«ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS»

Ele está no meio de nós!

Ele está no meio de nós!

O Verbo se fez carne, e habitou entre nós.

 (Jo 1,14).

O mistério da encarnação do Filho de Deus torna possível e dá sentido a todos os mistérios cristãos. Se Deus não tivesse assumido a condição humana, nós não poderíamos ir ao seu encontro. Deus quer ser nosso amigo, mas, permanecendo um Deus inacessível, não poderia ter amigos humanos, pois seria impossível a comunhão, o diálogo. Assim, na sua bondade, Deus se faz homem para que nós possamos conversar com ele, privar de sua amizade. A oração é esse momento impressionante de comunhão: por ela vamos até Deus e, por ela, Deus vem até nós. Força do homem, fraqueza de Deus.

Por causa do diálogo Criador-criatura, todos os sacramentos têm matéria e espírito: água, óleo, pão, vinho, homem-mulher, imposição das mãos. Isso de nossa parte; da parte de Deus, a Palavra que faz o Espírito consagrar a matéria. Pelos sacramentos Deus se humaniza e o homem se diviniza.

Ele está no meio de nós

Pelos sacramentos, Ele está no meio de nós. A Eucaristia é a prova mais sensível dessa presença: oferecemos pão e vinho, Deus devolve Corpo e Sangue de seu Filho. Apresentamos nossa miséria, Deus a transforma em força e nos alimenta com o Pão e o Vinho consagrados. Dizermos: Ele está no meio de nós! é pouco: Ele está dentro de nós, Ele e nós nos tornamos um. Se tivéssemos os olhos purificados pela graça, como os Apóstolos no Tabor, veríamos que a procissão da Comunhão é uma procissão de luz. Cada criança, velho, jovem, homem, mulher, ao receber a comunhão se tornam luminosos. Uma igreja, mesmo escura, se torna resplandecente na procissão eucarística: pena que nossos olhos sejam ainda puramente físicos e não enxerguem essa beleza real, verdadeira. Deus humano e Homem divino. Mistério de fé, esse, porque é o grande mistério do amor. Custa-nos crer, porque custa-nos aceitar que alguém possa amar-nos a tal ponto, como Deus.

Ele está no meio de nós: vinde e vede! Podemos ver a Presença no Pão. Mesmo correndo o risco dos exageros e coisificações da piedade popular, a Igreja sempre afirma que o Pão consagrado pode ser guardado, exposto, adorado, reservado para os doentes. A Igreja o expõe para a adoração e a bênção. Passando por uma igreja, podemos adorar a Presença que se encontra no sacrário. São Francisco pedia a seus frades que, ao passarem por uma igreja, se ajoelhassem e dissessem: Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo, presente nesta igreja e em todas as igrejas do mundo! Podemos ver o Senhor, se formos capazes de ir além das aparências. No Santíssimo Sacramento, o que vemos é aparência, o que existe é a realidade: o Senhor.

A Festa do Corpo de Deus

Em 1264, o papa Urbano IV estendeu para toda a Igreja [Latina] a Festa de Corpus Christi. Santo Tomás compôs os hinos do Ofício litúrgico. Quem não conhece e canta o Tão sublime Sacramento? Pois é de Santo Tomás e a Igreja [Latina} o canta há quase 800 anos.

Por entre aclamações, cantos, fogos, orações, incensos, multidões, tapetes floridos, vai o Senhor em procissão. Ele sente as alegrias das aclamações humanas, para que as criaturas sintam as alegrias divinas. É o Senhor festejando conosco o Mistério da Fé. Vinde e vede, o Senhor está em nós e no meio de nós.

A Igreja sofreu muito quando teve de nos obrigar a comungar ao menos uma vez ao ano. Sofreu pela indiferença de seus filhos que não querem ver o Senhor, que não querem com ele fazer amizade, que não o querem como Pão e Vinho, festa de amor. Fujamos do caminho das obrigações e enveredemos pelas estradas da amizade que conduzem ao altar: lá está o Senhor, cheio de afeto, majestade e poder. Para ser adorado e consumido.

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