MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Terceira filha de Drana Bernai e Nikollë Bojaxhiu, Gonxha (= Inês) nasceu em 1910. Com seus irmãozinhos Aga e Lazar teve uma infância muito feliz em Skopje, antiga cidade albanesa e hoje capital da Macedônia.

Do pai Nikollë recebeu um forte sentido de justiça e de caridade. Muitas vezes Gonxha ouviu-o dizer: “Filha minha, nunca aceites levar à boca um pedaço de pão, se não estás disposta a reparti-lo com os outros”. Morreu jovem, e Mamãe Drana continuou a educação dos filhos, dando-lhes o exemplo de uma vida cristã e de caridade heróica. Diariamente sua mesa tinha algum faminto. Sabendo de um necessitado, ia logo ajudá-lo, alguns até recolhendo-os em casa. A família vivia para a igreja. Gonxha era congregada mariana e participava do coral. A vida dos pais explica a vida de Gonxha. Muito nela influiu o exemplo de um pároco, entusiasta missionário. E veio o chamado de Deus para a missão entre os pobres.

Em 1928 parte para a distante Irlanda, na Casa geral das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, que tinham obras na Índia. Lá foi introduzida no espírito da congregação e iniciou uma nova viagem, esta sem retorno. Na Epifania de 1929 chegou a Bengala, a Calcutá. Após o noviciado emitiu os votos, escolhendo Teresa como nome religioso. É agora Madre Teresa e, depois, Madre Teresa de Calcutá. Torna-se professora no St. Mary´s College, muito amada e competente. Com facilidade aprendeu o inglês, o bengali e o híndi, línguas locais.

A vocação dentro da vocação

Mas, algo de extraordinário a aguardava. No dia 10 de setembro de 1946, no trem em que viajava para Darjeeling, a voz do Senhor a convocou para uma vocação dentro da vocação: deveria deixar o convento e ir às ruas, trabalhar entre os pobres mais pobres. Em fevereiro de 1948, com as devidas licenças, Madre Teresa deixou o convento e iniciou sua missão entre os pobres mais pobres. Pouco a pouco outras jovens se juntam a ela e nasce a Congregação das Missionárias da Caridade.

Nestas poucas linhas, através de escritos de Madre Teresa, queremos oferecer ao leitor um lampejo da experiência religiosa de Madre Teresa, de sua longa “noite escura” iniciada em 1948: Deus se escondeu dela, de modo que somente podia ser contemplado e sentido no rosto dos pobres.

“Meu sorriso é um grande manto que cobre uma multidão de dores”, escreveu ao diretor espiritual. Escrevia a Dom Périer, em março de 1953, ao assumir a direção da Congregação: “Por favor, reze especialmente por mim, para que eu não arruíne o trabalho de Jesus e Nosso Senhor se revele, porque há em mim uma terrível escuridão, como se tudo fosse morto desde que eu iniciei a obra. Peça a Nossa Senhora que me dê coragem”. Suas forças vinham de uma certeza: o trabalho pela Congregação das Missionárias da Caridade “não é feito por mim, mas por Jesus: estou mais certa disso do que de minha real existência”.

Em março de 1956, escrevia ao arcebispo Périer: “Às vezes a agonia da desolação é tão grande e, ao mesmo tempo, é tão profundo o desejo do Ausente, que a única oração que ainda consigo fazer é: “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em ti. Saciarei a tua sede de almas”.

Em janeiro de 1958: “O desejo vivo de Deus é terrivelmente doloroso e, contudo, a escuridão se torna sempre maior. Que contradição há em minha alma! É tão grande a dor interior, que nada sinto por toda a publicidade e o falar do povo”.

Por apenas um mês seu sofrimento teve alívio: foi em outubro de 1958. Madre Teresa, sufocada pelo sofrimento espiritual, pediu a Jesus um sinal de sua presença. Na carta de 17 de outubro narrou a Dom Périer que “então desapareceu aquela longa escuridão, aquele sentimento de perda, de solidão, daquela estranha e prolongada dor. Hoje a minha alma está cheia de amor, de alegria indizível, de uma ininterrupta união de amor”.

Mas, Jesus foi breve. Já em novembro escrevia que “Nosso Senhor pensou que era melhor para eu permanecer no túnel, e assim ele novamente se foi. Sou-lhe grata por aquele mês de amor que me concedeu”.

Madre Teresa atraía as pessoas a Deus

O tormento continuou até sua morte, de modo a purificá-la sempre mais no seu amor por Deus e pelos irmãos. Passou a perceber melhor o significado dessa dolorosa experiência e a colocá-la em relação com sua vocação. Em novembro de 1958, disse a Dom Picachy que nunca soubera “que o amor pudesse fazer sofrer tanto, tanto pela ausência como pelo desejo”. No início de 1960, confidenciou ao Pe. Neuner: “Pela primeira vez, nestes onze anos, comecei a amar a escuridão. Porque agora creio que ela é uma parte, uma pequeníssima parte, da escuridão e da dor vivida por Jesus na terra”.

Ficava perturbada diante da reação das pessoas que lhe estavam próximas. Em setembro de 1962, escreveu a Dom Picachy: “As pessoas dizem que se sentem jogadas rumo a Deus vendo minha sólida fé. Isso não significa enganar o povo? Mas, a cada vez que eu queria dizer a verdade – que eu não tinha fé – as palavras não saíam, minha boca permanecia fechada e continuava a sorrir a Deus e a todos”.

O olhar e o sorriso de Madre Teresa: viveu buscando a Deus e sempre encontrando os pobres. Mas, em 5 de setembro de 1997, encontrou-se com seu Amado, para sempre. Seus lábios pronunciavam as últimas palavras: “Jesus, eu te quero bem; Jesus, confio em ti”.

Sua vida e santidade foram aprovadas pela Igreja. Tanto assim que, em 19 de outubro de 2003, apenas seis anos após a morte, foi beatificada pelo papa João Paulo II, seu grande amigo.

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