O ROSÁRIO, ORAÇÃO DOS POBRES

Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá

A Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte teve seu coroamento mariano com outra, a Rosarium Virginis Mariae, O Rosário da Virgem Maria. Nesta, João Paulo II pede a toda a Igreja que contemple a Cristo com os olhos de Maria, que veja o mundo com o olhar da Mãe de Deus. O Novo Testamento é rico na oferta de olhares: podemos olhar Cristo e o mundo com o olhar de Maria, de João, de Paulo, de Pedro, da pecadora, do filho pródigo, de Zaqueu. A mediação antropológica se transforma em ação cristológica.

Quis o Papa inserir, em seu brasão, o “Totus Tuus”, sou todo teu, Maria, que recebeu de São Luiz de Monfort. E, como sugestão prática proclamou os anos 2002-outubro-2003, Ano do Rosário. João Paulo II não quer levar os cristãos a um marianismo piedoso, evidente. Ele próprio afirma na Novo Millennio: “a escuta da Palavra de Deus torne-se um encontro vital, na antiga e sempre válida tradição da lectio divina, que faz tirar das Santas Escrituras a Palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência” (NMI 39). E nesta Quinta-feira Santa, ofereceu a Igreja a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, a Igreja nasce e vive da Eucaristia. É com a liturgia eucarística e a liturgia das Horas que se nutrem os fiéis que, por sua vez, são formados para levar à sua prática. Afirma Santo Tomás que na Eucaristia é fabriccata ecclesia Christi, realiza-se de modo pleno a Igreja de Cristo.

O Rosário se insere nas múltiplas formas de oração com que os féis querem renovar seu encontro com Cristo. É uma oração cristológica, não mariana. Ensina-nos a olhar Cristo com o olhar de Maria. É a oração dos pobres, dos anciãos, dos analfabetos, dos doentes, de todos.

Toda oração cristã tem dois tempos essenciais, louvor e invocação. Assim também no Rosário: na primeira parte da Ave-Maria repete-se a alegria da Encarnação, com a saudação do Anjo (Lc 1,28) e de Isabel (Lc 1,42). No centro, a invocação terna e confiante do Nome Jesus, único Nome pelo qual podemos recebemos salvação. Segue-se, na segunda parte, a invocação para que Maria interceda por nós agora (nosso presente de pobres pecadores) e na hora da morte (a hora do êxodo para o Pai). A oração da Ave-Maria convida-nos a contemplar, com ela, os mistérios da Salvação.

O Rosário é uma oração dos pobres e uma oração “pobre”: nem sempre temos ocasião ou possibilidade de acesso à Palavra e à Eucaristia, mas podemos, com profunda fé, expressar nossa pobreza com uma dezena, um Terço, um Rosário. Quem sabe, até, teremos todo o proveito e unção repetindo muitas vezes o Nome “Jesus” ou, como fazem os orientais com a Oração do Coração, repetindo noite e dia o Kyrie eleison, Senhor Jesus, piedade. Também nesta pequena fórmula há o louvor (Jesus é o Senhor), o Nome (Jesus), a invocação (piedade).

O fundamental é que toda a nossa vida espiritual, nossos exercícios de piedade, tenham um único objetivo: o louvor e a súplica Àquele que pode e quer salvar-nos, o Filho de Deus.

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