maria está presente em cada fonte batismal, onde nascem os novos membros do Corpo místico, porque concebeu seu Senhor divino, Cristo. Está presente em cada Eucaristia, pois o Filho que se faz carne e sangue para a vida do mundo é carne e sangue de seu seio virginal e participou como co-redentora do mistério de sua Morte e Ressurreição. Está presente em cada cenáculo, em cada imposição das mãos, porque esteve junto com os discípulos na Igreja nascente, recebendo a efusão do Espírito. Está presente nos sacramentos da vida cristã como esteve presente ativamente na vida de Jesus (cfr. João Paulo II, “Angelus” de 12/02/1984).

O que a Igreja hoje celebra na liturgia, Maria viveu ao lado de Jesus pelos caminhos da Galiléia, Judéia e Samaria. A liturgia celebra a pessoa e a vida de Cristo no mistério trinitário, não podendo estar separada de Maria, esposa do Espírito, mãe do Filho, filha do Pai, serva da Trindade e irmã de todos.

Por isso, toda a devoção cristã é mariana, ser mariano é ser cristão, como afirmou João Paulo II. Desta afirmação surge uma devoção a Maria com características bíblicas e sacramentais, uma devoção adulta, de compromisso, uma devoção vivida nas virtudes teologais da fé, esperança e caridade, longe, portanto, das devoções adocicadas nascidas em sentimentalismo barato ou em supostas revelações privadas.

Ser mariano é muito mais do que repetir palavras de Maria: é viver as atitudes de Maria junto de seu Filho, é ter seus sentimentos no caminho da fé cristã. A união Maria-Jesus é tão íntima que, ao afirmar com São Luiz de Montfort “Sou todo teu, Maria – Totus Tuus”, estou afirmando claramente “Como tu, Maria, sou todo de Cristo”.

Maria é grande tesouro da espiritualidade cristã e católica: se abrirmos esse cofre, contemplaremos, maravilhados, toda a sua riqueza, Cristo.

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